Luana Ciecelski

Eckhardt explicou que, através do sistema de monitoramento, é possível acompanhar o quanto as águas da chuva atingem os rios
Jéssica Ferreira
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Durante a tarde de ontem representantes das prefeituras de Santa Cruz do Sul e Sinimbu, juntamente com a Defesa Civil, Bombeiros, 7° BIB, Poder Legislativo, Comitê do Rio Pardo, e demais entidades de classe estiveram reunidos em prol de uma mobilização iniciada pelo ex-vereador e líder comunitário Hardi Panke, referente à instalação de um sistema de monitoramento das águas do Rio Pardinho, desde Sinimbu até o Bairro Várzea em Santa Cruz do Sul. O principal objetivo é que seja permitido que os moradores de áreas riscos de alagamentos sejam avisados com antecedência sobre as enchentes, evitando assim, prejuízos maiores nas propriedades urbanas e rurais, além de auxiliar no trabalho da Defesa Civil.
Apenas em Santa Cruz do Sul existem réguas de medição do nível da água. Por isso, Panke buscou mobilizar as comunidades para que fossem instaladas novas réguas em Sinimbu, junto à ponte de Rio Pequeno, na ponte de concreto de Rio Pardinho e outra no Bairro Várzea. “Estamos assim contribuindo para que se diminua o sofrimento das pessoas. O fenômeno do El Niño tem sofrido alterações todos os anos e não podemos tampar nossos olhos para esta época, onde sempre há problemas com alagamentos. Com esse sistema não vamos combater as enchentes e alagamentos, mas por outro lado, vamos prevenir as pessoas”, afirmou. Panke conheceu o monitoramento com réguas no Rio Taquari, em Lajeado, onde foi implantado pela Univates. “Conversando com o deputado estadual Edson Brum, consegui contato com a Univates, prontamente me atenderam”, ressaltou.
O professor Rafael Rodrigo Eckhardt, professor de Engenharia Ambiental na Univates e coordenador do Sistema de Monitoramento e Prevenção de Enchentes do Vale do Taquari esteve presente na reunião, onde apresentou a estrutura do trabalho exercido sobre o monitoramento e prevenção de alagamentos do Vale do Taquari e relatou as experiências que já existem nos municípios de Lajeado e Estrela. “Tudo se inicia em pontos a serem analisados. Realmente não há como resolver a situação de enchentes, mas em contrapartida há como melhorar a convivência, além de avanços para ações de contingência da Defesa Civil”, contou.
Eckhardt explicou que através do sistema de monitoramento é possível acompanhar o quanto as águas da chuva atingiram os rios e a fluência do mesmo em cada quinze minutos, isto é, existe a partir deste sistema um controle do quando se chove, e com isso, pode-se saber previamente que haverá riscos de alagamentos nas áreas ribeirinhas. “Considera-se risco neste caso, quando há uma ameaça juntamente com uma vulnerabilidade, ou seja, quando existe uma comunidade instalada às margens de um rio numa área alagada. Por isso, o sistema é instalado em pontes de locais estratégicos, onde são enviadas mensagens por celular sobre as atualizações da fluência do rio, passando o trabalho para a Defesa Civil, que irá preparar a população prevenindo em torno de seis horas de antecedência. Após isso, é mobilizar, prestar socorro e assistência”, acrescentou.
O foco do sistema é também planejamento e prevenção. De 2001 a 2007, foram implantados o Sistema de Prevenção e Alerta de Enchentes do Vale do Taquari com a instalação de uma rede de monitoramentos do nível do Rio Taquari e Jacuí, através de recursos da AHSUL/DNIT e Univates. Entre 2012 e 2014, houve a revitalização da infraestrutura e aperfeiçoamento deste sistema, com a instalação de uma rede pluviométrica e hidrológica, com recursos da SCIT e Univates. A partir de 2014 até 2016 foram investidos na estruturação de uma plataforma de monitoramento hidrometeorológica com vistas ao gerenciamento de desastres naturais no Vale do Rio Pardo.
Em relação a custos para uma estação linimétrica que monitora o nível dos rios, são totalizados em torno de R$ 20 mil de investimentos. Sendo custos de equipamentos e instalação R$ 15,9 mil, custos anuais de transmissão R$ 360,00 e custos de manutenção anual de R$ 4,35 mil. Segundo Eckhardt, conforme informações do diretor de Recursos Hídricos da DRH/SEMA/RS estão disponíveis para o estado 12 estações, que não foram implantadas devido à falta de recursos.
Após a apresentação de dados, o chefe de gabinete, representando o prefeito Telmo Kirst, Edson Azeredo, tomou a palavra divulgando que ao passar todas as informações da reunião para Kirst por telefone, o prefeito anunciou que será realizado até a próxima semana um levantamento e estudo de todos os dados para o município sobre o sistema e que garantiria a implantação no município recorrendo a uma estação do estado, e caso não haja retorno, a própria Prefeitura irá assumir todo o projeto.
Segundo Panke, ao saber da decisão do prefeito, a cada um real investido, no final das contas serão cerca de trinta reais poupados amanhã. “Haverá então três estações no Rio Pardinho com monitoramentos em tempo real, havendo assim precaução para as pessoas que sofrem com esses fenômenos, evitando sérios danos amanhã, sem contar que será um investimento”, alegou. Conforme o Tenente Barbosa, da Defesa Civil, estes monitoramentos serão uma excelente ferramenta para a Defesa Civil. “Trabalhamos em conjunto com Sinimbu e através do sistema das réguas fazemos o trabalho de prevenção para as áreas de risco, e agora com este sistema de monitoramento pode-se dizer que contribuirá cem por cento com melhorias”, afirmou.














