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A história e a arquitetura da Catedral

LUANA CIECELSKI
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O patrimônio arquitetônico de um município é um dos mais importantes. Para cidades como Santa Cruz do Sul, que possuem diversos prédios de variadas épocas, construídos por muitas mãos e com esforço da própria comunidade em muitos casos, nem se fala. E é justamente com o objetivo de chamar a atenção para esse aspecto, e para a necessidade de preservar esse patrimônio, que está acontecendo, desde o último domingo, 24 de setembro, dentro da Catedral São João Batista uma exposição artística de fotos e materiais arquitetônicos sobre o prédio. 

Todo o material foi reunido pelo arquiteto e professor Ronaldo Wink e é parte integrante do livro “Catedral São João Batista Um Marco de Fé, História e Arquitetura”, lançado em 2006. Juntos, o livro e a exposição procuram contar um pouco da história do prédio que se transformou, por sua imponência e grandeza, num marco arquitetônico para a cidade e num dos principais pontos turísticos. 

Exposição está instalada no saguão da Catedral e traz, além de painéis, itens da própria estrutura

Tudo é apresentado por meio de quatro divisões. A primeira delas mostra imagens e conta a história da primeira Igreja Matriz da cidade. A segunda apresenta a elaboração do projeto de construção da Catedral. A terceira parte, nos mostra o processo de construção da nova igreja. E a quarta parte, por fim, mostra a grande restauração que foi realizada no fim da década de 1990 e início dos anos 2000. Tudo isso através de painéis, e também de estruturas retiradas da própria Catedral durante a restauração. 

A exposição, que segue aberta ao público até o dia 31 de dezembro, também fará parte da programação da 33ª Oktoberfest, que acontece entre os dias 4 a 15 de outubro, e que em 2017 tem como tema “Tradição, Cultura e Fé”. A mostra é, portanto, uma promoção da Coordenação de Cultura da 33ª Oktoberfest, da Paróquia São João Batista e da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), com patrocínio da Associação de Entidades Empresariais de Santa Cruz do Sul (Assemp) e Souza Cruz. 

MUSEU ECLESIÁSTICO

Essa não é a primeira vez que a mostra organizada por Wink é exposta e, se tudo correr como desejado, não será a última. Conforme conta o arquiteto, originalmente, a mostra foi organizada para ser apresentada no Quiosque da Praça durante o lançamento do livro. Depois disso, ela ficou durante um tempo no extinto Memorial das Artes de Santa Cruz do Sul (MASC), porém, com o fechamento do espaço, os painéis foram levados ao coro da Catedral onde permaneceram guardados até agora. A ideia, porém, é que em breve a exposição possa ser levada para um lugar definitivo, um Museu Eclesiástico da Paróquia São João Batista.

Conforme explica Wink, esse é um sonho antigo. Ainda não existe um lugar certo para a abertura do museu, nem se sabe ao certo quando será possível colocá-lo em prática, porém, todas as possibilidades estão sendo estudadas. “A paróquia possui uma série de itens históricos que vêm sendo guardados desde sua fundação (em 1859). E temos essa mostra sobre a Catedral pronta, então há muitas coisas a mostrar para os turistas e também para a comunidade”, aponta Wink. 

A Catedral 
A Catedral São João Batista está localizada na Rua Ramiro Barcelos, em frete à Praça Getúlio Vargas e é a maior em estilo neo-gótico da América Latina, além de ser o símbolo da cidade de Santa Cruz do Sul. O projeto original é de 1927 e foi construído pelo arquiteto autro-gemânico Simão Gramlich. Esse projeto, porém, sofreu alterações em 1934 pelas mãos do arquiteto alemão Ernesto Matheis e pelo engenheiro brasileiro (formado na Alemanha) Henrique Schütz. 
A Catedral tem 80 metros de comprimento, 32 metros de largura, duas torres frontais com 82 metros de altura e outras oito torres laterais, quatro com 37 metros e quatro com 38 metros. Além delas, porém, a igreja também possui 218 pequenas torres, conhecidas como capelinhas. 
As paredes externas têm 13.500 metros quadrados de área de revestimento e fazem parte da igreja quatro sinos, vindos da Alemanha. Juntos eles pesam 3.200 quilos. 
Também fazem parte da Catedral, 226 vitrais coloridos artísticos e geométricos, além de 853 ornamentos góticos em 11 módulos diferentes, além de um grande quadro do calvários com 14 metros de altura. Outra curiosidade é que o relógio que pode ser visto na frente da igreja, veio da Alemanha no final do século passado e possui dois metros de diâmetro.