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Universidade e comunidade: uma parceria que deu certo

O Ensino Superior no município de Santa Cruz do Sul iniciou na década de 1960. Antes de ser universidade, a Unisc existia como Faculdades Isoladas e depois, no início da década de 1980, como Faculdades Integradas de Santa Cruz do Sul. Sua longa história, alicerçada na qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão comunitária, fez com que, com o apoio de outras comunidades, obtivesse, em 1993, o reconhecimento como universidade. Hoje, a Unisc também está em Capão da Canoa, Montenegro, Sobradinho e Venâncio Aires.
Uma pesquisa realizada pelo NUPES/PROPLAN/Departamento de Ciências Econômicas, em 2013, revela dados importantes sobre o crescimento do município de Santa Cruz depois da instalação da Universidade. O estudo mostra o impacto social e econômico que a Unisc tem causado em Santa Cruz do Sul. Analisando o número total de pessoas com nível superior completo e incompleto entre os anos de 1992 – quando a Fisc passou à condição de universidade – em comparação a 2011, claramente se observa que o número mais que dobrou durante o período. Em 1992, o número de pessoas com nível superior incompleto era de 1.182, e o de superior completo era de 1.637. Quase duas décadas depois, em 2011, esses números passaram para 3.791 e 4.758, respectivamente. Esse é um dado que aponta para um impacto social e econômico positivo para o município de Santa Cruz do Sul, proporcionado pela Universidade.

Fatores para o crescimento

Dentre as razões que podem ter contribuído para o salto no número de pessoas com nível superior em Santa Cruz do Sul nos últimos 20 anos, a pesquisa apresenta fatores internos e externos à Instituição. Um deles refere-se à transição pela qual a educação superior passou nos anos de 1992 e 1993, passando de Faculdades Integradas para Universidade, com o consequente aumento na oferta de cursos ao longo dos anos que se seguiram ao reconhecimento, abrangendo, dessa forma, um público cada vez maior.
Outro fator que interferiu para esse resultado foi, sem dúvida, a demanda do mercado de trabalho, que passou a exigir trabalhadores com nível superior em praticamente todas as profissões. Além disso, nesse mesmo ritmo, houve maior incentivo à educação por parte do poder público, que passou a garantir maior acesso ao ensino superior à população, através de bolsas de estudo ou de financiamentos.

Impactos econômicos

De acordo com a pesquisa referente ao nível de educação superior, completo e incompleto, das pessoas que residem em Santa Cruz do Sul, é possível ver que, dentre os indivíduos com ensino superior incompleto, os setores que obtiveram maior aumento, de 1992 para 2011, foram o comércio (de 13% para 23%) e o serviços (de 25% para 34%). Já os setores que obtiveram maior redução no número desses indivíduos com curso superior incompleto, foram os de indústrias diversas (de 27% para 15%) e os de instituições financeiras (de 14% para 5%). Já entre os indivíduos com ensino superior completo, o setor de indústrias diversas sofreu redução de 7%, de 1992 para 2011. Os demais setores também apresentaram variações positivas ou negativas, todas em torno de 5%.

Everson Boeck

De dentro do campus-sede é possível observar o mercado imobiliário em
expansão pelas construções nas proximidades

Aquecimento constante da economia

Desde que o campus universitário começou a tomar forma, no início da década de 1980, a paisagem daquela redondeza e da cidade também começou se transformar. Aumento de construção de imóveis, instalação de pequenas e médias empresas, mudanças no trânsito, são alguns exemplos. O município de Santa Cruz do Sul é visto hoje como um polo regional graças, também, ao porte da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc).
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, César Antônio Cechinato, afirma que mesmo não havendo meios de quantificar tal importância não há dúvidas quando aos reflexos da atuação da Unisc nos mais diversos setores da cidade. A expansão da instituição, conforme o secretário, resultou em importantes reflexos no setor imobiliário, na prestação de serviços, indústria e comércio. “Existe um volume muito grande de alunos e professores que durante seus estudos ou após concluí-los passaram a residir em Santa Cruz do Sul. Além disso, há aqueles que mesmo residindo em outros municípios têm seu trânsito normal de ir e vir e, mesmo assim, estão contribuindo para este aquecimento da economia. Todos estes, residentes ou não na cidade, passam a usar transporte, frequentam empresas de alimentação, farmácia, táxis, fazem compras, frequentam eventos culturais, enfim, movimentam toda a sociedade”, salienta.
Na questão de mobilidade urbana, o secretário destaca que a Unisc é um dos principais vetores que representa o crescimento do município. “A cidade se movimenta praticamente entre dois eixos principais, a Unisc, ao norte, e o Distrito Industrial, ao sul. São os dois grandes vetores de desenvolvimento de Santa Cruz do Sul”, aponta.
O secretário analisa os impactos diretos e indiretos que a universidade tem no município. “Temos um grande contingente de pessoas – professores, alunos e funcionários – recebendo salários e isso gera um impacto direto muito importante na economia. E temos os reflexos indiretos, como a locação de imóveis e consumo no comércio local, por exemplo”, analisa. Para ele, a Unisc deu à Santa Cruz do Sul um “perfil universitário” e isso atrai forças que impulsionam a economia. “Podemos citar, também, pessoas que voltaram a residir na cidade porque voltar a trabalhar na universidade ou em algum órgão ligado a ela. As empresas de transporte intermunicipal modificaram o percurso de suas linhas e em alguns horários os ônibus vêm de outros municípios passam pela universidade. Há os serviços que a instituição indiretamente gera: as linhas de vans e ônibus de outros municípios com linhas específicas para transportar os estudantes e professores até aqui. Além disso, há os serviços terceirizados no próprio campus, como empresas no ramo alimentício e serviços de xerox”, considera.

Futuro

A área tecnológica, segundo o secretário, terá um grande avanço com a implantação do Parque Tecnológico nos próximos anos. “Acredito que a TecnoUnisc poderá ter na economia santa-cruzense um impacto maior do que a TecnoPuc tem Porto Alegre ou TecnoSinos para o Vale do Rio dos Sinos”, compara. Esta análise, conforme Cechinato, baseia-se no porte da cidade em relação ao Parque Tecnológico e pelo que ele poderá agregar além de desenvolvimento de tecnologia. “Diretamente este novo cenário vai induzir à criação de novas empresas para esta nova economia, isto é, à economia da tecnologia, assim como existe, por exemplo, a economia do tabaco e toda uma cadeia ligada a ela”, sinaliza.
Cechinato também pontua os avanços no setor da indústria. “A Unisc possui em seu programa de mestrados projetos que alinham com o setor da indústria. Já temos excelentes resultados em processos, sistemas gerenciais e novas tecnologias que já trouxeram ótimos efeitos e em pouco tempo darão um gás para este segmento também”.

Rolf Steinhaus

Setor do transporte também é diretamente impactado pela universidade
em toda a região

Expediente
Textos: Everson Boeck
Material Histórico: do libro “Unisc: a construção de uma universidade comunitária” de Maria Kipper, Elizabeth Rizzto e Olgário Vogt
Edição: Alyne Motta
Diagramação: Richard Maas