Everson Boeck
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Com a aproximação do Natal, é comum andar pelas ruas e lojas e encontrar a figura mais carismática desta época do ano: o Papai Noel distribuindo balas e posando para fotos com a criançada e com os adultos também. Para quem encara esse papel, além da satisfação pessoal em levar alegria para muitas famílias e deixar mais felizes as comemorações natalinas, esta é uma ótima oportunidade de conseguir um reforço na renda familiar.
Há oito anos Gilney Luís de Oliveira se divide, nos meses de novembro e dezembro, entre seu trabalho fixo (auxiliar de produção em uma fumageira em Santa Cruz do Sul) e a atividade de Papai Noel. Ele conta que a ideia de se transformar no Bom Velhinho surgiu quando ele fazia parte do Conselho de Pais e Mestres (CPM) da escola em que sua filha, Anna Júlia, hoje com 10 anos, estudava. “Procurei o Ildeu, que hoje é o Papai Noel mais antigo da cidade, e ele não tinha mais horário para animar a festa das crianças da creche. Como ele era meu amigo, me sugeriu a fazer uma roupa e me incentivou a interpretar o papel e acabei gostando. Deu tão certo que comecei a animar festas particulares também”, conta.
Oliveira relata que, em 2007, ficou sabendo de uma vaga para atuar como Papai Noel no Shopping Santa Cruz e, desde então, diverte os clientes na época de Natal. Além do Shopping Santa Cruz, Gilnei anima as festas de outras empresas e residências particulares. Segundo ele, além do carinho dos baixinhos e de muitos altinhos, a recompensa financeira também é um atrativo para a função. “Minha agenda começa no início de novembro e encerra após o Natal, atendendo o Shopping Santa Cruz, uma parceria fixa, e festas particulares. Algumas empresas são fixas também. Só na véspera, atendo de 15 a 20 casas/famílias e umas quatro no dia 25 pela manhã. Dá pra tirar um extra bem bom”, revela. O valor mínimo para animar festas é R$ 80.
Gilney, hoje com 40 anos, afirma que a maior gratificação da atividade é receber o carinho das crianças. “Não tem preço uma criança que nem te conhece, abraçar bem apertado e dizer ‘Como tu é fofinho, Papai Noel!’. É uma felicidade imensa poder transmitir essa sensação de carinho para as crianças e ser retribuído. O momento mais marcante até hoje foi uma vez que participei de uma comemoração na Faculdade Dom Alberto. Na oportunidade entrei carregado pelas crianças com síndrome de down. Foi emocionante para todos. Foi impossível eu não chorar”, considera.
Há três anos Gilnei inovou e possui uma auxiliar. A jovem Camila Gottems, vestida com motivos natalinos, ajuda distribuindo doces e conversando com as crianças que têm receio de se aproximar do Papai Noel. “Facilitou muito porque muitas crianças, principalmente as pequenas que nunca viram pessoalmente o Bom Velhinho, têm medo, e ela, uma figura feminina, é mais fácil para conquistar a confiança delas”, sublinha.
Rolf Steinhaus
Gilnei faz a alegria dos baixinhos no Shopping Santa Cruz














