Nelson Treglia
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O esporte, e seu lado social, em pauta. Foi esta a temática do Workshop de Esportes, realizado nos dias 27 e 28 de setembro, na sede da Câmara de Vereadores, em uma promoção do ‘Riovale Jornal’.
As atividades foram abertas na noite de quinta-feira, 27, e o pronunciamento inicial foi do presidente da Câmara de Vereadores, Bruno Faller. Em primeiro lugar, ele agradeceu a presença e a apresentação da banda do 7º Batalhão de Infantaria Blindado (7º BIB), que abrilhantou o início do evento. Faller ressaltou que o modelo que temos para o combate à insegurança não resolve o problema. Por isso, segundo ele, é preciso apostar no tripé Educação, Cultura e Esporte. “Não há como ser usuário de droga sendo praticante de atividade física”, explica Faller.
Na sequência, o diretor do ‘Riovale Jornal’, André Felipe Dreher, destacou que o Workshop de Esportes comemora os 42 anos do jornal e os 140 anos de emancipação de Santa Cruz do Sul, ambos celebrados em setembro. Dreher lembrou que o esporte “é o método mais eficaz de inclusão social, para a formação de cidadãos”. O diretor do ‘Riovale’ disse que o Workshop é uma oportunidade para discutir e valorizar o que é feito em termos de esporte em Santa Cruz.
HENRIQUE HERMANY

As palestras do evento foram apresentadas pelo jornalista Julio Mello. O primeiro palestrante foi o secretário municipal de Esportes, Henrique Hermany. O secretário frisou que o esporte é prioridade para o prefeito Telmo Kirst e a vice-prefeita Helena Hermany. Hermany assegurou que a atividade esportiva é um intrumento de formação. Ele apresentou os diversos projetos da Prefeitura nesta área, como o ‘Craques da Bola, Cidadãos do Amanhã’, que envolve mais de 1.500 crianças e adolescentes; o Campeonato Dente de Leite, que conta com a participação das escolinhas de futebol; o apoio às categorias de base do Futebol Clube Santa Cruz, Avenida, Flamengo, União Corinthians e Genoma; o apoio às ligas de futebol amador, com custeio de arbitragem; a volta do Campeonato Municipal de Futebol e a criação do Municipal Feminino; Jogos de Inclusão; Maturidade Esportiva e o Projeto Reativar.
Em relação ao trabalho feito com os mais jovens, Hermany deixou sua ideia bem clara: “Nosso objetivo não é só formar o craque, mas também o cidadão”. Entre outros projetos, o secretário falou sobre o Centro de Iniciação do Esporte, que está em estágio avançado de construção, no Bairro Faxinal Menino Deus.
IRINEU HENN

Um dos responsáveis pelo sucesso da Assoeva de Venâncio Aires, o dirigente Irineu Henn destacou o início da entidade nos anos 80, representando os clubes de futebol do interior de Venâncio. Em 2004, a Assoeva iniciou sua trajetória atual no futsal. A parceria com a Unisc foi o “grande começo”, segundo Henn. Ele conta que a Assoeva se espelhou no modelo da Assaf, de Santa Cruz, e chegou à final do Estadual em 2009. “Em 2010, nos encorajamos a disputar a Liga Nacional”, recorda. O time de Venâncio já disputou cinco finais de Estadual, com um título em 2017, foi vice-campeão nacional e campeão gaúcho sub-20 no mesmo ano. Segundo Henn, cerca de 140 crianças de seis a 13 anos participam das escolinhas da Assoeva. “Estamos formando cidadãos”, assegura.
CLÉBER PEREIRA

Presidente e técnico da Assaf, Cléber Pereira disse que o clube “deu um passo muito importante em 2017”, construindo o Projeto Pés no Chão, com uma aposta nas categorias de base. Ele lembrou das dificuldades financeiras de se fazer esporte: “Pelo lado financeiro, muitas vezes desistiríamos no meio do caminho”. Mas Pereira entende que é preciso acreditar, pois a Assaf atualmente busca atletas nos bairros de Santa Cruz, e o objetivo é “colocá-los no cenário”. A ideia é evitar que os jovens caiam no tráfico e na criminalidade.
Pereira lembra dos primórdios da Assaf, na década passada, quando ele era jogador. “Na época, quando surgiu, a Assaf nasceu de um grupo de amigos”, recorda. O clube conseguiu sair da Série Bronze e chegar à Ouro no Estadual de Futsal. Conforme Pereira, foi uma “explosão” do futsal em Santa Cruz, atraindo público e patrocinadores. Em sua fase mais recente (2017, 2018), a Assaf apostou na base, e alguns atletas têm recebido propostas para jogar em outros times, dando continuidade às suas carreiras.
EVERSON BELLO

O coordenador de Comunicação e Marketing da Unisc, Everson Carvalho de Bello, elogiou o trabalho do presidente do Avenida, Jair Eich, e do dirigente da Assoeva, Irineu Henn (Jair também esteve presente no Workshop). Em sua palestra, Bello traçou um perfil da sociedade atual, onde a visibilidade já não é o mais importante, pois isso já possui uma saturação nas redes sociais. Bello, que trabalha há 15 anos da Unisc, afirmou que o cérebro das pessoas “está cheio” e o coração “está vazio”. O “ser ou não ser” ficou no passado, e agora a intenção das pessoas é “parecer ou aparecer”. Para um projeto esportivo dar certo, Bello acredita que é necessário uma filosofia agregada a valores e princípios, somada à entrega. “Ninguém faz isso para ganhar dinheiro”, explica, referindo-se à abnegação de quem trabalha no esporte. Ele acredita que o sucesso depende do tripé ‘Comunicar + criar + entregar’.
GUILHERME EICH

O diretor de futebol do Avenida, Guilherme Eich, realçou o trabalho de seu pai, Jair Eich, à frente do clube. Guilherme relembrou a trajetória do Avenida desde que Jair entrou no alviverde, com um grande sucesso na Divisão de Acesso. Em 2018, o clube chegou ao quarto lugar na Primeira Divisão do Campeonato Gaúcho. Guilherme participa da direção do alviverde desde 2012. Em tempos mais recentes, o dirigente diz que o Avenida repensou a forma de conduzir seu trabalho. Guilherme ressalta que, no futebol, “o importante é ter convicção”, pois as visões sobre o futebol são variadas.
“A gente quer muito mais”, diz o diretor de futebol. O clube está garantido na Série D do Campeonato Brasileiro em 2019 e poderá disputar a Copa do Brasil, financeiramente mais valorizada que o Brasileirão. Guilherme acredita que o Avenida contribui com a sociedade, pois dá oportunidade aos mais jovens no esporte e traz lazer para a comunidade. Sobre uma fusão com o Santa Cruz, ele frisa: “O Avenida está escrevendo uma nova história”.
SÉRGIO BÖHM

Sergio Böhm, presidente da Federação Gaúcha Desportiva de Eisstocksport (FGDE), lembrou que este esporte surgiu nos lagos gelados da Europa. Em 1950, surgiu a Federação Internacional, e atualmente a modalidade é praticada em mais de 40 países. Em 2003, Renê Emmel viajou à Europa e conheceu o eisstocksport, trazendo-o para Santa Cruz. O esporte, disputado em pistas de gelo, foi adaptado no Brasil em pistas de asfalto e concreto.
O esporte está em vias de se tornar uma modalidade olímpica, a ser incluída nos Jogos Olímpicos de Inverno. “A Federação Internacional tem trabalhado para que isso aconteça”, revela Böhm. De acordo com o dirigente, os atletas brasileiros estão se destacando em nível mundial. E o Brasil tem se caracterizado pelo pioneirismo: foi o primeiro país a realizar um campeonato de famílias, com 11 equipes. Os jovens atletas Laura Pretzel e Igor Simianer também se pronunciaram no Workshop, falaram do seu orgulho em jogar eisstocksport e do sucesso em nível internacional.
ATHOS CALDERARO

“Santa Cruz é uma cidade esportiva. Nós temos muita qualidade”, afirmou o técnico de basquete do União Corinthians, Athos Calderaro. Ele parabenizou o Avenida e a Assaf pelas atividades realizadas. Em relação à Assaf, Calderaro realçou: “Sei o quanto é difícil fazer esporte de alto rendimento com poucos recursos”. O técnico recordou seu início como jogador de basquete, aos 13 anos, e que o basquete de Santa Cruz até hoje é lembrado pelo título nacional da Pitt/Corinthians em 1994. Há dez anos, Calderaro trabalha nas categorias de base do Corinthians, atualmente União Corinthians. Em 2018, o clube obteve o vice-campeonato nacional na categoria sub-21.
O União Corinthians, atualmente, joga a Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB), na categoria sub-20. Nesta competição, “estamos revivendo a época do basquete profissional”, explica Calderaro. Em relação ao esporte em geral, o técnico criticou que, na campanha eleitoral, pouco se fala em políticas esportivas e que “a Educação Física nas escolas está sucateada”. “O esporte é utilidade pública emergencial”, define o técnico.














