Viviane Scherer Fetzer
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Intercâmbio de dois meses. Trabalho voluntário. Conhecendo um novo país, uma nova cultura e novas pessoas. Foi isso que Rodrigo Benitez, 18 anos, escolheu para vivenciar entre dezembro e janeiro de 2016. Natural de San Luis de la Paz, no México, veio para Santa Cruz do Sul no início de dezembro. Toda a organização do intercâmbio foi feita pela Aiesec, através do programa Cidadão Global.
Rodrigo desenvolve trabalho voluntário na área de fisioterapia na Associação de Auxílio aos Necessitados (Asan), em Santa Cruz do Sul. Após realizar algumas atividades na parte da fisioterapia, ele vai para outra sala junto com os outros intercambistas que estão atuando na Asan, a colombiana Katherine e o chileno Felipe, que cuidam da parte de marketing.
O mexicano começará o curso de contabilidade na Universidad Iberoamericana, no México e decidiu fazer intercâmbio porque gosta de conhecer outras culturas, “desde pequeno meu sonho era viajar e conhecer outros países, então achei que seria uma experiência boa”, conta Rodrigo. Para realizar o sonho, ele foi em busca de informações e de como participar do intercâmbio pela Associação Internacional dos Estudantes e Cientistas Econômicos e Comerciais (Aiesec). Ele conta que sempre quis fazer algo pelas pessoas, “meus pais me educaram para ajudar os outros, isso para minha família é muito importante, creio que o mais importante na vida é conhecer, aprender e ajudar, por isso sei que estou fazendo algo bom”.
Para Rodrigo, participar de um intercâmbio social como este é muito importante, pois ele pode ajudar os outros e também melhorar como pessoa. “Tenho aprendido a ser mais independente, minha forma de pensar história, economia e política também mudou e procuro tirar o melhor de cada experiência para levar depois ao meu país”, explica Benitez. Rodrigo teve experiência com idosos no México em que trabalhou em programas de serviço social do seu colégio. “Nós visitávamos e desenvolvíamos atividades e foi ali que percebi que eles necessitam de ajuda, já que muitos não conseguem desenvolver suas tarefas sozinhos”, conta Benitez. Seu trabalho na Asan envolve aproximação com os idosos, mas as tarefas são bem diferentes.
Miriam Etges, secretária executiva da Asan, reforça que esses intercâmbios voluntários são muito positivos para a entidade. “Como eles vêm de países com realidades diferentes, acabam conhecendo a realidade brasileira e as trocas de seus conhecimentos com os nossos são muito importantes”, salienta Etges. O aprendizado que o intercâmbio proporciona é o ponto principal, segundo ela. “É uma geração jovem que circula na instituição e acaba interagindo com os residentes”, finaliza Miriam.
Hospedagem
Com o apoio da Aiesec de Santa Cruz do Sul, Rodrigo ficará na cidade até 8 de fevereiro. Ele está hospedado no apartamento de Tiago Zuchetto, 23 anos, formado em Relações Internacionais e estudante de Direito. E fica lá até o final do intercâmbio. Tiago que já foi ‘host’, palavra que a Aiesec usa para denominar quem hospeda intercambistas, explica que resolveu ser um host porque já fez intercâmbio e sabe o quanto é importante se sentir em casa durante todo o projeto. “Tento ajudar nesse sentido de conhecer a cidade, aprender o português e mais sobre o Brasil, além de que eu termino aprendendo sobre a cultura deles e os costumes”, explica.
A outra experiência que teve como host foi com um intercambista da Alemanha. Segundo ele, o contato direto com uma pessoa de outro país desde que retornou do seu intercâmbio para a Polônia foi incrível, principalmente na questão de aprendizagem do idioma. Sobre a mudança na rotina, Tiago conta que adapta um pouco sua rotina a do intercambista. “Não vejo isso como uma mudança, e sim como um dever meu, já que resolvi ser um host”, ressalta.
Rodrigo já conheceu algumas cidades da região. Como a família de Tiago é de Sobradinho, eles acabaram passando o Natal e o Ano Novo na cidade. Tiago conta que sempre leva seus hóspedes para conhecer a região Centro-Serra e também cidades turísticas do Rio Grande do Sul. O mexicano reforça que ficar hospedado na casa de Tiago é bom “porque ele me compreende e ajuda bastante porque já passou por tudo isso”. Zuchetto acredita muito no aprendizado decorrente desse convívio com um intercambista tanto pelo idioma, quanto pelos costumes e pelas maneiras de enxergar um fato. São coisas que, segundo ele, provavelmente nem teria conhecimento se não fosse através de uma experiência assim. Sobre ser host, Zuchetto finaliza: “Não somos tão importantes como achamos que somos, o mundo é absurdamente grande e é bom poder conviver com pessoas de outros países”.














