LUANA CIECELSKI
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O Instituto Souza Cruz recebeu, na última quarta-feira, 30 de agosto, um certificado da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (ONU-FAO) que reconhece o Programa Novos Rurais como uma boa prática para o Desenvolvimento Sustentável. A certificação foi entregue pelo oficial de Programas da ONU-FAO para o Sul do Brasil, Antonio Carlos Biasi, ao diretor do Instituto Souza Cruz, Dimar Frozza, à gerente executiva, Aline Almeida, e ao assessor de Comunicação, Guilherme Mattoso. A entrega ocorreu em Santa Cruz do Sul (RS), durante lançamento e exibição do minidocumentário Novos Rurais, que comemora os cinco anos da iniciativa.
Este reconhecimento reforça a relevância do Programa Novos Rurais que é hoje uma das principais ações do instituto. Ele foca na formação teórica de jovens do campo, no incentivo à criação de projetos que tenham como objetivo o desenvolvimento de comunidades rurais, bem como patrocínio financeiro para que esses jovens transformem seus projetos em realidade. O trabalho é realizado em quatro estados (os três do Sul e o Rio de Janeiro), e no Rio Grande do Sul, o projeto acontece em Canguçu e em Frederico Westphalen.
Um dos exemplos do sucesso desse trabalho são os irmãos James e Jaderson Roschildt, de Canguçu (RS), que participaram do documentário e vieram a Santa Cruz para o lançamento do filme. Na oportunidade eles falaram sobre o sucesso das atividades de mecânica desenvolvidas por eles na Zona Sul do Estado. “O campo precisa de cada vez mais tecnologia, e precisa também de pessoas que possuam os conhecimentos necessários para trabalhar com essas tecnologias”, apontaram, justificando que há espaço, sim para os jovens no campo, e espaço para jovens com formação.

O projeto dos jovens consiste na abertura de uma oficina mecânica especializada em maquinário agrícola. A ideia surgiu da necessidade da família e de produtores vizinhos. “A colheita, por exemplo, acontece em um período de tempo muito curto, e precisa de agilidade, mas muitas vezes não se tinha isso porque na metade do trabalho estragava uma máquina e não havia quem consertasse o problema logo. Era necessário levar a máquina para outra cidade para o conserto. Todo o trabalho ficava comprometido”, explicaram. Hoje ambos se sentem realizados. “Nós não diversificamos a nossa propriedade apenas. Nós conseguimos a admiração, a credibilidade e o nosso espaço. Mostramos que os jovens do campo são um bom futuro para o campo”.
Em cinco anos, além dos irmãos citados, o projeto já capacitou 2.260 jovens empreendedores no meio rural, viabilizando a criação de quase 800 novos negócios, com geração de riqueza de mais de R$ 21 milhões. A iniciativa, que contabiliza mais de três mil pessoas beneficiadas, em 140 municípios brasileiros, propicia que jovens empreendedores escolham permanecer e prosperar no campo, gerando desenvolvimento econômico e qualidade de vida.
RECONHECIMENTO
De acordo com o oficial de Programas da ONU-FAO para o Sul do Brasil, Antonio Carlos Biasi, o reconhecimento foi dado ao instituto por sua importância e exemplo. “Todos os projetos que nós acrescentamos à lista das Boas Práticas para o Desenvolvimento Sustentável, são projetos que trabalhem os jovens do campo, com agricultura familiar, ou que demostrem preocupação com o meio ambiente”, explicou. E todos esses projetos precisam ter uma característica: a de poder ser reproduzidos de forma semelhante em outros lugares do mundo. “Esse do Instituto envolve um processo muito importante na medida que envolve jovens rurais e tem esse objetivo de crescimento e melhoria das condições de vida do campo”, aponta. Por isso foi reconhecido.
Para o diretor do Instituto Souza Cruz, Dimar Frozza o reconhecimento da ONU é a coroação do trabalho que vem sendo realizado. “Ele valida o que foi estabelecido como projeto, ou seja, o incentivo ao jovem do campo para que ele desenvolva suas potencialidades”. Ele apontou que esse sempre foi o desejo da Souza Cruz como empresa também. “Ela quer que o campo fique cada vez melhor, quer que essa melhoria se traduza em aumento da qualidade de vida das pessoas do campo, porque são os nossos parceiros na nossa atividade. O futuro da economia depende do futuro do campo. É uma troca”
O FILME
A exibição do minidocumentário Novos Rurais reuniu colaboradores da Souza Cruz, convidados e imprensa na quarta-feira, em quatro sessões. O filme conta a história de cinco jovens agricultores que tiveram suas vidas transformadas pelo projeto e hoje são empreendedores de sucesso no campo, levando inovação, geração de renda e prosperidade para pequenos municípios e localidades rurais, mudando a realidade da agricultura familiar brasileira. Além dos dois irmãos já citados, outro gaúcho que aparece no filme é Rafael Goulart, também de Canguçu, cujo empreendimento está focado no casqueamento de cavalos.














