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Eduardo Galeano: um grande legado para a América Latina

Luana Ciecelski
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O mundo e em especial a América Latina, sofreu uma grande perda na manhã desta segunda-feira, 13 de abril. Faleceu, em Montevidéu, capital do país vizinho Uruguai, o escritor e jornalista Eduardo Galeano. Galeano tinha 74 anos e era considerado um dos maiores autores da literatura latino-americana. Segundo jornais uruguaios, desde sexta-feira, 10 de abril, ele estava internado em um hospital tratando de complicações em decorrência de um câncer de pulmão que já havia sido diagnosticado e tratado em 2007.

Eduardo Galeano tem entre suas obras mais famosas o livro “As Veias Abertas da América Latina”, publicado em 1971. Nele é feita uma análise histórica da América Latina, desde o período colonial. O texto também é considerado um clássico para os seguidores de filosofias anticapitalistas e antiamericanas.

Outros importantes livros do autor são “Memórias do Fogo”, “Os Dias Seguintes”, “Crônicas Latino-Americanas”. No total, Galeano lançou mias de 40 textos. Em suas obras, ele misturou os gêneros de ficção, jornalismo, análise política e histórica.

Para o Pró-reitor de Graduação da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) que também é professor do curso de Letras, Elenor Schneider, Galeano deixou um legado de obras muito importante para a sociedade. “Eduardo Galeano foi uma luz que brilhou no Uruguai mas que iluminou milhares de leitores pelo mundo”, disse. “A revisão política que faz, por exemplo, em As veias abertas da América Latina, pautou o pensamento de muitos leitores que viveram períodos de repressão em diversos países da América Latina. O livro dos abraços, coleção de pequenas histórias, é um encantamento de fazer chorar de tão bonito e emocionante. E Futebol ao sol e à sombra é um tributo à paixão pelo futebol, que o autor cultivava. É leitura indispensável para quem gosta de futebol e para quem aprecia um texto de sensibilidade e beleza puras.”, comentou o professor.

Segundo ele, mesmo quem não tem o hábito da leitura pode ler facilmente o autor. “Toda a obra de Galeano se constitui num presente impagável que só as mentes inspiradas e felizes podem deixar aos seus leitores. Ele partiu, no entanto permanecerá para sempre na história e na memória de quem gosta de literatura de alta qualidade”, finalizou.

Divulgação/Agência Brasil

Eduardo Galeano tinha 74 anos

História

Galeano nasceu em 3 de setembro de 1940 em Montevidéu. Na juventude, trabalhou como operário, pintor, mensageiro e bancário, entre outras ocupações e começou a escrever aos 14 anos no jornal El Sol. Em 1958, passou também a escrever crônicas de arte. Nos anos 1960, trabalhou como editor do jornal semanal Marcha e no diário Época.

Após o golpe de estado em 1973, Galeano teve de deixar o Uruguai e foi viver na Argentina. Quando voltou ao seu país em 1985, ele fundou o semanário Brecha. Ele era considerado também como uma das principais referências da esquerda latino americana.

Em 2007, Galeano se submeteu a uma cirurgia para tratar do câncer no pulmão recém descoberto. Foi esse mesmo câncer que o levou a óbito na manhã de ontem.

Presidenta lamenta em nota oficial

Em nota oficial divulgada pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República no início da tarde de ontem, a Presidenta Dilma Rousseff lamentou a morte do escritor e disse que a perda de Galeano é uma perda para todos os que lutam pela América Latina.

“Hoje é um dia triste para todos nós, latino-americanos. Morreu Eduardo Galeano, um dos mais importantes escritores do nosso continente. É uma grande perda para todos que lutamos por uma América Latina mais inclusiva, justa e solidária com os nossos povos. Aos uruguaios, aos amigos e à nossa imensa família latino-americana, quero prestar minhas homenagens e lembrar que continuamos caminhando com os olhos no horizonte, na nossa utopia”, escreveu Dilma.  (Com informações: Agência Brasil)