LUANA CIECELSKI
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Pedindo o combate à corrupção, uma grande reforma política e também a saída da presidenta Dilma Rousseff do governo, cerca de 700 mil brasileiros – de acordo com o portal de notícias G1 – em 24 estados, voltaram às ruas em uma segunda onda de protestos na tarde do último domingo, 12 de abril, e Santa Cruz do Sul, mais uma vez contou com manifestantes marcando presença nas ruas. O evento, que foi organizado através da rede social Facebook e também no corpo a corpo, reuniu cerca de 2,5 mil moradores da região de acordo com os organizadores do evento, e cerca de 1,2 mil de acordo com a Brigada Militar.
Por volta das 16 horas os manifestantes começaram a se reunir no entorno da Praça da Bandeira, nas quadras da rua Marechal Floriano e da rua Borges de Medeiros. O hino nacional foi tocado, seguido pelo hino rio-grandense e em seguida, assim como na primeira edição de protestos, que aconteceu no dia 15 de março, o grupo saiu em caminhada pelas ruas centrais do município. Foram percorridas as ruas 28 de Setembro, Marechal Deodoro, Ramiro Barcelos e Marechal Floriano.
Grande parte dos participantes vestiam roupas verde e amarelas, alguns carregavam bandeiras e outros traziam nas mãos cartazes pedindo por mudanças na política e no governo. De acordo com a Brigada Militar, o protesto aconteceu de forma pacífica e sem registros de ocorrências por vandalismo ou violência. Ao fim da caminhada o grupo voltou a se reunir no entorno da praça. Ali, os manifestantes permaneceram até por volta das 18h30 expondo as reivindicações da comunidade que estavam alinhadas com movimentos que estão acontecendo em todo o Brasil como o Vem Pra Rua (VPR) e o Movimento Brasil Livre (MBL).
De acordo com um dos organizadores, Lucas Rubinger, a manifestação local aconteceu dentro do que era esperado mesmo com um número menor de participantes em comparação com a edição de março. “Atingiu nossas expectativas”, disse. “Atingimos o objetivo que era nos manifestar e dar o recado que o Vale do Rio Pardo está junto com o Brasil”, explicou.
Jorge Buuron, empresário e integrante do Movimento João da Silva, também disse estar muito satisfeito com a manifestação. “Foi maravilhosa, muito bonita, ordeira e pacifica”, disse. E segundo ele, pode-se considerar que atingiu o principal objetivo, que era mostrar a insatisfação da população. “Foi importante mostrar que não estamos de acordo com as respostas e ações implantadas apos o dia 15 de março”, explicou.
Reprodução/Movimento João da Silva

Comunidade foi às ruas vestindo verde e amarelo, as cores da bandeira nacional
Maio pode ter mais manifestação
De acordo com Lucas, nos municípios não há certeza sobre a organização de mais manifestações, no entanto, uma grande marcha nacional pode acontecer em Brasília no dia 20 de maio. Entretanto, a realização desse terceiro protesto depende das respostas que o governo dará aos manifestantes. “Estamos aguardando uma resposta do governo para sabermos se este movimento trará algum resultado”, afirmou Lucas. Ainda de acordo com Rubinger, essa marcha será organizada pelos grandes movimentos nacionais, como o Vem Pra Rua (VPR) e o Movimento Brasil Livre (MBL).
Já Jorge Buuron diz acreditar que novas manifestações acontecerão, inclusive nas cidades. “Iremos sair às ruas quantas vezes forem necessárias. Vamos aguardar. Mas provavelmente terá uma nova onda de protestos”, afirmou.
Pelo Brasil
Manifestações mobilizaram número menor de pessoas
Os protestos contra o governo e pelo fim da corrupção reuniram manifestantes em todas as regiões do país. Em todas as cidades, assim como em Santa Cruz, muitos manifestantes vestiram verde e amarelo e levaram bandeiras do Brasil aos protestos.
Entre as reivindicações, além dos pedidos de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, faixas e palavras de ordem pediam investigação de denúncias de corrupção, votação da reforma política e até o retorno dos militares ao poder.
O número de participantes das manifestações deste domingo foi menor que nos atos do dia 15 de março. Em Brasília, a manifestação de domingo reuniu aproximadamente 25 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar (PM), e transcorreu de forma pacífica. No primeiro ato, há menos de um mês, 45 mil foram às ruas na Esplanada dos Ministérios.
A PM do Paraná informou que 40 mil pessoas participaram da manifestação na região central de Curitiba, encerrada no começo da noite. Além da capital, os protestos reuniram 5 mil pessoas em Londrina e 1,2 mil em Foz do Iguaçu, além de outras cidades do interior. De acordo com a PM, o policiamento foi reforçado em todo o estado.
Em Porto Alegre, a estimativa oficial da Brigada Militar é que 35 mil manifestantes tenham caminhado pelas ruas da capital em direção ao Parque Moinhos de Vento. Na manifestação de março, 100 mil participaram do ato contrário ao governo Dilma.
No Nordeste, houve protestos em capitais como Recife, Salvador, Maceió, Natal e Aracaju. Em João Pessoa, um trecho da Avenida Epitácio Pessoa próximo à orla foi interditado, e a PM informou que 300 pessoas participaram da manifestação, que terminou por volta de 18h.
Em São Paulo, a estimativa da PM é que 275 mil pessoas tenham participado do protesto na Avenida Paulista. Na primeira manifestação, a PM informou que 1 milhão estiveram no local. De acordo com a corporação, o ato transcorreu sem incidentes.
Também sem ocorrências, no Rio de Janeiro, a manifestação pelo fim da corrupção e pela saída da presidenta Dilma terminou por volta das 15h, de forma tranquila. Desde as 10h, havia manifestantes na Avenida Atlântica, na Praia de Copacabana. (Agência Brasil)
Políticos se manifestam sobre protestos
Na noite de domingo e durante todo o dia de ontem, 13, o Governo Federal não se manifestou oficialmente sobre os protestos como aconteceu no dia 15 de março, no entanto, logo após o fim das manifestações a página oficial da presidente Dilma Rousseff foi atualizada com uma postagem que falava sobre o combate à corrupção e sobre iniciativas da presidente no sentido de combatê-la e puni-la. “O combate à corrupção é meta constante do governo Dilma. Ela encaminhou, em março, um conjunto de propostas ao Congresso Nacional que vão permitir maior atuação contra diferentes frentes da corrupção. A guerra contra a corrupção deve ser, simultaneamente, uma tarefa de todas as instituições, uma ação permanente do governo e também um momento de reflexão da sociedade de afirmação de valores éticos”“, destacou.
O vice-presidente, Michel Temer, falou aos jornalistas durante o velório do jurista e político gaúcho Paulo Brossard, que aconteceu no Palácio Piratini, sede do governo do Rio Grande do Sul, na tarde de domingo, 12. Em sua manifestação, ele destacou que o governo está atento às reivindicações. “Nós temos que estar muito atentos a estas manifestações. O governo está prestando atenção. Elas revelam, em primeiro lugar, vou dizer o óbvio, uma democracia poderosa. Mas, em segundo lugar, o governo precisa identificar quais são as reivindicações e atender as reivindicações. É isso que o governo está fazendo”, declarou.
Alguns partidos de oposição também se manifestaram sobre os protestos e se solidarizaram com as pessoas que foram às ruas contra o governo. Em nota, o PSDB criticou as medidas econômicas da presidenta Dilma Rousseff e disse que se une aos brasileiros que manifestaram “repúdio e indignação contra a corrupção sistêmica que envergonha o país”.
Já o Solidariedade informou que aproveitou as manifestações para recolher assinaturas no abaixo-assinado que pede o impeachment de Dilma. O presidente do partido, deputado Paulinho da Força (SP), disse que a oposição não pode ficar indiferente aos protestos e deve cobrar do governo as demandas apresentadas nas ruas. (Agência Brasil)














