Tatiana Erhardt *
Transformar cidades, sobretudo as de grande porte, exige a colaboração de todos. Estamos falando, entre tantos outros, do poder público, arquitetos, engenheiros civis e de tráfego, urbanistas e ecologistas. Para a transformação ser possível, esses profissionais, de modo multidisciplinar, devem ter uma visão de futuro lastreada no caminho da sustentabilidade.
Nossas cidades cresceram de forma desordenada e muitos edifícios foram construídos sem que elas, como um todo, e a qualidade de vida de seus habitantes fossem levados em consideração. Essas práticas geraram um grande desequilíbrio urbano, causando prejuízos financeiros, ambientais e, inclusive, estéticos.
A partir dessas reflexões, concluímos que a transformação de uma metrópole possa se iniciar pelos edifícios, partindo do espaço micro para se alcançar uma mudança macro. Se cada prédio passasse a utilizar materiais ecoeficientes, fosse mais arborizado e contasse com áreas de lazer maiores, a cidade seria outra e haveria um grande salto de qualidade no dia a dia da população.
Dentre diversas razões para isso, destaca-se que o uso de materiais sustentáveis permite a redução considerável do consumo de água e energia. A ampliação de áreas verdes melhora o grave problema de drenagem da água da chuva. Além disso, o aumento das áreas de lazer e a utilização dos últimos pavimentos trazem maior socialização e aproveitamento de espaços ociosos dos edifícios. Vale ressaltar, ainda, que a implantação de boa parte dessas medidas traz efetivo benefício econômico, tanto aos moradores quanto para o poder público. Tratam-se, portanto, de medidas inteligentes e necessárias.
Essas considerações estão no coração de um ciclo de debates, promovido pela Basf (empresa líder mundial na área química) e a Câmara Municipal de São Paulo. As duas instituições darão início a uma série de discussões com arquitetos, engenheiros, urbanistas, paisagistas, incorporadoras, entidades de classe, poder público e demais pessoas ligadas ao tema.
Os encontros servirão para avaliar alternativas viáveis e criativas para transformar os edifícios das nossas cidades em ambientes mais econômicos, arborizados e com maiores áreas de lazer. Tudo isso a partir da utilização de materiais e técnicas que visem preservar o meio ambiente. O ciclo de debates é composto por dez palestras temáticas, que serão base para a elaboração de um relatório final, que incluirá sugestões práticas voltadas ao desenvolvimento de cidades mais equilibradas, eficientes e econômicas. E que sejam, também, mais bonitas!
* Advogada e curadora do ciclo de debates Edifícios Sustentáveis. Contato: [email protected]














