Jéssica Ferreira
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Brincar de professora e dar aula para suas bonecas é uma das brincadeiras preferidas de Franciele Vieira Pinto, de 9 anos, que diz querer ser professora quando crescer. A menina conta sorrindo, com sua boneca na mão ao lado de sua mãe, o quanto gosta de brincar de dar aula. “Dentre suas bonecas, ela tem uma maior que brinca todos os dias, dizendo que é sua filha”, conta a mãe ao ser interrompida pela menina alegre dizendo ter outra filha. “Não mãe, agora minha filha é de verdade, minha colega lá do colégio, gosta de dar aula pra ela também”, diz Franciele.
Apesar do gosto de brincar de aula, e do sonho de ser professora, o principal objetivo da menina agora é realizar um sonho ainda maior. “Quero que essa doença termine”, diz. Aos quatro anos de idade de Franciele, dona Rosemeri Maria Cardoso conta sobre o choque que teve ao descobrir que sua filha foi diagnosticada com Leucemia Linfoide Aguda. “Lembro-me de voltar da safra e encontrar a Fran cansada, coisa que não era normal, pois ela sempre foi de correr e brincar. Ela começou também a ter febre, então eu a levava para consultar e ver o que estava acontecendo. E assim foi por um período, ninguém sabia o que estava acontecendo, por algumas vezes ela ficou internada, até surgirem algumas feridas em suas pernas e dores a ponto dela ficar três meses sem poder andar”, conta a mãe.
Após internações no Hospital Santa Cruz e exames, Franciele foi encaminhada a Santa Maria, no Ctcriac, onde são realizados tratamentos de câncer. “Lá a Fran também ficou internada, até um dia o médico me chamar na sua sala e me dar a pior notícia que já tive na vida, que minha filha estava com Leucemia”, acrescenta. De lá pra cá, iniciaram muitas batalhas na vida de Rosemeri e de Franciele. Quimioterapia, enjoos, longas viagens, idas e vindas do hospital, por diversas vezes internações na UTI.
Com o diagnóstico da doença na filha, Rosemeri se manteve forte e com esperanças. “Foram episódios marcantes demais para mim como mãe, havia sessões de quimioterapia que eu não podia ver, doía demais dentro de mim, mas sempre tivemos fé em Deus, a Fran sempre me deu forças e juntas mantivemos esperança”, conta.
Foram dois anos e meio de tratamento, até que um dia dona Rosemeri pôde sorrir e se sentir aliviada, pois acreditava que Franciele havia sido curada. “O tratamento havia terminado, e não apareceu nada negativo no novo diagnóstico. Procurei um novo emprego, pois nossa situação financeira não é fácil; e assim foi tudo normal por um tempo, até perceber novamente os sintomas na Fran e descobrir então que a doença havia voltado”, conta.
Hoje, fazem cinco anos da descoberta da leucemia em Franciele. A doença afeta as células linfoides e agrava-se rapidamente. É o tipo mais comum em crianças pequenas, mas também ocorre em adultos. Em 2013 a Associação de Apoio a Pessoas com Câncer (Aapecan) de Santa Cruz do Sul, em parceria com o Hemocentro de Porto Alegre e a empresa Premium Tabacos, haviam realizado uma ação de coleta de amostras de sangue, em busca de possíveis doadores para Franciele, mas infelizmente nenhum havia sido compatível.
Neste ano, a Aapecan lançou a campanha para o dia 16 de abril, “Você já pensou em ser um Super-Herói?”, com o objetivo de convocar pessoas para serem doadores voluntários de Medula Óssea. Para Lusardo Ramos Júnior, assessor de comunicação da entidade, o lema da campanha se deu origem sobre o que realmente é ser um ser um super-herói. “A importância da coleta é achar um doador que possa salvar a vida da Franciele, pois através de uma simples amostra de sangue ela pode achar o super-herói que vai salvar sua vida, pois o que fazem os super-heróis se não salvar vidas?” conta.
A procura pelos doadores acontece na sede da Aapecan, na Rua Dorval Martins, número 249, Bairro Ana Nery, das 9 horas às 12 horas e das 13h30 às 16 horas. Para dona Rosemeri, a conscientização das pessoas é um passo muito grande. “Acredito e tenho muita fé em Deus, sei que Ele vai enviar pessoas para ajudar minha filha e ser curada de uma vez por todas dessa doença. Ninguém está livre de acontecer isso consigo ou com um familiar, por isso, alcançar o próximo é uma atitude muito linda. Além da esperança em salvar a vida de Franciele, no meio de uma simples doação, pode ocorrer a compatibilidade de salvar outras crianças”, finaliza Rosemeri.
Jéssica Ferreira
Franciele, ao lado de sua mãe Rosemeri, mantém esperanças e fé em Deus
Para doar
Qualquer pessoa entre 18 e 54 anos com bom estado geral de saúde e que não tenha quaisquer doenças infecciosas transmissíveis no sangue, pode doar medula. A medula é retirada do interior do osso da bacia, por meio de punções e se recompõe em apenas 15 dias. Para o dia da doação, é necessário que se apresente documento de identidade. No dia será coletado uma amostra de sangue, com 5 a 10ml para testes.
O resultado obtido por meio de um exame de laboratório bastante comum é colocado no banco de dados. Sempre que houver um paciente que necessite de transplante e não tenha encontrado doador na família, os médicos podem consultar esse registro. Uma vez localizada uma pessoa compatível, ela será convocada para realizar novos exames de sangue e para uma avaliação clínica a fim de saber se pode de fato doar a medula.
Ação solidária
Um casal anônimo proporcionou para a querida Franciele um dia de princesa. A menina de 9 anos se divertiu fazendo as unhas, arrumando seu cabelo e fazendo maquiagens em uma salão de beleza. Além de também, escolher brinquedos e roupas para fazer diversos looks. De sorriso de orelha a orelha, a menina não escondeu a felicidade de viver um dia parecido com o que assistia nos programas de televisão.
Após as produções, Franciele teve uma surpresa maior ainda, brincou com os alunos do Colégio Mauá de professora. A menina ensinou para os alunos as atividades que aprendeu na Aapecan. “Eles prestavam a atenção em mim, me senti uma super-professora”, conta a menina.
Os doadores, ao tomarem conhecimento da história de Franciele, procuraram a Aapecan e concederam vales no valor de R$350,00 na loja de confecções Jardins, R$250,00 em brinquedos na loja Toys, R$400,00 de vale-compras no Supermercado Miller. O dia de beleza foi proporcionado de forma gratuita pelo salão Matheus Araújo.
Para a mãe de Franciele, foram anjos que apareceram na vida de sua filha. “Jamais tive condições de oferecer a ela algo assim, vi minha filha tão feliz como nunca. Agradeço de todo o coração a esses anjos que vieram do céu para dar essa alegria à Fran”, conta a mãe.
Lusardo Ramos
Um dia de princesa no salão Matheus Araújo proporcionou a Franciele fazer unhas, cabelo e makes
Lusardo Ramos
A “professora” Franciele ensinou a seus novos alunos atividades que exerce na Aapecan














