Início Geral A 'ciência do tabaco' em pauta

A 'ciência do tabaco' em pauta

LUANA CIECELSKI
[email protected]

Produzir e tornar público boas práticas, relatórios científicos seguros e pesquisas em geral, e ainda estabelecer uma rede de contatos para os cientistas que pesquisam sobre o tabaco em todo o mundo. Esse é o objetivo do Agro-Phyto Joint Study Groups Meeting do Coresta (Centro de Cooperação para Estudos Científicos em Tabaco), maior evento mundial em torno da “ciência do tabaco”, que está sendo realizado em Santa Cruz do Sul nessa semana. O anfitrião é o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco). 

As atividades iniciaram na noite de domingo, 22 de outubro, com um jantar de boas-vindas às delegações, que foi realizado no Santa Cruz Country Club. O evento em si, porém, foi aberto oficialmente na manhã de ontem, 23 de outubro, com apresentações do presidente do SindiTabaco, Iro schünke, que trouxe aos presentes informações sobre a produção de tabaco no Brasil, e do superintendente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Bernardo Todeschini, que falou do agronegócio no país. 

Abertura do evento foi feita pelo presidente do Sinditabaco, Iro Schünke

A programação segue até a próxima quinta-feira, dia 26, e acontece na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). No total, serão apresentados 72 trabalhos, sendo 60 orais e 12 no formato de pôster. Todos eles seguem o objetivo de avançar na ciência do tabaco, apontando práticas inovadoras. Entre os assuntos que serão abordados estão a biotecnologia, as práticas de produção, os cruzamentos moleculares e nutrientes, o controle biológico e a produção sustentável de tabaco, entre outros. Entre os apresentadores, estão engenheiros agrônomos, fitopatologistas, geneticistas, entre outros especialistas.  

A agenda completa pode ser conferida no site do Coresta, disponível no endereço eletrônico www.corestabrazil.com. Toda essa agenda faz parte de encontros anuais que são organizados pelo Centro de Cooperação. Além dessas conferências internacionais, que visam reunir cientistas de todo o mundo para apresentações de trabalhos, o Coresta também organiza reuniões de 24 grupos de trabalhos que buscam discutir permanentemente o progresso nas lavouras e na indústria do tabaco. Até o momento, para se ter uma ideia, graças a esses grupos de pesquisa, 37 métodos recomendados pelo Coresta já se tornaram padrões internacionais através do ISO, e outros cinco estão sendo desenvolvidos. 

Estão participando dessas atividades, delegações de 22 países, – Africa do Sul, Alemanha, Argentina, Áustria, Brasil, Chile, China, Croácia, Cuba, Emirados Árabes, Estados Unidos, Filipinas, França, Grécia, Índia, Itália, Japão, Malaui, Paragua, Reino Unido, Suíça e Zimbábue – totalizando cerca de 200 pessoas. Os membros do Coresta são organizações que estão ligadas à cadeia do tabaco. Eles vão de fabricantes, até governos, passando por universidades, institutosde pesquisa, associações e sindicatos – como é o caso do SindiTabaco – além de fornecedores, laboratórios, entre outros.

Essa é a segunda edição do coresta Agro-Phyto em Santa cruz do Sul e a terceira realizada no Brasil. A primeira vez que o evento aconteceu por aqui, foi em 1987, em Porto Alegre. Depois disso, em 2005, Santa Cruz do Sul recebeu as comitivas. 

Pesquisa daqui

Entre os trabalhos que foram apresentados no Coresta nessa segunda-feira, 23 de outubro, estava um projeto desenvolvido pelo Sinditabaco na região, o Programa de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos. A apresentação foi feita pelo coordenador do programa, Carlos Sehn, que destacou o benefício do projeto ao meio ambiente ao pequeno produtor. 

Criado no ano 2000, o programa antecedeu a legislação de 2002 que determina a devolução das embalagens às suas respectivas origens e atualmente, 550 município do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina são atendidos pela coleta itinerante. No total, são 2,6 mil pontos de recebimento na zona rural, o que beneficia um universo de 120 mil produtores em oito regiões produtoras. Graças ao projeto, quase 15 milhões de embalagens já foram retiradas do campo e encaminhadas ao Insituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV). 

*Com informações: Sinditabaco

“O tabaco é importante para o Brasil, sim”
Durante sua participação na abertura do Coresta, o superintendente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Bernardo Todeschini, falou à imprensa sobre o tabaco e a economia do Brasil, e afirmou que o produto é importante, inclusive pelo seu lado social. “Nós temos cerca de 150 mil produtores em pequenas propriedades que vivem muito dignamente a partir da produção de tabaco. E todas as características de sustentabilidade sociais, são extremamente relevantes. São pessoas que se mantém no campo”, disse. Além disso, ele considera a produção de tabaco um exemplo relevante de modelo de agronegócio brasileiro, porque é um sistema muito organizado, onde são produzidos guias e manuais tanto de proteção ambiental, quanto de proteção de saúde. 

Ele também apontou que existe, sim regulamentações e restrições de consumo impostas pelo governo brasileiro e voltadas para o consumo do tabaco no país, mas que, tendo por base dados divulgados pelo próprio sistema tabagista, isso não deveria ser um preocupação. “90% do tabaco produzido no Brasil é para a exportação, ou seja, não fica aqui. Então, independentemente de qualquer tipo de regulamentação que exista dentro do Brasil, o impacto da redução de consumo nacional é extremamente reduzido na cadeia. Só o que impactaria é a redução da exportação. Portanto, a preocupação deve ser com como o mercado internacional tende a se comportar no futuro em relação ao tabaco”, defendeu. 

E no sentido do mercado internacional, porém, a produção de tabaco deve estar garantida e eventos como o Coresta é que ajudam a manter o interesse pelo tabaco, conforme apontou Todeschini. “É sempre importante que se traga esse tipo de evento com suas tecnologias porque a discussão sempre trás benefícios para o funcionamento da cadeia”, finalizou.