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Cadastro Único | Conferência destaca papel da educação na inclusão

Evento reuniu 130 profissionais e reforçou importância das escolas na rede de proteção social

Encontro ressaltou a necessidade de desmistificar a ideia de que o CadÚnico está restrito ao Bolsa Família

Com o tema “Conhecer para incluir”, a Prefeitura de Santa Cruz do Sul, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Inclusão, promoveu na terça-feira, 2, a 2ª Conferência Municipal do Cadastro Único. O encontro, realizado no Memorial da Unisc, reuniu cerca de 130 profissionais da educação, entre diretores e orientadores, para capacitação e troca de experiências voltadas ao fortalecimento das políticas públicas de inclusão social.

Criada em 2025, a conferência tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre o Cadastro Único entre diferentes setores da rede de proteção social. Na primeira edição, o público-alvo foram os agentes comunitários de saúde. Neste ano, a iniciativa direcionou-se aos profissionais da educação, reconhecendo o papel estratégico das escolas na identificação de situações de vulnerabilidade e no encaminhamento das famílias aos serviços socioassistenciais.

A abertura contou com a presença do prefeito Sérgio Moraes; da secretária municipal de Educação, Jane Sabin; e da secretária de Desenvolvimento Social e Inclusão, Fátima Alves da Silva. Em seguida, as coordenadoras Luci Rodrigues e Jaqueline Schaurich ministraram a palestra “Cadastro Único: conhecer para incluir”. Durante a apresentação, foi destacada a necessidade de desmistificar a ideia de que o CadÚnico está restrito ao Bolsa Família. Atualmente, mais de 40 programas federais utilizam o sistema como porta de entrada, entre eles Pé-de-Meia, Prouni, BPC e Jovem Aprendiz.

Segundo Luci Rodrigues, o Cadastro Único é “uma ferramenta fundamental para garantir direitos e ampliar oportunidades às famílias em situação de vulnerabilidade social”. Ela ressaltou que escolas e equipes pedagógicas são muitas vezes as primeiras a perceber sinais de risco. “Ao identificar faltas recorrentes, dificuldades de acesso ou situações familiares complexas, a equipe escolar pode acionar a rede antes que o problema se agrave”, observou.

A programação incluiu ainda palestra da assistente social Camila de Souza sobre o Sistema de Condicionalidades (Sicon), que acompanha famílias beneficiárias de programas sociais. Camila destacou a importância da prevenção e da escuta qualificada para compreender os motivos do descumprimento de compromissos como a frequência escolar.

O evento encerrou com espaço para perguntas e debates. “Quando falamos de Cadastro Único não estamos tratando apenas de números, formulários ou sistemas. Estamos falando de pessoas, famílias e, principalmente, de crianças e adolescentes que dependem das políticas públicas para terem oportunidades mais justas de desenvolvimento”, frisou Luci.

Os dados apresentados reforçam a conexão entre educação e CadÚnico. Em Santa Cruz do Sul, 1.277 crianças de 4 a 6 anos estão cadastradas, das quais 811 recebem Bolsa Família. Na faixa de 6 a 18 anos, são 7.720 estudantes registrados, sendo 4.315 beneficiários.

Para manter o benefício, crianças de 4 e 5 anos devem ter frequência mínima de 60%, enquanto alunos de 6 a 18 anos precisam atingir 75%. Também é exigido o cumprimento das condicionalidades de saúde, como vacinação em dia. “Nesse contexto, escolas, professores e equipes pedagógicas desempenham papel fundamental na identificação das necessidades das famílias e no fortalecimento da rede de proteção social”, concluiu Luci.