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Um dia, dois empregos

Viviane Scherer Fetzer
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TŽcnica de enfermagem e auxiliar administrativa, Gabriela Evaristo Steffens, n‹o quer sair dessa rotina

Por estar na área de atuação. Por uma renda extra. Pelo costume de não ficar parada. Esses são alguns motivos apontados por quem trabalha em mais de um lugar durante o dia. Muitos brasileiros chegam a ter três empregos para conseguir pagar as contas no final do mês. Sem contar que quando chegam em casa ainda tem toda a limpeza e arrumação, a organização das coisas dos filhos, a programação do dia seguinte. Sair de manhã cedo e voltar só a noite faz parte do cotidiano dessas duas mulheres que você vai conhecer agora. 

Gabriela Evaristo Steffens, técnica de enfermagem no Hospital Ana Nery a meio ano. Gildete dos Santos, técnica de enfermagem, trabalha a quatro anos no Hospital Santa Cruz. Têm em comum a dupla jornada. Ou poderíamos dizer tripla, já que ainda precisam fazer tudo em suas casas depois de passar o dia fora dela. A segunda opção de trabalho para Gabriela foi continuar na clínica onde trabalhava há nove anos quando foi chamada no Hospital. Já Gildete tem as tardes livres e trabalha em uma clínica de oncologia quando há muitos procedimentos para serem feitos.

Como auxiliar administrativa da clínica de exames odontológicos, Gabriela, faz toda a parte administrativa pela manhã e entre o fim de um e o início do outro emprego ainda tem um tempo para fazer alguma coisa no centro e só então ir para o Hospital. “Gosto dessa rotina e não consigo pensar em ficar no mínimo meio turno em casa, sei que não conseguiria”, conta Gabriela. Gildete exerce a função de técnica de enfermagem nos dois empregos e tem as noites de folga para cuidar da casa e de seu filho de cinco anos. “eu amo tudo o que faço é a profissão que escolhi”, declara Gildete.

TŽcnica de enfermagem nos dois trabalhos, Gildete dos Santos, ama o que faz

No início Gabriela conta que teve dificuldade em se acostumar a rotina, “na clínica eu passava a maior parte do tempo sentada e no hospital, não, passo o tempo inteiro em movimento, acabava cansada fisicamente”, mas depois de um mês já tinha se habituado com as tarefas.  A única coisa que salienta é que sai de manhã de casa e só volta a noite, no trabalho da manhã, que é a clínica odontológica, fica das 7h30 às 11h30 e no da tarde, no Hospital Ana Nery, inicia as 14h45 e sai as 21h, horário em que vai para casa. “Claro que tem um lado ruim, o de não poder sair com os amigos, fazer algo diferente, mas são coisas que a gente se acostuma e passa a nem perceber”, explica Gabriela. 

Gildete deixa bem claro que ama o que faz e não largaria por nada. Na clínica de oncologia ela realiza as atribuições de uma técnica de enfermagem e no Hospital Santa Cruz também. “Como trabalho seis horas no Hospital consigo trabalhar em outro lugar também, o que é bom para mim por estar na minha área e pela ajuda na parte financeira do final do mês”, explica Gildete. Em algumas tardes, quando não vai para a clínica, ela acaba cuidando de pacientes em suas casas. Se tivesse que parar por algum motivo ela garante não saber se conseguiria, pois está sempre disposta e não cansa do que faz. “Quem é a mulher que não gosta de comprar um sapato novo no final do mês ou trocar algum móvel da casa? Meus dois trabalhos me permitem isso”, conta Gildete. 

A técnica do Hospital Santa Cruz tem um filho de cinco anos e quando chega em casa precisa dar atenção a ele, ler histórias e cuidar do pequeno. “Esse é meu papel e fico tão feliz por conseguir administrar tudo isso e poder passar um tempo com ele”, empolga-se Gildete. No Hospital Ana Nery é um pouco diferente, a técnica de enfermagem não tem filhos ainda e as vezes para e pensa que quando tiver talvez tenha que diminuir um pouco a “correria”. “Gosto de estar envolvida porque é muito bom estar em tarefas sendo útil para as pessoas”, expõe Gabriela. Gildete que já está há quatro anos trabalhando no Hospital Santa Cruz reforça que o trabalhador que escolhe ter um, dois, três trabalhos precisa deixar o bom humor permanecer em todos.