Everson Boeck
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Responsáveis pela coleta do lixo e pela limpeza de ruas e avenidas da cidade, os garis são importantes agentes de limpeza urbana e essenciais para a conservação da cidade. Trabalhando com uma vassoura especial e equipamentos de segurança, eles cuidam da higiene e recolhem os detritos que a população produz diariamente e não trata. Além da coleta domiciliar e da varrição, os garis realizam, ainda, a coleta seletiva, a coleta dos resíduos de saúde, a lavação de ruas e avenidas, a limpeza das bocas de lobo e a capina e a limpeza dos córregos.
Esse profissional é muito importante dentro da sociedade, pois é o gari quem faz com que o lixo não se acumule nas ruas e nos bueiros, causando enchentes e permitindo a proliferação de bichos e doenças. Assim, os garis combatem, de forma direta, várias enfermidades que se desenvolvem com o acúmulo dos resíduos, como a dengue, por exemplo.
Os desafios da profissão
Conhecido pelo apelido “Cabelo” – em função de ter como hábito usar cabelo comprido desde os 15 anos de idade, o santa-cruzense Luis Fernando da Silva conhece bem a realidade da profissão. Hoje com 29 anos, há sete ele faz parte da equipe de garis da Conesul Soluções Ambientais. A empresa, com sede em Santa Cruz do Sul, atende cerca de 40 municípios.
Para ele, a maior dificuldade da profissão é o calor intenso no verão. “O problema maior é o calor insuportável. Não tem água que chegue e a roupa é muito quente. Além disso, algumas pessoas têm uma visão distorcida do profissional, parece que têm medo da gente. Não querem dar nem um copo d’água, às vezes”, relata.
O preconceito à profissão é um dos pontos citados pelo gari. Segundo ele, principalmente nos bairros mais nobres, a população não é muito receptiva. “Algumas vezes no verão, pedimos água e as pessoas não querem dar. Dizem que não têm. Imagina! Algumas enxergam o caminhão e já se escondem dentro de casa. Até dá pra entender porque hoje em dia tem bandido pra tudo, mas não é porque estamos mal arrumados e trabalhando com recolhimento de lixo que não somos pessoas direitas. Não dá pra generalizar. Tem muito criminoso andando de terno por aí”, observa.
Em relação à saúde do trabalhador, Cabelo ressalta que é fundamental uma alimentação mais reforçada e cuidado ao recolher o lixo. “Como é uma atividade puxada, cansativa, o gari tem que se alimentar bem e tomar bastante água. Também é importante ter cuidado ao recolher o lixo, pois mesmo com os equipamentos de proteção às vezes a gente se machuca”, alerta o profissional, que há alguns anos, ele sofreu um ferimento na mão direita. Mesmo com uma luva grosa, um caco de vidro atravessou sua mão e ele foi levado pela equipe de segurança do trabalho da empresa ao Pronto Socorro.
Atitudes que compensam
Não é fácil ser gari, que popularmente também são conhecidos como lixeiros. O corpo reclama. O lixo machuca. Muita gente tem preconceito, mas reclama quando o lixo não é recolhido. Mas assim como há pessoas que não reconhecem o trabalho dos garis e ainda têm preconceito ao profissional, há pessoas bondosas e gratas.
Cabelo relata um fato que comprova esta afirmação. “Um dia eu estava numa determinada rua reunindo o lixo para que o caminhão recolhesse logo em seguida. Vi uma senhora atravessando a rua e carregando sacolas pesadas e ofereci ajuda. Espantada, ela aceitou e pediu que eu fosse até a frente da casa dela. No caminho ela contou que o dono do mercado disse que não poderia levar as compras para ela e que as mesmas estavam muito pesadas. Ela me abraçou e pareceu extremamente agradecida. Depois, sempre que eu passava lá, mesmo sem pedir, ela sempre oferecia água ou algum lanche para a gente comer durante o dia”, conta.
Everson Boeck
Luis Fernando atua há sete anos na profissão
Como colaborar com o trabalho do gari
Um dos maiores problemas que o profissional encontra são os cacos de vidro e objetos pontiagudos nos sacos de lixo. Mas não é só isso, à noite há muitas dificuldades para recolher o lixo. A escuridão, muitas vezes, esconde os buracos nas vias, cachorros que tentam rasgar os sacos de lixo e até avançam contra os garis, lixeiras colocadas em locais inapropriados.
No entanto, a população pode facilitar o trabalho destes trabalhadores. Veja algumas dicas:
– Proteja o vidro e outros materiais cortantes (estiletes, pregos, lâminas) com material resistente antes de colocá-lo na sacola e pressione as tampas das latas para dentro. Esses materiais desprotegidos podem ferir o gari, mesmo ele usando as luvas protetoras. Uma dica é colocar cacos de vidros, agulhas, facas, estiletes entre outros, em garrafas pet. Corte-as ao meio, coloque o material e depois volte a unir as duas partes com uma fita adesiva.
– Não jogue lixo ou entulho nas vias públicas, córregos, lotes vagos, bueiros e encostas. Além de poluir a cidade, o lixo nas ruas entope bocas de lobo e pode provocar enchentes;
– Embale corretamente seu lixo, em sacolas resistentes, bem fechadas e de tamanho adequado, para evitar que elas se abram e espalhem o lixo nas vias públicas. Lixo não embalado, além de exalar mau cheiro, atrai animais que podem ser portadores de doenças;
– No trânsito, respeite os cones de sinalização. Eles estão ali para proteger os varredores, que estão trabalhando para deixar a cidade mais bonita para todos nós;
– A velocidade do caminhão de coleta é em média 5 a 7 km/h. É preciso a cooperação dos outros motoristas no trânsito. Infelizmente, muitos reagem com impaciência, não levando em consideração a importância do trabalho realizado pelos garis;
– Respeite os dias e horários de exposição do lixo para coleta, evite deixar seu lixo na rua por mais tempo que o necessário.
Origem do nome Gari
O nome profissional de “Gari” é em homenagem ao francês Pedro Aleixo Gary, primeira pessoa a assinar um contrato de Limpeza pública com o Ministério Imperial, organizando assim, a partir do dia 11 de outubro de 1876, a remoção de lixo das casas e praias do Rio de Janeiro. Vencido o contrato, em 1891, entrou seu primo, Luciano Gary. Um ano após, a empresa foi extinta e inaugurada a Superintendência de Limpeza Pública e Particular da cidade, realizando um trabalho muito aquém do proposto em termos de limpeza pública. Os cariocas, acostumados com a limpeza das ruas após a passagem dos cavalos, mandavam chamar a turma do Gary. Aos poucos o nome se generalizou e até hoje são chamados garis.














