Diego Dettenborn – [email protected]
A Cooperativa Mista dos Fumicultores do Brasil Ltda (Cooperfumos) nos anos de 2012-2013 executou o projeto Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e beneficiou 15 municípios do Rio Grande do Sul.
Na quinta-feira, 22 de agosto, na sede da cooperativa, foi realizada a avaliação da ação. Cerca de 250 agricultores estiveram presentes no encontro que reuniu ainda representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Departamento de Estudos Sócio-Econômicos Rurais (Deser), Dirigentes e Técnicos da Cooperfumos e do Movimento dos Pequenos Agricultores.
Hur Ben Correia da Silva, coordenador de Extensão Rural da Secretaria de Agricultura Familiar, ressaltou o verdadeiro objetivo do projeto que contemplou 1.600 famílias de cidades como Estrela Velha, Passa Sete, Lagoa Bonita do Sul, Segredo, Ibarama, Sobradinho, Arroio do Tigre, Candelária, Vera Cruz, Sinimbu, Herveiras, Vale do Sol, Gramado Xavier, Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires.
Rolf Steinhaus

Hur Ben: “Não se trata de um programa de combate a produção do tabaco e sim um programa de produção de alternativas ao tabaco”
DIVERSIFICAÇÃO
“As pessoas, ao longo desses dois anos de projeto, adquiriram uma percepção da importância da diversificação, de usar menos agrotóxicos, até mesmo para evitar o envenenamento da família. Já ficou claro na avaliação de hoje todos esses elementos.”
A Cooperfumos, por iniciativa própria, realizou encontros em diversos municípios para fortalecer ainda mais o que se buscou durante o projeto. “Existe uma convenção mundial da saúde que trabalha arduamente em prol da redução do tabagismo e o Brasil tem reduzido drasticamente, logo os produtores de tabaco sentirão o impacto. Então não se trata de um programa de combate a produção do tabaco e sim um programa de produção de alternativas ao tabaco”, destaca o coordenador.
Hur Bem ainda conclui que “é um desafio muito grande, uma questão cultural. É como se tivéssemos uma banca de revistas e essa banca fechasse e tivéssemos que abrir um restaurante, é a mesma coisa, uma mudança e um processo lento”.
Foram realizadas visitas técnicas, cursos, reuniões, dias de campo, distribuição de “kit de diversificação” (com sementes crioulas de milho, feijão e hortaliças; mudas nativas/ frutíferas, pintos caipiras para melhoramento genético), como forma de estimular a diversificação e agregar renda nas propriedades, gerando melhores condições de vida para os pequenos agricultores e agricultoras.
Rolf Steinhaus

Cerca de 250 agricultores lotaram a sede da Cooperfumos
Dificuldades
O fumicultor Paulo Renato Xavier, morador da localidade de Linha Tangerinas interior de Venâncio Aires, ressaltou as dificuldades encontradas no cultivo do fumo e o que pode ser feito, segundo ele, após o projeto. “Vamos diminuir a plantação de fumo e continuar com o plantio da semente crioula, aí aumentamos a diversificação e não usamos tanto venen”, explica.
Segundo o fumicultor, a mão de obra esta se tornando muito cara. “Já para plantar a semente crioula o gasto com peão é praticamente zero. Está cada vez mais difícil trabalhar com fumo, o certo seria parar, mas é único ganho que a gente tem”, acrescenta Paulo Renato.
Rolf Steinhaus

Paulo Renato: “O certo seria parar, mas é único ganho que a gente tem”














