
A caracterização simbólica do 1º de maio enquanto Dia do Trabalhador insere-se num contexto mais amplo de mobilizações trabalhistas protagonizadas no último quartel do século XIX. Destaca-se neste sentido, o ano de 1886, onde na cidade de Chicago ocorreu uma importante manifestação popular com a presença de milhares de trabalhadores, além de uma ampla greve geral organizada em boa parte do território estadunidense. Estes trabalhadores sofreram uma forte repressão policial por reivindicarem melhores condições de trabalho. A partir destas mobilizações houveram inúmeros operários mortos e presos que, desde então, tornaram-se símbolos globais de resistência e luta.
No Brasil, a data foi cultuada nas duas primeiras décadas do século XX, no entanto, foi em 1925 que o 1º de maio passou a ser feriado nacional. Segundo uma das importantes especialistas no assunto, a historiadora Ângela de Castro Gomes, durante a chamada Primeira República, “o 1º de maio seria um momento de reivindicar e de demonstrar a força dos trabalhadores organizados em algumas cidades do país”. Conforme a pesquisadora, “as lideranças do movimento operário realizavam comícios, organizavam greves, enfrentando o patronato e a polícia. As principais reivindicações eram a jornada de oito horas de trabalho (quando se trabalhava de 10 a 12 horas por dia), a abolição do trabalho infantil (crianças de seis anos eram operários) e a proteção ao trabalho da mulher, entre as mais importantes”.
Em diversos contextos e ao longo do século passado, as lutas trabalhistas e sindicais não foram em vão. Os trabalhadores de todo o mundo conquistaram uma série de direitos e, em alguns países, tais direitos ganharam códigos de trabalho e também estão sancionados por constituições democráticas. Mas os direitos do trabalho, como quaisquer outros direitos, podem avançar ou retroceder com o passar do tempo e com as pressões de grupos sociais organizados. Sob diversos pontos, nos últimos anos,os trabalhadores brasileiros presenciaram um período de “flexibilização” de seus direitos historicamente conquistados. Não por acaso, a ascensão de governos neoliberais tem promovido a criminalização sindical, a precarização do trabalho, a retirada de direitos, de modo que seus desdobramentos são perceptíveis no crescimento do desemprego, do mercado informal, da vulnerabilidade social e, sobretudo, da violência.
A reforma trabalhista no governo anterior e a atual reforma da previdência recolocaram na ordem do dia o desafio da rearticulação social. A mobilização contemporânea exige um olhar crítico sobre a perspectiva neoliberal enquanto tendência de hegemonia global, bem como de fragilização das democracias e das estruturas governamentais. Por isso mesmo, o 1º de maio constitui uma boa oportunidade para saudarmos a memória daqueles que através da luta nos legaram melhores condições de vida e trabalho. Defender direitos historicamente conquistados, no Brasil de hoje, trata-se de um compromisso ético que tem como horizonte garantir às futuras gerações de trabalhadores brasileiros uma oportunidade de vida digna.

*Mateus Silva Skolaude
Pós-doutorando em Educação no Programa de Pós-Graduação – Mestrado e Doutorado em Educação da Unisc e Doutor em História pela PUC-RS














