Início Geral "A culpa é dos humanos", diz veterinário

"A culpa é dos humanos", diz veterinário

LUANA CIECELSKI
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Técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Divisão de Vigilância Ambiental da Secretaria Estadual da Saúde estiveram em Santa Cruz na última quarta-feira, 2 de julho, com o objetivo de resgatar o macaco que foi flagrado com uma lata presa à pata na Gruta dos Índios. A equipe visitou o parque para analisar o espaço, participou de reunião com a prefeitura e fez uma tentativa de captura no início da tarde, porém, em função do clima o animal não foi localizado. “Em dias de chuva eles não aparecem”, explicou o médico veterinário do Ibama, Paulo Guilherme Carniel Wagner, que é responsável pela área de fauna silvestre no Rio Grande do Sul.

Na oportunidade, Paulo e o biólogo do Estado, André Alberto Wilt fizeram um apelo: a comunidade precisa se conscientizar de que é proibido alimentar os animais, porque isso faz mal a todos. “Se esse animal está ferido a culpa é dos humanos que vieram aqui e ensinaram a ele que humanos dão comida”, apontou Paulo. “É por isso que eles procuram esses alimentos. É por isso que ele ficou com a pata presa em uma lata”. Paulo também reiterou que os animais silvestres não passam fome. “Eles não precisam dos alimentos dos humanos. Eles conseguem se alimentar na natureza”.

Paulo Carniel:

Pedidos também foram feitos à prefeitura. Durante a visita ao Parque da Gruta eles observaram que algumas adaptações necessárias no parque. Uma delas é a instalação de 30 placas informativas, indicando que é proibido alimentar animais. A outra é uma troca de lixeiras. As atuais são abertas, ou seja, os animais do parque conseguem alimentos humanos por ali também. O secretário de comunicação, Régis de Oliveira Júnior, que participou da visita e da reunião, informou que as placas deverão ser instaladas já na próxima semana tanto na área de circulação do parque quanto nas trilhas, e que a troca de lixeiras dependerá de uma licitação, mas que também será providenciada com máxima urgência.

Além disso, ele informou que a prefeitura pretende instalar em breve um conjunto de câmeras de vídeo monitoramento no local. “Assim será possível identificar quem está alimentando os animais”. Régis apontou ainda que uma campanha também deverá ser realizada com moradores do entorno do Parque da Gruta, pois como foi apontado pelo veterinário do Ibama, há muitas residências próximas e o macaco que foi visto com a lata pode ter tido acesso a ela a partir de uma das casas próximas.

Outra novidade ainda, é que na reunião realizada entre Prefeitura e IBAMA, foi formalizado um pedido de treinamento para os funcionários da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Atualmente, não há nenhum servidor apto a atuar em uma ocorrência de captura de animal silvestre. O treinamento deverá acontecer em breve e servirá para que o próprio município possa atuar de forma mais rápida e eficiente se situações como a do macaco ferido surgirem futuramente. A prefeitura também fará a aquisição dos equipamentos necessários para essas capturas, como rifles, anestésicos, gaiolas, armadilhas, entre outros.

A CAPTURA

Devido ao mau tempo, a captura do macaco ferido não pode ser realizada na quarta-feira, porém, os técnicos deverão retornar à cidade nos próximos dias para fazer novas tentativas. A equipe utilizará dardos com soníferos para conseguir uma aproximação do animal. O que será feito em seguida, segundo o veterinário Paulo, dependerá das condições do animal.

“Muito provavelmente ele está com uma lesão na pata. Acreditamos que a lata de bordas cortantes tenha ficado presa no animal no momento em que ele tentou tirá-la, como se fosse um anzol. Então é bastante provável que ele tenha que ser levado até a clínica veterinária da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), onde receberá tratamento e cuidados até estar curado. Depois ele será solto no seu habitat novamente”, explicou Paulo.

André esclareceu ainda que a equipe técnica não entrará na mata a procura do animal, porque seria muito difícil encontrá-lo já que a área percorrida por esses animais é muito grande. O espaço deles vai do bairro Higienópolis, por todo o Acesso Grasel, bairro Country, Belvedere, Margarida Monte Verde, até Linha Santa Cruz, bairro Renascença e Rio Pardinho. “O local que eles mais frequentam é a gruta, especialmente nos dias de mais movimento, então é mais fácil e rápido esperarmos por uma aparição deles aqui”, diz.