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Covid-19: vacina baseada em tabaco é testada

Empresa canadense Medicago espera produzir 100 milhões de doses

Ricardo Gais
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A planta utilizada é uma espécie de parente do tabaco – Ricardo Gais

Seguindo uma linha diferente de testes da vacina para combater a pandemia de Covid-19, a biofarmacêutica canadense Medicago, com sede na cidade de Quebec, a partir da planta Nicotiana benthamiana, iniciou os ensaios clínicos para a primeira fase de testes de uma vacina com base na planta que é parente do tabaco. Está fase será para comprovar a segurança da vacina em seres humanos.

De acordo a nota divulgada no site da empresa, a vice-presidente executiva de assuntos científicos e médicos da Medicago, Nathalie Landry, espera obter resultados satisfatórios. “Estamos empolgados ao ver nosso candidato à vacina Covid-19 entrar no estudo de fase um e esperamos obter resultados de segurança e imunogenicidade em outubro”, disse e destaca: “nosso progresso continua a demonstrar o valor da tecnologia exclusiva de vacinas à base de plantas da Medicago”.

A empresa informou que o teste será feito em 180 voluntários, homens e mulheres saudáveis, com idade entre 18 e 55 anos, de forma randômica duplo-cega, ou seja, o tipo de teste mais confiável para a comunidade científica.

Até o final de 2021, a Medicago espera fabricar cerca de 100 milhões de doses e, com uma nova instalação de grande escala da empresa, que deverá ficar pronta até o final de 2023, espera produzir 1 bilhão de doses da vacina para Covid-19 anualmente.

A planta Nicotiana benthamiana, que está sendo usada para os testes da vacina, é natural da Austrália e possui um sistema imunológico fraco que a permite guardar o material genético do vírus. A intenção da Medicago é utilizar a planta para produzir partículas parecidas com a do vírus, capazes de serem reconhecidas pelo sistema imunológico e estimularem uma resposta imunológica de maneira não infecciosa. Os testes pré-clínicos, segundo a companhia, mostraram níveis altos de anticorpos neutralizantes com apenas uma dose.

A empresa canadense também demonstrou sua capacidade de produzir uma grande quantidade de vacinas em um curto período de tempo, com a produção em 2012 de 10 milhões de doses de vacinas contra a influenza H1N1.

A empresa, fundada a partir de uma parceria entre a Universidade de Laval e o Departamento de Agricultura do Canadá, tem atualmente a Mitsubishi Tanabe Pharma como principal acionista e a Philip Morris International como acionista minoritário e já trabalha há 20 anos na produção de vacinas utilizando plantas. (Com informações da revista Exame).