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Exercício de aula transformado em livro

LUANA CIECELSKI
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Quando o texto escrito pelo estudante Gabriel Rodrigues, de 16 anos, foi lido na frente do público que estava presente na Escola Municipal de Ensino Fundamental Harmonia na manhã da última sexta-feira, 18 de agosto, a mãe dele não pode conter as lágrimas. Na crônica escrita pelo jovem, ele conta episódios de sua infância, das ocasiões em que fugia de casa ou se envolvia em brigas de escola afirmando que esse tipo de aventura era a sua paixão, mesmo que elas lhe rendessem castigos. No mesmo texto, porém, ele explica mas que elas já não o são. Que mais quieto, ele está pronto para novas experiências, menos perigosas. Paixões que talvez deixem sua mãe mais feliz.

A crônica dele foi lida porque faz parte de uma coletânea de textos escritos por alunos do 9º ano dessa escola, localizada no bairro Santa Vitória. Mas não simples textos. Eles foram produzidos durante as aulas de Língua Portuguesa da professora Maira Andrea Leite da Silva como parte de um projeto de incentivo à escrita desenvolvido por ela, e o projeto foi selecionado pelo MEC como um dos 20 melhores do país. Então, com o apoio da Secretaria Municipal de Educação essas crônicas viraram livro. E o livro foi entregue aos pais e alunos nessa sexta-feira.

Coletânea de crônicas foi transformada em livro

Regado a lágrimas, como as da mãe de Gabriel, o evento contou com a leitura de diversos textos e mostrou, não apenas o potencial que os estudantes das escolas públicas de Santa Cruz do Sul têm, mas também suas realidades, seus questionamentos adolescentes, a rotina levada por cada um deles e o mais importante: a consciência da importância da educação para os futuros deles. É como disse a Larissa do Amaral em seu texto “As nossas atitudes hoje, sem dúvida irão refletir em nosso futuro amanhã”.

Ao fim da solenidade os pais entregaram os livros aos filhos como um sinal de reconhecimento. Outro grande reconhecimento, porém, ainda está a caminho. Nos dia 3 e 4 de outubro a grande final do concurso de projetos do MEC acontece em São Paulo e a professora irá até lá para representar a turma e mostrar o livro construído com os textos.

Gabriel emocionou a mãe ao falar de sua história em crônica

EXERCÍCIO

Como apontou durante sua fala, a professora Maira, responsável pelo projeto, escrever é um exercício. “No início alguns disseram pra mim que não saberiam escrever. Eu disse a eles então que eles poderiam escrever qualquer coisa, da forma que conseguissem e que aos poucos trabalharíamos nesse texto. Foi o que fizemos”, ela conta. E assim, o processo teve várias etapas. “Eles escreveram, eu corrigi, eles reescreveram e eu corrigi novamente, depois cada um deles compartilhou seu texto com os colegas em uma roda de conversas e todos colaboraram no texto de todos. E assim conseguimos bons textos. Com muito exercício”, explicou.

Gabriel Rodrigues, o estudante do início do texto confirma. “No início eu nem sabia o que era uma crônica. Foi difícil começar. Mas aos poucos eu me dei conta de que estava fazendo o texto”, comenta.

Alunos:

Adair José
Adrwian Mattos
Alison Dornelles
Ana Rodrigues
Andriele Chaves
Brenda Tavares
Caren Voeltz
Carol Regert
Eduarda Haag
Elias Brandão
Gabriel Rodrigues
Giseli Almeida
Ingrid Rosa
João Rodrigues
Katiusa Andres
Kauan Eduardo da Rosa
Larissa Amaral
Larissa do Amaral
Leonardo dos Santos
Leonardo Santos
Luís Gustavo
Luiz Ângelo
Maria Eduarda
Maria Eduarda Oliveira
Natália Silva
Raiane Silva
Rodrigo Pranke
Thamires Silva
Wagner Bruno Bento

 

CRÔNICA DO LIVRO

As aparências enganam

Wagner Bruno Bento

Em busca de algo que rendesse uma crônica, saímos para uma exposição que estava acontecendo na cidade de Rio Pardo.

Chegando no parque, comecei a observar coisas que lá estavam expostas. Numa dessas vi um casal e parei para observar como era a vida deles. Vi que eles trocavam olhares, dava para perceber que era um amor verdadeiro e lá fiquei um bom tempo, sem que reparassem na minha presença.

Depois de um tempo parado, observando aquilo, chegou um amigo meu para perguntar o que eu estava fazendo ali. Aí expliquei que eu estava observando os dois para depois produzir meu texto.

Me lembrei que deveria tirar uma foto do que eu iria fazer a crônica, mas me esqueci de tirar o flash e com o clarão, eu fui descoberto e acabei espantando o casal, fazendo cada um voar para o seu lado.

Assim, literalmente, separei os pombinhos.