Everson Boeck
[email protected]
Aos 34 anos de idade, o jovem deputado estadual Marcelo Moraes é mais um dos candidatos que representa a região na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Candidato à reeleição pelo PTB, ele faz dobradinha com o pai, deputado Federal Sérgio Moraes (PTB), também candidato à reeleição na Câmara dos Deputados.
Dentre os apontamentos feitos por Marcelo, ele frisa que aprova o rompimento do PTB nacional com o PT e lamenta que o mesmo não tenha acontecido no Rio Grande do Sul, em nível estadual. O deputado também se considera um político “acima de coligações”. “Como todo o político, represento uma sigla, mas trabalho pelo que acredito ser certo e por isso eu não apoio o PT”, garante.
Marcelo iniciou a carreira política influenciado pelos passos do pai. Em 2008 foi eleito vereador em Santa Cruz do Sul, porém, tão logo assumiu o mandato, Marcelo foi nomeado Secretário Municipal de Transportes. Dois anos depois, em 2010, concorreu a deputado estadual – ao lado de outros cinco pela mesma sigla, sendo, entre eles, o quarto mais votado – e renunciou, em 2011, para assumir o cargo na Assembleia Legislativa.
RJ – Quais as principais emendas que propuseste para a realização de projetos na região?
Marcelo – O auxílio que os deputados podem prestar à comunidade é apresentando emendas para o Orçamento Estadual, já que quem tem o recurso para realizar as obras é o Executivo. Eu sou o deputado que mais propõe emendas aos orçamentos. Todo o final de ano coloco emendas para obras no Viaduto Fritz e Frida, e novos trevos no Kaempf e Bom Jesus. Trabalhei muito forte para reconstrução da escola Mânica e consegui dez salas modulares, mas ainda falta muito e estamos trabalhando para ajudar mais. Há, também, diversas melhorias na RSC 287 e 471 através de emendas minhas. Além disso, assim como outros, sou um dos defensores da fumicultura, pois nossa economia depende dela. Obviamente não concordo com os ataques absurdos à produção, visto que 85% dela é exportado e apenas 15% fica no Brasil. Se o produtor de tabaco for proibido de plantar fumo ele será o menor prejudicado, porque ele vai criar um porco, vender uma galinha, vai ter menos renda, mas vai sobreviver. Agora, esse dinheiro deixando de girar no município vai causar desempregos nos mercados, nas lojas, as revendas de carros vão vender menos, enfim… Toda a sociedade será prejudicada e as empresas vão começar a fechar as portas. Também fui relator do projeto do deputado Carlos Gomes que trata sobre a tarifa única das praças de pedágio, a qual estabelecia que a partir da terceira passagem na mesma cancela no mesmo dia ele não pagaria mais. Outra mudança que eu coloquei na lei é sobre o controle disso. Antes, o condutor é quem tinha que apresentar o ticket comprovando que já havia pago, mas não tinha lógica. Se é tudo computadorizado, a própria praça tinha condições de averiguar isso. Foi outra mudança que eu consegui.
RJ – Fale sobre a tua luta para ampliação do Passe Livre Estudantil.
Marcelo – Foi uma grande mentira do governador Tarso Genro. Ele tentou mostrar um político que não existe num momento de pressão da comunidade, quando estavam acontecendo as manifestações públicas. Depois disso começaram as tentativas de uma série de golpes. Primeiro, a iniciativa seria voltada apenas aos aglomerados urbanos – região metropolitana e litoral. Junto com outros deputados, apresentamos emendas porque entendíamos que o projeto teria que atender todas as regiões do estado porque não há diferença entre os estudantes de um lugar e de outro. Outra dificuldade que encontrei foi quanto aos ônibus. No interior, como não há linhas à noite, esses veículos são fretados porque é o horário de maior concentração de estudantes. Graças a outra emenda, agora estes veículos já são contemplados. É uma pena que ainda não tenhamos conseguido aprovação na terceira emenda minha, que trata da integralidade da passagem aos estudantes da nossa região. Hoje eles recebem em torno de 15% de subsídio enquanto os passageiros da grande Porto Alegre recebem 100%. Isso é uma discriminação. Se o governo não tem dinheiro para todo mundo, então que tivesse diminuído o subsídio lá também e desse o mesmo percentual para todo mundo.
RJ – Como tu analisas a imagem do PTB em Santa Cruz do Sul hoje depois de tantas entradas e saídas de militantes este ano?
Marcelo – A conta que eu faço é a seguinte. Todos os candidatos do PTB em Santa Cruz, somados os votos, estariam com seis cadeiras na Câmara e quem as assume são os mais votados. Se hoje fôssemos contabilizar os votos dos três que saíram, daria uma cadeira e ainda ficaríamos com cinco. Então, o PTB continua com a mesma força e na próxima eleição muita coisa vai mudar, haverá muita renovação e lideranças estão por surgir. Por isso não vejo que o PTB tenha caído ou esteja desgastado, tanto que o partido que está na Prefeitura hoje tem menos vereadores que o PTB.
RJ – O rompimento do PTB nacional com o PT pode influenciar negativamente nas relações dentro da Assembleia Legislativa?
Marcelo – Para mim não muda muito por um simples motivo. Em nível estadual o PTB se vendeu para o PT e eu não me vendi. Não tenho indicação nenhuma do governo do estado. Lá (na AL) o PTB vota todo com o PT, o Tarso manda e eles obedecem. Já eu tenho uma dificuldade muito grande de acompanhar o governo do PT porque ele falou muito e fez pouco. Para começar, quando o Tarso era ministro ele disse que o Estado tinha condições de pagar o Piso do Magistério e enfrentou os governadores daqui. Quando ele assumiu, o que ele fez? Não pagou, descumpriu uma das principais promessas de campanha, uma lei assinada por ele próprio. O governo mentiu que ia terminar com os pedágios e, com a maior cara-de-pau, criou uma estatal (a EGR) para poder cobrar e que, na minha opinião, até agora ela não mostrou a que veio. Não foi o governo que terminou com as concessões, os contratos simplesmente terminaram. São alguns exemplos que me fazem ter esta conduta independente. Ninguém aguenta mais tanta roubalheira e tantos escândalos. Para mim é muito acertada esta saída do PTB do governo nacional e defendi, na convenção aqui no estado, que o partido não apoiasse o Tarso.
RJ – Por que o deputado Marcelo merece o voto da comunidade?
Marcelo – Como minha dobradinha é com meu pai, o Sérgio, temos uma mesma linha de pensamento. Acredito que a região precisa estar bem representada tanto na Assembleia Legislativa como na Câmara dos Deputados. Durante os quatros anos como deputado contribuí para o desenvolvimento de Santa Cruz e região em diversos setores, defendendo a comunidade local. Se eu não me eleger de novo, a cadeira não ficará vazia, outro ocupará meu lugar e este vai defender os interesses da sua região. Por isso a comunidade tem que ficar atenta e direcionar seu voto para quem tem condições de dar continuidade a um bom trabalho que vem sendo desenvolvido.
Everson Boeck
Deputado estadual Marcelo Moraes busca reeleição














