Luana Ciecelski
Diminuição do salário e demissões por diminuição de postos são as principais preocupações do sindicato
Luana Ciecelski
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O Sindicato dos Vigilantes de Santa Cruz do Sul continua em desacordo com o Sindicato das Empresas de Segurança Privada (Sindesp/RS) em relação ao pagamento do dissídio dos trabalhadores do setor, na região. Na última semana a classe se reuniu para realizar mais um manifesto em frente e três estabelecimentos que tem sua segurança feita por empresas que se mantém fieis ao Sindesp. Caixa Econômica Federal, Companhia Rio-grandense de Saneamento (Corsan) e Banco do Brasil receberam a visita do grupo que está insatisfeito com o acordo proposto.
Essa foi a forma encontrada de tocar os empresários. Realizando manifestos em frente aos postos de serviços dessas empresas de segurança, e conversando com os estabelecimentos que contrataram seu trabalho, o Sindicato dos Vigilantes pretende mostrar o quanto o acordo apresentado pelo Sindesp é prejudicial à classe. A Corsan agendou para hoje, 30 de setembro, uma reunião com os representantes dos vigilantes da região para discutir o caso.
O objetivo, segundo o diretor do Sindicato, Paulo Borges, é buscar o acordo com cada uma das empresas de segurança individualmente, já que um acordo com o sindicato patronal não se mostra possível. Até o momento, 15 acordos individuais já foram feitos, o que representa 97% das empresas que atendem a região, no entanto, três delas ainda preferem trabalhar sob o acordo proposto pelo Sindesp: Mobra, Epavi e Celtec. A Cindapa, empresa santa-cruzense que também estava em desacordo com o sindicato municipal, assinou o contrato individual recentemente.
“Nós apenas estamos dizendo não à sacanagem”, afirmou Paulo Borges. “Em uma cláusula do contrato, eles dão e na outra eles tiram. Nós como sindicato não podemos permitir isso”, justificou. O Sindicato dos Vigilantes de Santa Cruz foi o único do Estado a não aceitar o acordo.
RELEMBRE
A oferta feita pelo Sindesp tem como base o aumento de 8.53% do salário base e de R$2,00 do vale alimentação passando de R$12,00 para R$14,00. No entanto, com o aumento salarial, algumas mudanças contratuais também foram propostas como mudanças nos horários das escalas, que preocuparam o sindicato, pois poderiam diminuir o salário dos trabalhadores ou até mesmo o número de postos de trabalho.
Uma dessas escalas novas seria, segundo o presidente do Sindicato dos Vigilantes, Paulo Lara, a chamada “4 x 2” – quatro dias de serviço por dois de folga – que contaria com 10 horas diárias em 20 dias de trabalho mensais. O problema dessa opção é, segundo ele, que essas dez horas diminuiriam os postos de trabalho em 25%, tornando horistas boa parte dos funcionários que teriam que cobrir apenas os 10 dias restantes.
Borges alertou também que essa proposta diminuiria as horas de trabalho efetivo das atuais 190h40 para 165 horas mensais, o que reduziria o salário, apesar da proposta de aumento. O salário base seria R$1.119,80, mas o trabalhador que completasse sua carga horária receberia no fim do mês, apenas R$970,50 reais.
O QUE QUEREM OS VIGILANTES
O Sindicato dos Vigilantes alega querer apenas o pagamento dos 8.53% de dissídio e os R$2 a mais no vale alimentação, sem que haja mudanças no sistema das atuais escalas 12 x 36 (12 horas de trabalho por 36 horas de descanso). O Sindesp/RS, no entanto, não aceitou a contraproposta feita pelo sindicato santa-cruzense, que partiu para acordos individuais com as empresas que atuam na região.














