Jéssica Ferreira
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Dedé Santana alegra a todos como uma criança. Está no seu berço, o circo. O artista, comediante e humorista está na cidade de Santa Cruz do Sul, se apresentando no Circo Mix neste final de semana. Em entrevista ao Riovale Jornal, Dedé contou um pouco sobre sua trajetória e algumas emocionantes lembranças. Dedé Santana nasceu no circo, começou a trabalhar aos três meses de idade. E até hoje, participa de alguns shows em circos por todo o Brasil. Ao lado de Mussum, Didi e Zacarias, Dedé esteve no grupo dos Trapalhões, este o maior dos seus sucessos na carreira.
Divulgação/RJ

Dedé: “Com meu personagem aprendi muito, mas isso por estar ao lado dos meus colegas”
Riovale Jornal – O que representou para você ser eleito o Embaixador do Circo no Brasil?
Dedé Santana – Sou nascido e criado em circo, então receber esta homenagem é uma taça pra mim. Se eu recebesse um Oscar nos Estados Unidos, não seria um prêmio tão importante. Estou visitando circos por todo o Brasil. Até pouco tempo, estive presente pelo Norte e Nordeste para auxílio, conhecer os problemas e dificuldades que estão sendo enfrentadas, pois existe uma comissão para isso. A grande dificuldade do circo é a falta de estrutura em diversos locais, a exemplo da falta de um terreno para colocar o circo. Na época dos Trabalhões fizemos uma campanha, lembro que o Collor estava na presidência e nos ajudou, para que em todos os lugares tivesse um local adequado para ser montado um circo, e, além disso, não servir apenas para uso de circos, mas para festas e eventos nas cidades. Até então estava dando certo, logo o Collor saiu e as coisas não foram mais andando.
RJ – O que você aprendeu com o personagem Dedé?
Dedé – Na realidade o “Dedé” eu sou desde que nasci. Então eu vejo que aprendi muito com meus colegas, principalmente com o Mussum, que sempre foi para mim uma lição de humildade. Claro que com meu personagem aprendi muito, mas isso por estar ao lado dos meus colegas, ou seja, por lutar junto com eles quando saímos do personagem e vamos para a vida real.
RJ – Em sua visão, o que um bom humorista precisa ser?
Dedé – Primeiramente não se fala “eu vou ser humorista” e começar a treinar para isto ou até mesmo fazer estudos. O humorista é nato, pois vemos estas características nos grandes humoristas, como por exemplo, em minha opinião o grande humorista do Brasil era o Oscarito. Sem contar que depois dele surgiram muitos outros também. Outro que posso falar, mas este como o maior humorista do mundo é o Cantinflas, e não é apenas minha opinião, ou seja, quando foi perguntado ao Chaplin, diante do mundo, quem era o maior humorista ele respondeu o Cantinflas. A televisão começou com comediantes natos, tenho meu primo o “Pirulito”, ele foi o primeiro palhaço de televisão do Brasil, e ele nasceu no circo. Então não adianta estudar para ser, tem que nascer sendo. Mais um exemplo é o próprio Didi – se for conversar com ele em particular, percebe-se o quanto ele é engraçado sendo ele mesmo, isto é, completamente natural – justamente porque é dele isso. Eu lembro que sempre dizia a ele que não me considerava um trapalhão, e ele por sua vez me questionava, mas então eu dizia que eu realmente era um grande fã dos Trapalhões, ou seja, sou fã de cada um deles – verdadeiros comediantes e humoristas. A piada tem um tempo e, caso ele não seja dado, a pessoa não ri, mas para o Mussum não era assim, em qualquer tempo a pessoa dava risada.
RJ – Alguma coisa que marcou muito sua carreira?
Dedé – Muitas coisas, muitas mesmo. Entretanto, algo que jamais saiu de mim foi uma campanha que Os Trapalhões realizaram para o Hospital do Câncer no Rio de Janeiro. Eu não sei por que, mas marcou demais na cabeça, pois sempre que Os Trapalhões eram chamados para fazer alguma campanha, íamos analisar o que seria feito e com o que trabalharíamos, e ao me deparar com crianças em situação terminal, me marcou demais. Lembro de uma criança que estava feliz pelo fato de que a irmã havia a visitado aquela semana toda, mas na verdade, a irmã sabia que era a última semana que veria sua irmã, por isso esteve presente o máximo possível. Então, foram muitas situações que me impressionaram muito, e conseguimos arrecadar o que eles estavam precisando, que na época era uma máquina vinda dos Estados Unidos. Depois disso, ocorreu a criação do Criança Esperança na Globo, que inicialmente foi para Os Trapalhões, claro que depois se dispersou, mas lembro que era muito legal e motivador saber que estávamos ajudando inúmeras crianças, coisa que não tem preço.
RJ – Hoje desde uma criança até o mais vovô é seu fã, qual sua reação sobre isso?
Dedé – É muito emocionante isto. Ontem no aeroporto um rapaz juntamente com seu filho – acho que a criança deveria ter uns 4 anos; o rapaz ao me abordar percebi que ele estava chorando e logo me abraçou dizendo que é meu fã deste criança, e que seu filho hoje assiste todos os dias no Canal Viva as Aventuras do Didi misturadas com Os Trapalhões. Então não há como não se emocionar, pois sei que onde passei as pessoas que me viram e conheceram meu trabalho receberam um pedacinho de mim. As pessoas que virão hoje ao circo, não são apenas os jovens e as crianças. Onde eu passo vejo famílias completas, que vem recordar muita coisa. Inclusive nos meus números eu procuro me inspirar na minha época de trapalhão, alegrando assim a todos os presentes.
Divulgação/RJ

Ao lado de Mussum, Didi e Zacarias, Dedé esteve no grupo dos Trapalhões
Circo Mix em Santa Cruz do Sul
A magia do circo está em Santa Cruz do Sul. Apresentando artistas circenses em performances de equilibrismo, malabarismo, tecido acrobático, humor e dança, Globo da Morte em movimento com três motos e uma bicicleta, entre outros, a plateia visitante certamente ficará impressionada com as atrações. O Circo Mix chegou na semana passada no município de Santa Cruz do Sul, tendo sua primeira estreia na noite de ontem, 24. Dedé Santana estará se apresentado durante o final de semana. O espetáculo é dividido em duas partes. No primeiro ocorrem as atrações do circo, como palhaços, contorcionistas, mágicos, menina dos cabelos de aço, homem-aranha, táxi maluco e globo da morte. No segundo momento inicia o show com Dedé Santana e turma.
Os ingressos serão comercializados ao preço de R$ 15 (crianças até 10 anos) e R$ 25 (adulto), no local. Crianças de até três anos não pagam, estudantes e idosos pagam meia entrada. Hoje, as apresentações se iniciam às 17 horas ou 20h30min, e domingo às 18 horas ou 20h30min. O circo do humorista Dedé Santana está localizado no Parque da Oktoberfest. Para demais informações, entre em contato pelo fone (54) 9908-7718.













