Início Geral 1º lugar conquistado com carro novo

1º lugar conquistado com carro novo

Viviane Scherer Fetzer
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Carro participou de sua primeira competição

 

Com 16 alunos, um carro novo e muita vontade de vencer, a equipe do projeto Baja de Galpão, dos cursos de engenharia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) trouxe mais um título para a cidade. Desta vez, foi o 1º lugar geral na etapa regional da competição Baja SAE Brasil, um desafio lançado aos estudantes de Engenharia que se envolvem com um caso real de desenvolvimento de um veículo off road, desde sua concepção, projeto detalhado, construção e testes. O título veio no último final de semana, quando os alunos participaram desde quinta-feira, 17, até domingo, 20, de provas de segurança e motor, projetos e também de provas dinâmicas na Universidade de Passo Fundo (UPF), em Passo Fundo, que qualificaram a equipe como a melhor da região sul. Os alunos vieram com os troféus de 1º lugar geral, 1º lugar em projeto e 1º lugar em dinâmicas, faltou apenas o troféu de enduro. 
O professor de Engenharia e coordenador do Projeto Baja de Galpão, Fernando Sansone de Carvalho, explicou que a etapa regional acontece no segundo semestre e não é classificatória para a nacional que acontece no primeiro semestre. A Nacional de 2017 vai ocorrer entre os dias 9 e 12 de março, na Fatec, em São José dos Campos. Os três primeiros classificados da etapa nacional carimbam o passaporte para ir aos Estados Unidos na competição mundial. “É isso que buscamos agora, subindo degrau por degrau, mas o nosso objetivo é chegar ao mundial”, salientou Carvalho. Essa é a 14ª edição da competição e somente em três edições que gaúchos foram campeões, a primeira vez em 2004 com a equipe da UPF, depois em 2008 com a equipe da Universidade Federal de Santa Cruz do Sul (UFSM) e esse ano a equipe santa-cruzense. As outras duas equipes têm mais de dez anos de existência e Santa Cruz, em sua 7ª competição já conquistou o regional. 

Carro projetado neste semestre garantiu o título

A surpresa da equipe neste ano foi o resultado com o carro. “Tivemos em torno de 10 horas de teste com esse carro, era uma caixa de surpresas para nós e mesmo assim conseguimos garantir esse belo resultado”, comentou o capitão da equipe e estudante do 6º semestre de Engenharia Mecânica, Vinicius Dreher Barbon. Segundo ele o tempo dedicado ao projeto do carro foi essencial, mesmo que o tempo de fabricação tenha sido mais curto, em cerca de um mês. O coordenador Fernando disse que o carro e a equipe merecem elogios. “Conseguimos fazer um carro novo em um tempo bem apertado, enfrentamos alguns percalços como o acidente de um dos projetistas da equipe que deu perda total no carro e, que mesmo assim, ainda conseguiu voltar a tempo de participar da competição”, comentou Carvalho. O professor também falou do carro com que participaram da etapa nacional porque ele estava em sua melhor fase, mas precisou ser desativado. A equipe merece os parabéns segundo Carvalho, por ter criado um carro e já na sua estreia conquistar a primeira colocação. “Vamos melhorá-lo e isso nos dá o direito a sonhar de no primeiro semestre de 2017 pleitear uma vaga e disputar o mundial nos Estados Unidos, a chance é real e está muito próxima de nós, além de ser algo inédito para equipes do Sul”, reforça o coordenador do projeto. 
Desde 2010 participando de competições a grande aposta da equipe é na gestão. A péssima colocação, segundo o coordenador, na primeira competição se deu pela falta de gestão. “A partir de 2010 viemos em uma crescente que não é demonstrado com números, mas isso fez com que a gente chegasse ao ápice da competição regional e possa querer conquistar o nacional para chegar no mundial”, afirma Carvalho. Para que a equipe cresça, um programa foi desenvolvido para registrar tudo o que acontece com o carro, com a equipe, durante as competições, o que melhorar, o que pode ser mantido, como apresentar os projetos, entre outros. “Essa nossa organização possibilita que quando os alunos se formam ou saem do projeto, os novatos e os que ficaram tenham acesso às informações e não precisem descobrir o que já foi feito”, comenta o capitão da equipe Vinicius Dreher Barbon. O coordenador garantiu que a equipe deste ano estava mais madura. Maiquel Weise, aluno do 6º semestre de Engenharia Mecânica e mecânico de pista na competição, falou que gestão é o carro forte do projeto. “O bom resultado de um carro que vem crescendo é principalmente pela gestão e este ano tivemos isso bem claro, principalmente o crescimento e amadurecimento da equipe”, destacou Maiquel.
Vinícius comentou que este ano não se preocupou muito com a questão de organização do box, “quem passasse pelo nosso box pode pensar que ficaríamos em último, mas é que nos preocupamos mais com o carro e sua fabricação”, explica. Segundo ele, deu para perceber que os novatos acabaram ficando um pouco perdidos porque estavam em sua primeira competição, mas que os mais velhos que já sabiam como funcionava ajudaram bastante. “Quanto mais inexperientes seus funcionários, mais procedimentos e padrões você precisa, quanto mais conhecimento existe, menos burocracia precisa”, é assim que o coordenador do projeto Fernando Sansone de Carvalho explica essa situação. 
A equipe agradece o apoio dos patrocinadores Unisc, SAE Brasil, Imply, Viemar Indústria Automotiva, Metta Galvano Tratamento de Metais, Favorit Aços Especiais, GKN, Precimaq, Microlight Informática, Plurimetal Tubos Customizados, DCE Unisc, Cemin, SKA, Braslux, Fast, Parabrisas Mil, Petrobras.

O mecânico de pista

Maiquel Weise, 6º semestre de Engenharia Mecânica, entrou para o projeto no mesmo semestre em que entrou no curso, 2014/1. Desde lá ele participa quando pode das atividades do projeto. Para essa competição ele foi escolhido para entrar na pista resolver os problemas do carro, o chamado mecânico de pista. A pressão, segundo ele, é bem grande. “Vem muita coisa a cabeça na hora, às vezes cometemos pequenos erros por conta do nervosismo, o que ajuda mesmo é o apoio da equipe”, conta Maiquel. 
O mecânico de pista torce desde o início da prova para que não precise entrar na pista. Caso isso aconteça, precisa esperar a liberação do juiz que muitas vezes demora mais do que a resolução do problema, para sair da pista é a mesma coisa. Maiquel entrou três vezes na pista durante a prova de enduro, no domingo, que é a prova final que define o vencedor da competição. “O primeiro momento em que entrei eu não sabia o que tinha acontecido porque o carro parou de andar, foi bem simples de resolver, só o desengrenamento da caixa”, conta. Na segunda vez o carro parou por conta de uma pane seca, “não acreditei que pudesse ser isso, revisei o resto e quando pedi para abrir o tanque e o juiz liberou, percebi que precisávamos reabastecer, faltava dois minutos para o fim da prova então dava tempo”, explicou.
Na segunda etapa da prova de enduro a equipe perdeu um pouco mais de tempo com a quebra do montante da direção. “A equipe estava atenta ao que estava acontecendo e antes mesmo de eu tirar a peça quebrada, a peça de reposição já estava ao meu lado para que eu fizesse a reposição, porque o piloto também me ajudou”, destacou o mecânico. 

Sobre a competição

Na quinta-feira, 17, aconteceu um fórum no final da tarde. Na sexta-feira, 18, foram realizadas as provas de segurança, que comprovam se o carro foi construído de acordo com o regulamento, e de motor, verificando inclusive as condições de abastecimento. Em seguida, foi feita uma prova de conforto em que o juiz anda no carro para comprovar se ele freia, tem manobrabilidade e não oferece perigo. O carro de Santa Cruz apresentou problemas que foram resolvidos ainda na sexta. No sábado, 19, tiveram início as provas dinâmicas que testam a capacidade de tração do carro, sua capacidade de velocidade final no trecho percorrido e a aceleração em 30 metros. Uma prova de manobrabilidade é feita em um circuito de cones e curvas fechadas, manobras de oito, tudo delimitado por cones com uma bola de tênis em cima, se o carro bate no cone e derruba a bola aumenta cinco segundos no tempo final. Se derrubar o cone são acrescidos 15 segundos no tempo. Encerrando as provas dinâmicas é feita a prova suspention and traction que define o grid de largada da prova de enduro que acontece no domingo.
A equipe passou a madrugada de domingo definindo estratégias para realizar a prova de enduro e se manter a frente da segunda colocada durante toda a prova apenas usando o regulamento e não forçando o carro. Durante as provas dinâmicas no sábado também foram feitas as provas de projeto, em que os integrantes da equipe explicam a criação do carro. Como foram feitas ao mesmo tempo os alunos precisavam saber sobre o que estavam falando e não apenas decorado. No enduro a equipe largou em terceiro lugar e logo garantiu a primeira posição, passando por algumas dificuldades garantiu o primeiro lugar geral para Santa Cruz do Sul.