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Tensão e diversão no Natal em Buenos Aires

Cristiano Silva
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Arquivo pessoal / Viviane Moura

Viviane Moura foi sozinha para Buenos Aires passar o Natal

Viviane Moura. Jornalista recém formada na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Definitivamente um Natal normal passa muito longe do que esta moradora de Santa Cruz do Sul, nascida em Novo Cabrais, passou no ano passado. “Faz anos que não gosto das festas de final de ano, acho pura desculpa para o consumo capitalista e a falsidade moralista das pessoas, por isso sempre ‘fujo’ nesta época. Combinamos uma viagem internacional entre familiares, mas a sobrecarga de trabalho não permitiu que meus pais pudessem ir. Meus amigos, tampouco. Ninguém queria deixar a família na época do Natal, mas era a única data que eu tinha disponível e, perfeito, justo na época que julgo ‘chata’. Embarquei no dia 20 de dezembro para Buenos Aires, sozinha. Fiquei em um hostel e logo estava enturmada. Para o Natal havíamos pesquisado e sabíamos que boa parte do comércio estaria fechado nos dias 24 e 25 de dezembro, e que os poucos pontos abertos seriam extremamente caros, por isso compramos lanches e alimentos para a ceia, no dia 23. O cardápio, para agradar o paladar de todos – duas meninas do Paraná, duas do Espírito Santo, uma russa e eu – foi massa com salsicha. Para beber, Coca Cola. Simples, mas super prático” revela Viviane, que teve qualquer plano de sair naquele noite cancelados com o temporal que inundou as ruas do bairro San Telmo em Buenos Aires.

Arquivo pessoal / Viviane Moura

Parque El Rosedal foi palco de um pedalinho de Viviane com as amigas,
no dia 25 de dezembro do ano passado

SUSTO E DIVERTIMENTO

“A temperatura elevada do dia provocou a chuva da noite. Nos acomodamos na sala do refeitório do hostel para saborear a ceia e assistir o filme ‘Esqueceram de Mim’ em espanhol, com outras pessoas do hostel. Mortas de cansada, a noite não durou muito. No dia de Natal acordamos cedo, o destino eram os bosques de Palermo, o meu canto preferido da cidade. Passamos por alguns bairros perigosos da cidade e as ruas estavam tomadas por moradores de ruas, pessoas mal encaradas de olho na minha mochila que continha câmera, dinheiro e comida. Pra meu total espanto, no nada um jovenzinho de, creio, 10 anos, nos abordou, tomou a garrafinha de água das mãos da minha amiga russa e tomou em poucos goles. Secou. Nos olhou e tentou pegar o restante das sacolas. Tremi. Suei frio. Entramos no trem e eu mal respirava. Daí em diante o dia passou a ser um sonho, o almoço simples foi próximo ao Planetário, com bolachas e torradinhas no estilo piquenique. Um pato tentou roubar a comida. Andamos por quase todos os principias parques de Palermo e encerramos com o Rosedal – o que eu mais gosto – andando de pedalinho pela lagoa meiga que tinha no meio do parque. Foi só diversão. O calor insuportável foi tomado pela adrenalina e pelas paisagens mais lindas que eu poderia ver em um dia de Natal. Não lembro bem o que fizemos naquela noitemas meu corpo todo doía.Nunca imaginava ter um dia como aquele. Foi cena de filme. Aliás, bem melhor que filme, pois foi totalmente real”.

Arquivo pessoal / Viviane Moura

Dia de Natal contou com passeio no bairro de Palermo em Buenos Aires