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Efasc debate uso de agrotóxicos

Alyne Motta
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Desde 2008, o Brasil, vem ocupando o lugar de maior consumidor de agrotóxicos no mundo. O uso excessivo está diretamente relacionado à atual política agrícola do país, adotada desde a década de 1960. Com o avanço, cresce um modelo de produção que concentra a terra e utiliza altas quantidades de venenos para garantir a produção em escala industrial.

O campo passou por uma “modernização” que impulsionou o aumento da produção, no entanto de forma extremamente dependente do uso dos pacotes agroquímicos. Assim, mais de um milhão de toneladas de venenos foram jogados nas lavouras somente em 2010, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), na última safra foram comercializados mais de 7 bilhões de dólares em agrotóxicos. Todo este mercado está concentrado em apenas seis grandes empresas transnacionais, que controlam mais de 80% do mercado dos venenos.

Nesse quadro, os agrotóxicos já ocupam o quarto lugar no ranking de intoxicações. Ficam atrás apenas dos medicamentos, acidentes com animais peçonhentos e produtos de limpeza. O uso de agrotóxicos está deixando de ser uma questão relacionada especificamente à produção agrícola e se transformando em um problema de saúde pública e preservação da natureza.

Efasc debateu o uso dos agrotóxicos com mais de 100 estudantes

Com todo esse cenário, a Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (Efasc) buscou debater a questão do uso dos agrotóxicos com seus alunos, que frequentam o Técnico Agrícola através da pedagogia de alternância. Conforme o coordenador da Efasc, João Paulo Reis Costa, esse é o início de uma mudança.

“Sabemos que a produção sem veneno começa na horta de casa. Então debater com nossos alunos é mostrar para eles que é possível, através de estudo, experiências e práticas cotidianas”, revela João. O evento aconteceu durante toda quinta-feira, 1 de dezembro, e trouxe convidados para mostrar seus relatos.

João explica que a reflexão com a prática é o principal foco da Escola. “Não adianta termos uma teoria bem estruturada e os estudantes, junto com seus pais, não puderem colocar 100% em prática na sua propriedade. É preciso buscar um meio termo entre as questões”, comenta o coordenador.

O debate contou com a presença da professora Virgínia Etges, do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade de Santa Cruz do Sul (PPGDR/Unisc), de Gustavo Ayres, agrônomo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e de Rogerio Boemke, agrônomo do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA).

A tarde foi a vez da professora Janaina Bernardo, da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) e de egressos da Efasc apresentarem seus trabalhos. Estiveram presentes os acadêmicos em agronomia pela Uergs, Evandro Lucas e Patrick Lopes, além e Jardel Maleitzke, que estuda Técnino em Horticultura, também pela Uergs.

O porquê do debate

Na madrugada do dia três de dezembro de 1984, de 27 a 40 toneladas dos gases tóxicos, utilizados na elaboração de um praguicida conhecido como Sevin, vazaram da fábrica de agrotóxicos da Union Carbide Corporation, em Bhopal, Índia, matando milhares de pessoas e deixando outras tantas com sequelas para o resto de suas vidas.

Os gases provocaram queimaduras nos tecidos dos olhos e dos pulmões, atravessaram as correntes sanguíneas, danificando praticamente todos os sistemas do corpo. Muitas pessoas morreram dormindo; outras saíram cambaleando de suas casas, cegas e sufocadas, para perderem a vida no meio das ruas ou, pouco tempo depois, em hospitais e prontos-socorros.

Ainda hoje, sobreviventes crônicas necessitam de cuidados médicos e uma segunda geração de crianças continua a sofrer com os efeitos. A Union Carbide se negou a fornecer informações detalhadas sobre a natureza dos venenos e seus efeitos à saúde e, como consequência, os médicos não tiveram condições de tratar adequadamente os indivíduos contaminados.

Há, ainda, um gigantesco passivo ambiental pelo qual ninguém foi responsabilizado. Sobre esse episódio que ficou marcado como uns dos mais tristes da história, e que deu origem ao Dia Mundial de Combate aos Agrotóxicos, data em que se propõe refletir sobre os desafios enfrentados na busca por um modelo de produção agrícola mais sustentável.

 

Encontro das EFAs do RS

Nos dias 23 a 25 de novembro a Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (Eafasc) sediou o do II Encontro de Formação da Juventude da Agricultura Familiar das EFAs do RS (Efasc, Efaserra, Efasol e Efasul), reunindo cerca de 280 pessoas, sendo 230 estudantes e 35 monitores das 4 escolas (oriundos de cerca de 40 municípios do RS), além de agricultores familiares que gestam as associações das EFAs.

Encontro reuniu a Efasc, Efasol, Efaserra e Efasul

Foram três dias de trocas, reflexões e atividades protagonizadas pela juventude das EFAs, com toda sua diversidade, pois eram jovens do vale do Rio Pardo, da Serra Gaúcha e do sul do RS. Estiveram presentes também representantes da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR).

O encontro teve por objetivo envolver os jovens beneficiados pelo projeto “Juventudes do Campo”, uma parceria entre AGEFA e SDR, com vistas a proporcionar momentos de integração, reflexão, debates, relatar as ações desenvolvidas e apresentar dos resultados do projeto para a SDR, parceira desse projeto que beneficia as EFAs do RS.