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O cavalinho de pano e o amor por Santa Cruz

Cristiano Silva
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Cristiano Silva

Gilberto Carlos Borowsky relembra infância em São Leopoldo,
sem esquecer da terra Natal, Santa Cruz

O sentimento de fraternidade e caridade é típico do Natal. Muitas crianças marcam por anos e anos determinados momentos que a vida se tornou um pouquinho melhor em meio às dificuldades, seja com um abraço, uma palavra ou mesmo um presente. Para o santa-cruzense Gilberto Carlos Borowsky de 59 anos, o momento marcante se remete a 1961, na cidade gaúcha de São Leopoldo. Gilberto, que trabalha com revestimento, papel de parede e tecido, nasceu em Santa Cruz do Sul e foi com 1 ano de idade morar em São Leopoldo. Com 7 anos, como a família era muito pobre para comprar presentes na Natal, assim como acontece nos dias atuais com muitas crianças, buscava em boas ações a maneira de levar um pouco de alegria a vida.
“Tem coisas na vida que passam que aquilo fica marcado. Esses dias até havia comentado com a minha família. Quando eu tinha 7 anos e ainda morava em São Leopoldo, éramos muito pobre, então não tinha condição de comprar presentes para os filhos, e lá em São Leopoldo tem até hoje o Colégio São José, das irmãs franciscanas, então elas faziam um tipo de Natal Fraterno. As pessoas sem condições, pobres, participavam do evento promovido pelas irmãs e cada um ganhava um presente. Elas mesmo confeccionavam e davam os presentes para as crianças carentes que não tinham condição de comprar. Na época, eu não esqueço, ganhei um cavalinho de pano, coisa mais linda, cor bege, aquilo foi demais pra mim, ficou marcado para o resto da vida” destaca Gilberto.

VOLTANDO PARA CASA

O garoto de 7 anos, com o cavalinho de pano, cresceu. Aos 9 teve que trabalhar para ajudar nas contas da casa. “Nessa idade eu engraxava sapato, vendia maçã na rodoviária, picolé, jornal, se virava pra ter uma renda por que a família era muito pobre” revela o santa-cruzense. Passado um tempo, já com família constituída em São Leopoldo, Gilberto enfrentava dificuldades financeiras, e viu em Santa Cruz a oportunidade de se erguer.
“Em 1984 o trabalho estava fraco e eu tinha um cunhado que trabalhava aqui em Santa Cruz, tinha uma empresa, e falava ‘quer ganhar dinheiro? Vai pra Santa Cruz’. Meu filho tinha 1 ano, juntei minhas ferramentas e disse para minha mulher ‘estou indo para Santa Cruz trabalhar’ e vim. Trabalhava colocando papel de parede, assoalho, carpete, revestimento de piso e parede. Eu vim com uma maletinha de ferramenta apenas, fiquei 10 meses, voltei pra São Leopoldo com dinheiro e um carro Chevette esportivo nas mãos. Só voltei pra lá por causa do meu filho, que tinha 2 anos, e quis ficar mais próximo da família”.
Agora em janeiro de 2014, faz cinco anos que Gilberto voltou a morar em Santa Cruz. Mais de meio século depois, o presente ganho em uma boa ação e marcado na vida do santa-cruzense, serve para Gilberto reproduzir o bem a outras pessoas. O presente, o tempo desgastou. O que não se perdeu foi a solidariedade de Gilberto que pretende, sempre que possível ajudar os que necessitam. “O me chama muito atenção nessa época são essas ações de ajuda. Tenho até planos de um dia, quem sabe, fazer algo nesse sentido. Graças a Deus hoje já tenho condição de poder ajudar, e até por ter passado por essa situação, sei o quanto é ótimo poder fazer algo para as crianças. No último sábado ajudei no Natal Fraterno daqui eu e minha mulher, então acho isso importante, o que eu passei, se eu puder ajudar, fico feliz”.