Tiago Mairo Garcia
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Com a pandemia do coronavírus se agravando a cada dia, os cuidados com a higiene e o uso de máscaras faciais se fazem cada vez mais necessários para a proteção de todos. Com o objetivo de se reinventar e auxiliar no combate ao problema de saúde pública, apenadas do Presídio Regional de Santa Cruz do Sul e do Presídio Feminino de Lajeado seguem intensificando a produção de máscaras, confeccionadas nas oficinas de corte e costura, que estão sendo fornecidas para servidores e presos de 12 presídios que integram a 8ª Delegacia Penitenciária Regional, além de doações para auxiliar servidores que integram órgãos de segurança e poder judiciário.
Conforme Samantha Longo, delegada Penitenciária da 8ª Região, o projeto teve início após a Susepe receber um recurso disponibilizado pela Comarca de Estrela, em janeiro deste ano, para a aquisição de três máquinas de costura profissionais e iniciar uma oficina de corte e costura no Presídio Feminino de Lajeado. “Estava previsto realizar a oficina em parceria com a prefeitura de Lajeado, mas veio a pandemia em março e os cursos acabaram sendo suspensos”, conta a delegada.
Devido ao problema de saúde pública, o Estado estava encontrando dificuldades para adquirir equipamentos de proteção para os servidores. Foi então que se teve a ideia de usar a oficina de corte e costura montada em Lajeado para confeccionar máscaras. “A matéria-prima para produzir as máscaras foi adquirida pela Susepe através de recursos do Estado para destinação de servidores e presos e também passamos a receber doações de tecidos para fabricação de máscaras doadas para entidades e comunidade”, destaca a delegada.
De forma voluntária, as presas de Lajeado aceitaram participar do projeto que passou a ser a primeira oficina de costura da Susepe no Estado. Após três semanas de trabalho, a delegada conta que se iniciou uma mídia positiva do trabalho realizado pelas presas que despertou o interesse de outras detentas no projeto. “Ao ver que o trabalho delas estava retornando para a sociedade, elas ficaram felizes e outras começaram a pedir para fazer parte do projeto. Por isso sentimos a necessidade de aumentar o projeto”, destacou a delegada.

A 8ª Delegacia Penitenciária Regional, através de projeto enviado para a Susepe, conseguiu no início de maio adquirir mais três máquinas de costura implantadas em Lajeado, aumentando em seis equipamentos e abrir uma nova oficina de corte e costura no Presídio Regional de Santa Cruz do Sul com a implantação de mais cinco máquinas de costura. Desde então, as duas oficinas contam com a participação de 10 presas em cada, que estão produzindo uma média semanal de 1 mil peças em Lajeado e 700 em Santa Cruz do Sul.
Desde o início das oficinas, já foram produzidas 12 mil máscaras para a Susepe e 5.500 para doações em Lajeado, 4 mil peças para a Susepe e 3 mil para doações em Santa Cruz do Sul, totalizando 19.550 peças produzidas até o momento. O material produzido possibilitou doações para Brigada Militar, Policia Rodoviária Estadual, Instituto Geral de Perícias, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e comarcas do poder judiciário na área de atuação da delegacia penitenciária regional. “Essas doações, as instituições não pediram. Como temos boa relação e realizamos o trabalho em conjunto, pensamos que devido às dificuldades de angariar materiais de proteção, as máscaras produzidas poderiam auxiliar os colegas, sendo uma forma de agradecer a eles pela forma integrada no trabalho realizado e ajudar na proteção destes profissionais devido à pandemia, sendo um retorno do trabalho prisional para a sociedade”, frisou a delegada penitenciária regional.
Como benefício pelo trabalho voluntário, a delegada Samantha explica que a Lei possibilita que os presos exerçam uma atividade laboral interna que reverta em auxílio para atividades do presídio ou que realizam trabalho externo em empresas, recebem uma remissão da pena, sendo que a cada três dias de trabalho, diminuiu em um dia de tempo de pena a ser cumprida. A delegada destacou que além das oficinas de corte e costura, outras presas estão fabricando produtos artesanais nas celas. “Em Lajeado, outras presas ficam nas celas e fazem outros trabalhos de artesanatos como a confecção de bichinhos de crochê que são revertidos em doações para bebês internados nas UTIs neonatal e também como fonte de renda. Elas produzem as peças e dão para os familiares que vendem os produtos e revertem em lucros pelo trabalho realizado”, salientou.
Ao todo, a 8ª Delegacia Penitenciária Regional conta com 80 presas detidas em Lajeado, Santa Cruz do Sul e Sobradinho, sendo que 40 detentas participam das oficinas de artesanato. Por não possuir espaço físico adequado, as presas de Sobradinho não participam das atividades. Ao avaliar o trabalho social realizado pelas presas, a delegada regional destaca a sua satisfação com os projetos desenvolvidos. “Eu me sinto muito feliz como servidora da Susepe e Seapen e como cidadã, de poder propor e fazer parte deste projeto tão grandioso. A gente acaba atingindo o objetivo do trabalho ao ver o resultado positivo e nos mostra que mesmo na dificuldade, conseguimos propor ações positivas visando o bem comum de todos”, finalizou.














