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Containers ganham espaço na arquitetura em Santa Cruz

Casa em container foi construída pensando na sustentabilidade – Foto: Divulgação

Ricardo Gais
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Conhecido por fazer parte da carga de caminhões, navios e estarem estocados com diversos produtos, os containers estão ganhando outras funções em Santa Cruz do Sul. Ao andar pela região central da cidade e arredores, é visível empresas optaram por este estilo de construção, por ser mais prática e rápida. Este modelo também já é usado para a construção de residências, e em alguns países até como prédio.

Mas por se tratar de algo novo e diferente, as dúvidas surgem, bem como a curiosidade de como proceder para desfrutar do projeto, abrir uma loja ou morar em uma unidade. Para isso, a engenheira civil e CEO da Montara Arquitetura e Engenharia, Letícia Fröhlich, explica sobre os benefícios, manutenção e custos deste novo modelo de construção.

Conforme a engenheira, o container é uma construção modular e todas as suas etapas de construção podem, tanto ser desenvolvidas dentro da fábrica modular (off-site), com recortes, solda e paredes, sendo entregue praticamente pronto ao cliente, como também direto no terreno semelhante à obra convencional, com contratação de empreiteiros de acordo com cada etapa do serviço. “Toda casa independentemente do método construtivo necessita de manutenções. Com container é importante o tratamento da ferrugem anteriormente e depois manter a pintura em dia, pois é ela que dá a proteção ao aço”, explica.

Letícia salienta que, “investir em um container não significa uma obra mais barata, pois quando executada de forma econômica demais, é porque não teve as corretas etapas da construção modular”, pontua.

Letícia Fröhlich, engenheira civil e CEO – Foto: Divulgação



Sobre o aumento pela procura deste investimento, Letícia credita o container como uma obra vantajosa para empreendimentos comerciais, pois pode ser concluído quatro vezes mais rápido e isso é bom para o empresário. “Quando falamos na construção modular com aço, por exemplo, dentro da fábrica podem ser desenvolvidas várias etapas ao mesmo tempo, assim, consegue-se em tempo recorde finalizar essas obras”, conta Leticia. Outra praticidade é pelo fato de o comerciante ou cidadão alugar o terreno, instalar o container e depois, se quiser, retirá-lo e levar para outro lugar, sem perder o investimento.

Outra curiosidade é sobre a temperatura dentro do container, pois se não preparado da forma correta, pode causar alguns transtornos, por isso, a engenheira civil cita algumas dicas do que fazer para não passar calor nem frio. “O aço é um condutor térmico, se está quente, ele fica quente, se está frio ele fica frio. Por isso tem-se a necessidade de fazer esta compensação com isolamento térmico e acústico nas paredes e forro, e um bom projeto arquitetônico por conta da posição solar e ventilação cruzada. A dica de ouro é utilizar membrana térmica na face interna do container, mais membrana hidrófuga junto com lã de vidro, com chapa de OSB, acrescida por chapa de gesso acartonado e argamassa base coat na cor branca para o acabamento final,” explica.

Para quem deseja ter um container, Leticia explica que são necessários projeto e documentos junto à Prefeitura, pois a construção modular é o mesmo processo legal de obra convencional. “Necessita de responsável técnico, projeto aprovado na Prefeitura, e registro imobiliário na matrícula”, sublinha. O valor para um container varia de projeto para projeto. Por exemplo, um projeto modular de 30 metros quadrados teria um custo, em média, de R$ 45 mil.

EXPERIÊNCIA

A professora Ana Luiza Martins optou por um novo jeito de viver desde o início da pandemia de Covid-19. Conforme Ana, ela e seu filho moravam com sua mãe, e sentiram a necessidade de mais espaço, analisaram algumas possibilidades, como comprar um apartamento, no entanto, surgiu a oportunidade de fazer a obra em container, sem necessidade de financiamento e com a possibilidade de levar a residência para outro terreno. “Foi o melhor investimento que poderia fazer, já que solucionou minha necessidade com baixo custo e tenho essas possibilidades futuras”, destaca. A obra ficou pronta em três meses devido às restrições da pandemia, mas levaria menos tempo.

Sobre como é morar em um container sustentável, Ana destaca que o conforto é o mesmo de uma casa convencional. “Eu, particularmente, gosto da identidade que a casa adquiriu. O processo de construção foi o mais sustentável e artesanal possível. Tivemos acompanhamento de profissionais, junto da Montara Engenharia, mas muitas coisas foram realizadas por nós, especificamente pela minha namorada, que fez desde o tratamento do assoalho até móveis em madeira de reaproveitamento”, relata.

A professora sublinha o custo/benéfico que está tendo em relação a outras moradias. “Acredito que um apartamento kitnet, pouquinho maior que o meu container, teria custado mais”. A construção com container é inclusa com uma construção convencional, mas não é isenta de IPTU.

CONSTRUÇÃO

A construção modular off-site é a construção mais inovadora da atualidade, unindo a tecnologia dos materiais e das etapas da construção, juntamente com projetos desenvolvidos detalhadamente em Modelagem da Informação da Construção (BIM). Diante deste cenário, a Engenheira Letícia Fröhlich vai abrir a semana acadêmica dos alunos do curso de arquitetura da IMED, dia 26 de abril, sobre o tema: “Arquitetura modular”, juntamente com oficina, contribuindo com sua expertise. A palestra dia 26 será aberta ao público, com inscrições pelo link disponível na bio do Instagram da Montara (@montara.arqeng).

Banheiro de uma casa container – Foto: Divulgação