Início Geral Uma sinaleira para a atual situação socioeconômica

Uma sinaleira para a atual situação socioeconômica

LUANA CIECELSKI
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O conceito de sinaleira é bem conhecido por todos: do ponto de vista do motorista, o verde significa que o fluxo está seguindo livremente; o amarelo ou laranja, que é hora de parar e prestar atenção; e o vermelho que o fluxo está parado. Por isso, nada mais indicativo do que mostrar para a comunidade como está a situação social e econômica de um município ou de um estado através das cores da sinaleira. 
É justamente o que está sendo feito pela Agenda 2020. Através da análise de mais de 50 itens é realizado um panorama das 50 maiores cidades do Rio Grande do Sul, além do próprio estado. 
A Sinaleira 2020 apresenta um diagnóstico em áreas como saúde, educação, segurança, saneamento, entre outros, através das cores vermelho, amarelo e verde, utilizando apenas indicadores oficiais no desenvolvimento e atualização da Sinaleira. 
Santa Cruz do Sul, sendo uma das 50 maiores, está incluída nessa análise, e dos 13 itens analisados e apresentados até agora, quatro estão com sinal verde, quatro com sinal amarelo e cinco com sinal vermelho.

 

Confira como está Santa Cruz de acordo com o indicativo divulgado na última segunda-feira, 4 de abril.
Pib per capita – Sinal verde: o do município está classificado no limite superior, com o valor de R$ 53.579,65, o que é bastante acima das médias do Rio Grande do Sul e do Brasil, que são R$29.657 e R$ 26.445. 
Renda per capita – Sinal Amarelo: a renda per capita média de Santa Cruz do Sul, R$ 1.036,87 e está classificada na faixa intermediária dentre os municípios gaúchos. Ainda assim, ela é superior às médias nacional e estadual, de R$ 793,00 e R$ 959,00, respectivamente. 
IDESE – Sinal Verde: a pontuação obtida pelo município está classificada na área de desenvolvimento alto. Composto por três blocos, os indicadores das áreas de educação e de renda merecem destaque, pois apresentaram resultados crescentes. A área da saúde, no entanto, teve seu desempenho praticamente estagnado.
Índice de Gestão Fiscal (IFGF) – Sinal Vermelho: a pontuação da cidade está abaixo de 0,6, ou seja, com a gestão municipal em dificuldades. Os indicadores que analisam os investimentos do município são os que apresentam maiores dificuldades, seguidos pela liquidez e pela obtenção de receitas.
Lei de Responsabilidade Fiscal – Sinal Verde: o município apresenta o percentual de despesas com pessoal dentro do nível estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, ou seja, menos de 48,60% da receita corrente líquida é gasta com pessoal. 
Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) Séries Iniciais (até a 4ª série) – Sinal Verde: o município de Santa Cruz do Sul atingiu a meta prevista pelo MEC (em 2015, era de 5,5 pontos) para as séries iniciais nas escolas estaduais e nas escolas da rede municipal. Seu desempenho é superior à média do Brasil e do Rio Grande do Sul.
IDEB Séries Finais – Sinal Vermelho: O município de Santa Cruz do Sul, a partir da última edição do IDEB, não atingiu a meta projetada pelo MEC tanto na educação básicas das séries finais.
Leitos Hospitalares – Sinal Amarelo: o município está classificado no limite intermediário, isto é, possui de 2,5 a 2,9 leitos para cada mil habitantes. A meta estipulada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que estabelece uma média de 3 a 3,5 leitos hospitalares para cada 1.000 habitantes.
Taxa de Mortalidade – Sinal Amarelo: a taxa de mortalidade de Santa Cruz do Sul está no nível intermediário, ou seja, entre 5,7 e 12 mortes para cada mil nascidos vivos. No RS e no Brasil este número é de 12 e 16 mortes por mil crianças nascidas vivas, respectivamente. A meta desejada são 5,6 mortes por mil nascidos vivos. 
Homicídios – Sinal Vermelho: o número de ocorrências em Santa Cruz do Sul foi superior a meta estipulada de 10 homicídios para cada 100 mil habitantes. Nos últimos dez anos, teve um incremento de mais de 100% nas ocorrências do município e em 2014 chegou em 22,7 o número de homicídios para cada 100 habitantes. Em 2015, apesar da redução de mais de 30% nos casos, o número de homicídios no município ainda esteve distante do considerado aceitável pelos organismos internacionais.
Tráfico de Drogas – Sinal Vermelho: o sinal está vermelho por conta do enorme crescimento das ocorrências de tráfico de drogas nos últimos anos. Entre 2002 e 2015, houve um aumento de quase nove vezes no número de casos. 
Empregos – Sinal Amarelo: o número de vínculos empregatícios formais no município atende entre 40% a 70% da população em idade produtiva. Os municípios que não disponibilizarem nem 40% de empregos recebem sinal vermelho e a partir de 70%, sinal verde. 
Índice de Coleta e Índice de Tratamento de Esgoto – Sinal Vermelho: os níveis de coleta e de tratamento do esgotamento sanitário do município não atingem a meta estipulada pelo Programa das Nações Unidas pelo Desenvolvimento (PNUD) que é de 75%. De todo esgoto gerado em Santa Cruz do Sul, apenas 8,6% são coletados e destes, 99,8% são tratados, ou seja, o nível total de coleta e de tratamento de esgoto sanitário do município é 8,6%.

Ponto de equilíbrio

Avaliando os indicadores divulgados pela Agenda 2020, Gerson Weigel, que está respondendo provisoriamente pelo departamento de Desenvolvimento Econômico até a nomeação de um novo secretário para a pasta de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Ciência e Tecnologia, diz que é perceptível a existência de problemas que estão presentes não apenas no local, mas em cenário nacional. 
Em relação ao que cabe à parte do Desenvolvimento Econômico, Gerson destacou a questão dos empregos: para ele, apesar do sinal amarelo, o munícipio ainda se encontra em posição de destaque em comparação com outras cidades. No seu ponto de vista, no entanto, é necessária a busca por um ponto de equilíbrio para que o sinal possa ficar verde, e isso já está acontecendo aos poucos. “Nós dependemos muito da cadeia do tabaco, que tem a característica de ser sazonal no emprego de pessoas, mas também temos outros setores que estão em crescimento e que já estão gerando emprego e renda. Acho que esse é o caminho”, comentou. 

Rio Grande do Sul no Sinal Vermelho

Além de mostrar a situação dos maiores municípios, o Sinaleira 2020 também apresenta uma visão geral da situação do Rio Grande do Sul. E os resultados do indicador, atualmente, não são bons. Dos 33 itens apresentados, 18 estão vermelhos, 12 estão amarelos e apenas três verdes. 
– No vermelho: Investimento público; Resultado orçamentário; Qualidade da educação; População com curso superior; Escolaridade da população adulta; Hospitais com certificação; Previdência pública; Gasto público com pessoal; Saneamento; Custo logístico; Perdas na distribuição de água; Homicídios; Tráfico de Drogas; Qualidade da malha rodoviária; População carcerária; Efetivo da Brigada Militar; Gastos com pesquisa e desenvolvimento; Exportação de produtos de alta tecnologia.
– No amarelo: Número de leitos hospitalares; Energia; Ranking de competitividade dos Estados; Gasto com Saúde; População Pobre; Índice de Gini; Irrigação; Renda per Capita dos Coredes; Pib per Capita dos Coredes; Índice de Desenvolvimento Humano (IDH); Pib per capita; Renda per capita.
– No verde: Parques tecnológicos; Número de doutores e mestres; Produtividade das lavouras.