Diego Dettenborn – [email protected]
Na manhã da última terça-feira, 16 de julho, um grupo formado por aproximadamente 50 médicos realizou uma manifestação pacífica que teve como ponto de partida o Hospital Santa Cruz (HSC) e culminou na Praça Getúlio Vargas, centro da cidade. Uma das principais reivindicações da classe é o pedido de mais atenção do governo federal para a saúde no país.
O protesto também acenou contra o veto da presidente Dilma Roussef ao Projeto de Lei 268/2002, conhecido como Ato Médico, que regulamenta a profissão no Brasil, e a medida provisória que viabiliza o programa “Mais Médicos”. O movimento aconteceu de forma simultânea em outros treze estados brasileiros. No município foi realizado um abraço simbólico frente ao HSC.
Insatisfeitos com a postura do governo federal e com o objetivo principal de chamar a atenção da população para as demandas médicas, evidenciando até mesmo o fato de a saúde ter sido uma das causas mais defendidas pela população nas manifestações que aconteceram nas últimas semanas em todo o país, o grupo caminhou em silêncio pela rua Marechal Floriano, tendo como desfecho a Praça Getúlio Vargas.
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Manifestação reuniu cerca de 50 médicos no centro de Santa Cruz do Sul
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“Fizemos essa mobilização de forma silenciosa em virtude do luto pelo descaso da saúde em nosso país. A resposta que o governo nos deu até então foi uma resposta completamente inadequada que não dá conta dos reais problemas da saúde”, afirmou o delegado Regional do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul (Simers), Daniel Boessio.
O delegado comenta ainda que a falta de um orçamento maior para a saúde e uma gestão melhor é essencial. “Isso o governo realmente não acenou, as questões estruturais da saúde que também fazem parte deste grande problema, em momento algum foi salientado pelos governantes”, acrescentou ele, explicando que “estamos trazendo este movimento para dizer que nós não vamos carregar essa culpa que o governo quer jogar em cima da classe médica”.
Encontros deverão ser realizados nos sindicatos de todo o país e, a partir deles, será decidido o rumo da classe médica no Brasil. “Nos próximos dias irão acontecer reuniões e consequentemente uma assembleia nacional. A partir daí decidiremos se irá ou não acontecer greve, paralisação ou qualquer tipo de movimento. Estamos lutando pela saúde. Não somos contra a saúde, contra o SUS e não vamos aceitar esse rótulo que está sendo colocado em nós pelo governo”, finaliza Daniel.
Mais Médicos
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou já na terça-feira, a criação de uma comissão formada por 11 diretores de Faculdades Federais de Medicina e coordenadores de cursos de Medicina para aperfeiçoar a medida provisória enviada pelo governo que institui o programa “Mais Médicos”.
O objetivo é aumentar o número de profissionais atuantes na rede pública de saúde em regiões carentes, permitindo a vinda de médicos estrangeiros ou de brasileiros que se formaram no exterior sem a necessidade de revalidação do diploma.
O programa também cria 11.447 vagas em faculdades de medicina até 2017 e torna obrigatório na grade curricular o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) por dois anos.
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Classe médica se reuniu ao final da caminhada na Praça Getúlio Vargas
Lei do Ato Médico
A Lei que regulamenta a atividade médica do Brasil, conhecida como Ato Médico foi sancionada, com vetos, na quinta-feira, 11 de julho, estabelece atividades privativas dos médicos e as que poderão ser executadas por outros profissionais de saúde. Também determina que atividades como atendimento a pessoas sob risco de morte iminente, realização de exames citopatológicos e emissão de laudos e coleta de material biológico podem ser compartilhadas com outros profissionais da área.
O governo vetou artigos referentes à formulação do diagnóstico de doenças com objetivo de resguardar as políticas e programas desenvolvidos no Sistema Único de Saúde (SUS). Se aprovado, pacientes com doenças como tuberculose, malária e dengue não poderiam mais ser diagnosticados e, inicialmente, tratados por profissionais de enfermagem.
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Boessio: “Não vamos aceitar esse rótulo que está sendo colocado em nós pelo governo”














