
Foto: Rodrigo Assmann
A edição especial do Tá na Hora, realizada no dia 26 deste mês, durante a Expoagro Afubra, em Rincão del Rey, Rio Pardo, reuniu lideranças do setor fumageiro para discutir a integração entre campo, comércio e indústria. Promovido pela Associação Comercial e Industrial (ACI) de Santa Cruz do Sul, o encontro reforçou o papel estratégico do tabaco na sustentação da economia regional, mesmo diante de crises climáticas.
Mediado pela vice-presidente regional da Federasul (Federação das Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul), Nicéia Wünsch, o painel expôs números que evidenciam a força da fumicultura. Marcílio Laurindo Drescher, presidente da Afubra (Associação dos Fumicultores do Brasil), destacou que a diversidade de temas na feira reflete a complexidade do setor. Segundo dados da entidade, a safra 2024/25 mostra rentabilidade muito superior às principais commodities de grãos: enquanto o tabaco gera receita média de R$ 47 mil por hectare, milho e soja ficam bem atrás. “Esses números explicam por que o tabaco permanece como a base da viabilidade econômica para as pequenas propriedades de agricultura familiar na região Sul”, afirmou Drescher.
Valmor Thesing, presidente do SindiTabaco (Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco), ressaltou que a cultura responde por cerca de 50% do PIB dos municípios produtores. “Santa Cruz do Sul consolidou-se como o segundo maior exportador do Rio Grande do Sul e o terceiro maior arrecadador de impostos”, apontou. Ele lembrou que 80,4% dos produtores pertencem às classes A e B, com renda per capita média de R$ 3.540,75 – mais que o dobro da nacional. Em 2025, as exportações brasileiras somaram 561.052 toneladas, movimentando US$ 3,389 bilhões, alta de 13,84% sobre o ano anterior. O dirigente alertou, porém, para o desafio do contrabando, que atinge 32% no país, quase o triplo da média mundial.
O impacto social e ambiental também foi destacado. Gilson Becker, presidente da Amprotabaco (Associação dos Municípios Produtores de Tabaco) e prefeito de Vera Cruz, lembrou que o tabaco garantiu renda estável em 528 municípios do Sul, mesmo quando soja e milho sofreram perdas climáticas. “O tabaco tem se mostrado uma cultura muito resiliente pela época do plantio e pela estabilização dos valores”, observou. Embora ocupe apenas 21,4% da área das propriedades, responde por 52% da renda familiar e mantém 24,4% das áreas preservadas.
O presidente da ACI, Marco Antônio Borba, reforçou o efeito multiplicador da cadeia produtiva. “Esse capital, ao ingressar na nossa região, sustenta o varejo, impulsiona o setor imobiliário e demanda uma rede complexa de serviços e logística que fortalece centenas de empresas locais”, afirmou. O Tá na Hora contou com patrocínio de Sicredi, BRDE, BAT, Philip Morris, Banrisul/Vero, Unimed, Gazeta, Unisc, JTI e Universal Leaf.
Segurança e desenvolvimento em pauta
A ACI de Santa Cruz do Sul promoverá, no dia 14 de abril, mais uma edição da reunião-almoço Tá na Hora. O encontro, marcado para o meio-dia no restaurante do Hotel Águas Claras, terá como tema central “Segurança e Desenvolvimento”. As inscrições para o evento podem ser feitas pelo WhatsApp da ACI (51) 3713-1400. O valor é de R$ 100,00 para associados e R$ 140,00 para não associados.
O convidado desta edição é o superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, delegado Alessandro Maciel Lopes. Com ampla experiência na área, ele já atuou como coordenador-geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro da PF e integrou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Também representou a Interpol no Brasil e chefiou delegacias estratégicas, como a de Santana do Livramento, acumulando vivência no enfrentamento ao crime organizado e nos desafios da segurança de fronteira.
Segundo a ACI, a escolha do palestrante reflete a preocupação da classe empresarial com a relação direta entre um ambiente seguro e o desenvolvimento econômico. Além da trajetória na Polícia Federal, Lopes possui sólida formação acadêmica: é mestre em Ciências Criminais pela PUCRS, especialista em Direito Processual Penal pela Escola Paulista da Magistratura e professor da Academia Nacional de Polícia.

Foto: Divulgação














