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Adulteração novamente encontrada no Estado

Luana Ciecelski
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Duas marcas de leite bastante conhecidas pelos santa-cruzenses tiveram álcool etílico identificado em suas formulas através amostras de leite cru refrigerado. Tratam-se das empresas Piá e Santa Clara, que precisaram providenciar o recolhimento de lotes irregulares das prateleiras dos supermercados, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor.
O problema foi constatado na primeira quinzena de julho, mas o fato só se tornou público na última segunda-feira, 4 de agosto, quando o Ministério da Agricultura publicou uma nota em seu site, e quando a maior parte do produto já havia sido recolhido.
O produto era utilizado na produção do leite longa vida (UHT) e de requeijão da marca Piá e do leite pasteurizado da empresa Santa Clara. A presença de álcool no leite é considerada fraude, pois mascara a adição irregular de água no produto.


Divulgação/Internet

Lotes de leite integral Piá, fabricados em 26 de junho e de requeijão light (200g) fabricado em 30 de junho estão sendo recolhidos

A PIÁ

Com a aprovação do recall pelo Ministério da Justiça, a cooperativa está tendo que recolher os lotes de leite integral Piá, fabricados em 26 de junho de 2014 com data de validade até 26 de outubro de 2014 – os lotes L02/2 e L2-3 – e também o lote de requeijão light (200g) fabricado em 30 de junho de 2014 com data de validade até 30 de setembro de 2014 – lote L2. No total são 50 mil litros do leite e 30 mil embalagens do requeijão.
A Piá divulgou nota onde afirma ter acatado a decisão de retirar os lotes do mercado, mas nega qualquer problema na fabricação dos produtos. “Nas análises internas e nas amostras dos referidos lotes enviados para análise externa em laboratório credenciado pelo Ministério da Agricultura, não ficou constatada qualquer irregularidade nos itens produzidos”, diz a cooperativa na nota.
Além disso, a Cooperativa Petrópolis, responsável pelos laticínios Piá, informou que irá até a casa dos consumidores recolher os produtos dos lotes em que foi detectado traços de álcool etílico e que fará a substituição dos produtos alterados. Basta que os consumidores façam contato pelo SAC 0800-9702099.

A SANTA CLARA

A cooperativa Santa Clara teve a alteração no produto constatada após uma inspeção realizada no dia 24 de junho, em Carlos Barbosa, que analisou amostras de leite cru refrigerado produzido pela indústria.
Os lotes que contam com álcool em sua composição ainda não foram confirmados pela empresa. Sabe-se apenas que a irregularidade envolve o leite pasteurizado, fabricado para ser consumido em até seis dias, o famoso leite de saquinho.
De acordo com nota oficial divulgada pela empresa, os leites recebidos estão todos em condições de consumo e com processamento adequado. Conforme a cooperativa, o lote avaliado era de um posto de resfriamento de Veranópolis, da mesma região, e foram testados pela empresa, que não constatou nenhuma irregularidade.

ANTES DE CHEGAR NA EMPRESA

De acordo com a Superintendência do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul, existe a possibilidade de que o leite de ambas as empresas tenha sido adulterado antes de chegar às empresas. Isso porque a presença de álcool etílico no leite da Cooperativa Santa Clara foi detectada ainda no caminhão, antes de ser descarregado. O Ministério Público está investigando em qual ponto isso aconteceu, tendo como base o conhecimento dos fiscais do Ministério da Agricultura sobre trajeto do leite.
“Fiscalizamos dentro das empresas, inclusive, nos caminhões que transportam o leite que chega até as plataformas. No último episódio, detectamos do álcool etílico no caminhão que trazia o leite do produtor. Acredito que foi algum produtor ou o transportador. Não posso afirmar, mas o Ministério Público pode encontrar o responsável”, afirmou o superintendente do Ministério da Agricultura, Francisco Signor, durante entrevista na Rádio Guaíba, em Porto Alegre, nessa semana.
Apesar de todas as medidas administrativas já tomadas, as duas empresas devem ser chamadas para prestar esclarecimentos ao Ministério Público do Rio Grande do Sul. As reuniões estão agendadas para a próxima sexta-feira, 8 de agosto.

Vigilância Sanitária notifica estabelecimentos

PMSCS/DECOM/Divulgação

Vigilância Sanitária está verificando a presença do lote adulterado nos estabelecimentos e orientando sobre como proceder

Em Santa Cruz do Sul, a Vigilância Sanitária está notificando os estabelecimentos que possuem lotes de leite UHT e requeijão produzidos pela Cooperativa Agropecuária Petrópolis (Piá), que apresentaram irregularidades detectadas pela Superintendência do Ministério da Agricultura.
Conforme o coordenador da Vigilância Sanitária, Hermes de Souza, cabe aos fiscais da Prefeitura notificar os supermercados que, por sua vez, solicitam o recolhimento dos lotes adulterados à empresa Piá. “Como não podemos entrar nas residências, a população deve ficar atenta. Quem tiver algum dos lotes impróprios para consumo, deve entrar em contato com o estabelecimento onde comprou o produto para providenciar o pedido de substituição do mesmo”, explica. (Assessoria de Comunicação Prefeitura de Santa Cruz do Sul)