
Nelson Treglia
O Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, será palco de mais um grande jogo. Neste sábado, 20 de agosto, Brasil e Alemanha decidem a medalha de ouro olímpica do futebol masculino, a partir de 17h30. Título inédito para os brasileiros e também para a Alemanha unificada. O jogo ocorre dois anos depois da goleada por 7 a 1 da Seleção Alemã sobre o escrete canarinho, na Copa do Mundo de 2014.
A partida pode ser encarada, por muitos torcedores, como uma possibilidade de revanche. Na tentativa de enxergar a situação sob outro ângulo, entrevistamos a professora Maria Luiza Rauber Schuster, diretora do Museu do Colégio Mauá e incentivadora da cultura germânica. Brasileira e descendente de alemães, Maria Luiza discorda da ideia de revanche: “Não acho que os confrontos esportivos devam ter a intenção de revanche, isso é um pensamento muito pobre”.
Vale sempre lembrar que o Brasil e a Alemanha, obviamente, possuem uma ligação muito forte aqui em Santa Cruz do Sul. Portanto, para esta e as outras rivalidades esportivas, sempre é bom transmitir uma mensagem de paz e comunhão.
Sem mais delongas, confira a entrevista com Maria Luiza Rauber Schuster:
Riovale – A senhora é brasileira, descendente de alemães e promove a cultura alemã. Como é para a senhora uma partida decisiva entre Brasil e Alemanha?
Maria Luiza – Sou brasileira e descendente de alemães. Sou formada em História e pesquisadora da imigração e cultura alemã. Participo ativamente do Centro Cultural 25 de Julho que tem por objetivo preservar a cultura dos imigrantes alemães. Nos esportes não sou muito ligada, mas quando há jogos decisivos de Copa do Mundo ou Olimpíadas confesso que fico mais atenta. Torço muito pelo Brasil, que é meu torrão natal e que acolheu meus antepassados e possibilitou a eles a sobrevivência no novo mundo.

Riovale – Depois dos 7 a 1 feitos pela Alemanha contra o Brasil em 2014, há quem estimule a rivalidade entre os dois países e fale em revanche. Do seu ponto de vista, que acompanha a cultura dos dois países, não seria melhor encarar uma derrota como algo normal do esporte? Afinal, esporte é competição e também integração.
Maria Luiza – Não acho que os confrontos esportivos devam ter a intenção de revanche, isso é um pensamento muito pobre. Parece-me uma atitude de quem não admite que foi vencido e não reconhece suas falhas. Penso que os brasileiros deveriam tirar lições positivas da derrota e empenhar-se sempre, não pensando que são os melhores e que não precisam mais fazer nada. Se não conseguiram mostrar qualidade e melhor desempenho é porque faltou alguma coisa no decorrer do período de preparo. O fato de poder encontrar o outro para partilhar competências é o que deve ser levado em conta. Momentos esportivos são ótimas oportunidades para conviver e demonstrar respeito para com o outro.
Riovale – Eventos como a Oktoberfest, do qual a senhora participa há anos, são uma boa oportunidade de reforçar os laços entre os dois países? O que acha sobre isso? Afinal, a rivalidade esportiva muitas vezes estimula a violência.
Maria Luiza – Mesmo não mais fazendo parte da organização da Oktoberfest nos últimos dois anos, ressalto a importância da festa e vejo-a como uma festa para conhecer-se a cultura alemã.
Conhecer, RESPEITAR e conviver com as diferentes culturas que estão no “sangue” do povo brasileiro é no mínimo valorizar a sua própria história. Penso que a rivalidade esportiva deve ser apenas dentro das quatro linhas do campo e sem violência, mostrando competência, preparo físico e psicológico. Se partem para a violência é porque precisam de ajuda psicológica e, no mínimo, devem aprender a respeitar o outro (valor que deve estar presente em todas as pessoas e em todas as situações da vida). Ganhar e perder faz parte da caminhada da vida.
Riovale – Quais as atividades que a senhora realiza atualmente em prol da cultura alemã em Santa Cruz do Sul? A senhora participará da próxima Oktoberfest?
Maria Luiza – Sempre gostei de estudar e pesquisar a cultura de diferentes povos. Como minha descendência é alemã, a possibilidade de pesquisar sobre o assunto mostrou-se maior e a ela me dedico há mais de 35 anos. Pesquisar, ler e conhecer mais sobre esta cultura faz parte do meu dia a dia. Atuo como vice-presidente Cultural do C.C. 25 de Julho de Santa Cruz do Sul e lá nosso objetivo é resgatar e preservar a cultura dos imigrantes alemães. Como integrante da comunidade santa-cruzense, do C.C. 25 de Julho e por gostar da cultura alemã participo da Oktoberfest em tudo que me agrada (jogos germânicos, bailes, Eisstocksport, aulas de Língua Alemã entre outras atividades).














