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Dia de homenagear os finados

LUANA CIECELSKI
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O Dia de Finados, que acontece na próxima segunda-feira, 2 de novembro é uma data importante para muitos brasileiros, principalmente para aqueles que seguem as fés cristãs. Milhares de pessoas vão a cerimônias religiosas, visitam os túmulos de entes queridos nos cemitérios, levam flores, velas e fazem orações. Mas por que isso acontece? E por que nessa data?

A marca do feriado é o colorido das flores que enfeitam os cemitérios

O início dessa tradição para os cristãos – ela também existe em outras crenças, mas em datas diferentes e por motivos variados -, remota aos primeiros séculos depois do nascimento de Cristo. Os religiosos da época costumavam visitar túmulos de mártires e fazer orações pelas pessoas que haviam morrido e que, de acordo com a crença, estariam no purgatório. Com o passar do tempo essa prática foi se tornando corriqueira, e de acordo com os estudiosos, no século quatro da Era Cristã, os mortos já eram lembrados na celebração das missas. Os pesquisadores também apontam que no século seguinte, a igreja passou a dedicar um dia por ano para rezar por todos os mortos.

Acredita-se, no entanto, que o principal responsável pela instituição de uma data específica dedicada à alma dos mortos foi o monge beneditino Odilo (ou Odilon) de Cluny. Ele viveu entre 962 e 1049 e conta-se que quando ele tornou-se abade de Cluny, em Borgonha, na França – uma das principais abadias construídas no mundo medieval e responsável por importantes reformas no clero no período – ele instituiu aos membros de sua abadia e a todos aqueles que seguiam a Ordem Beneditina a obrigatoriedade de rezar pelos mortos. Essa resolução teria sido tomada no dia 2 de novembro de 998 e a data teria acabado se popularizando, por causa do hábito dos monges.

Para incentivar e apoiar essa popularização, nos primeiros anos do século 11, logo após o início do ritual anual dos monges beneditinos, os Papas Silvestre II (1009), João XVIII (1009) e Leão IX (1015) instituíram durante os seus papados que a comunidade também deveria dedicar um dia por ano aos mortos. Como no dia 1º de novembro comemorava-se já o Dia de Todos os Santos, o dia seguinte, 2 de novembro, ficou facilmente conhecido como o Dia de Todas as Almas.

Atualmente, as igrejas cristãs orientam as pessoas que lembrem de seus mortos, mas que também aproveitem a data para celebrar a vida eterna.

Cemitério limpo

Em Santa Cruz, um dos cemitérios que mais recebe movimento no feriado de Finados é o Municipal, onde todos os anos, cerca de 15 mil pessoas vão para prestar homenagens aos familiares já falecidos. Pensando nisso, já no inicio dessa semana a Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Transportes e Serviços Públicos, realizou limpezas e melhorias no espaço.

De acordo com a zeladoria do cemitério, em frente ao local, na Avenida Independência, foram podadas árvores e roçados os canteiros. Já dentro do espaço, foi feita uma limpeza geral e no total, foram retirados cerca de quatro caminhões de lixo.

Mas não foi só a prefeitura que se preocupou em deixar o espaço limpo e bonito. Durante a semana, em especial na tarde de sexta-feira, 30 de outubro, diversas pessoas já circulavam dentro do cemitério, limpavam os túmulos e o seu entorno, colocavam flores e regavam as plantas. Entre eles estavam Luiz Alberto e Irani Weiss. Caprichosa, a dupla passava um pano molhado pelos túmulos de pessoas queridas e espalhava flores.

No dia de Finados, o cemitério será aberto por volta das 6h30, na parte da manhã, e será fechado por volta das 20 horas, à noite.

Luiz Alberto e Irani Weiss já trabalhavam nos túmulos de familiares na tarde de ontem, 30 de outubro

Missas e cultos

As igrejas de Santa Cruz do Sul estão organizando uma programação de celebrações diferenciadas na segunda-feira. Na Catedral São João Batista, por exemplo, será realizada uma missa a partir das 9 horas. Assim que ela for finalizada, as celebrações seguem para o Cemitério Municipal.

Já o foco das Igrejas Luteranas é as celebrações nos cemitérios. Estão previstos nove cultos na manhã de segunda: às 8 horas no Cemitério Municipal; às 8h30 no Cemitério de Linha João Alves; às 9 horas nos Cemitério de Linha Sete, no Cemitério Agnes (Linha João Alves), no Cemitério de Rincão del Rey e no Cemitério do Arroio Grande; às 9h20 no Cemitério de Pinheiral Novo; às 9h45 no Cemitério Ecumênico da Paz Eterna e às 10 horas no Cemitério de Pinheiral Velho.

As celebrações em outros países
No Brasil, tradicionalmente esse é um dia triste e de silêncio, no entanto, outros países do mundo têm formas diferentes de vivenciar essa data. Conheça um pouco:
– México: lá o dia de finados não é visto com tristeza, mas acolhido com muitas celebrações durante três dias de feriado, 31 de outubro, 1º e 2 de novembro. Durante os três dias, as famílias se reúnem, lembram dos entes queridos e fazem oferendas com alimentos e bebidas favoritas dos seus mortos. Acredita-se que nesse período os mortos podem atravessar do mundo dos mortos para o mundo dos vivos. Chama muita atenção a decoração que as ruas e casas recebem. São colocadas caveiras e máscaras por todos os lados e desfiles acontecem, como no nosso Carnaval. A animação de Guillermo del Toro, The Book of Life, traduzida para o português como Festa no Céu retrata bem essa cultura.
Decoração com caveiras chama atenção nos rituais mexicanos
– Guatemala: a população tem o costume de fazer pipas (pandorgas). As famílias fazem uma pipa para cada ente já falecido, representando as almas deles. No dia de finados, todas elas são lançadas ao céu, numa espécie de festival.
– Indonésia: não são só as culturas cristãs que dedicam um momento para os mortos. Na Indonésia onde predominam os muçulmanos eles também fazem seus rituais, mas em outra época do ano: agosto. Na região de Toraja, por exemplo, as pessoas desenterram seus mortos, sejam eles adultos, crianças ou idosos, limpam eles, colocam vestes novas e os levam para suas casas ou para as casas onde viveram, para passar o dia com os familiares. O ritual é chamado de MaiNene, e o objetivo é levar a alma do morto de volta para casa nessa data.
– Japão: também em agosto os japoneses têm suas tradições voltadas para os mortos, com base no budismo. Mas para eles, o dia dos mortos também não é visto com tristeza. As homenagens envolvem banquetes, fogos de artifício, jogos e danças.
– Nepal: hinduístas, os nepalenses também possuem uma tradição bem diferente se vista pelos olhos dos brasileiros. Lá, durante oito dias entre os meses de agosto e setembro, acontece o Festival das Vacas, chamado de Gaijarta, onde todas as pessoas que perderam familiares ou pessoas queridas no último ano desfilam pelas ruas centrais das cidades acompanhados de uma vaca, animal sagrado para os hindus. O objetivo do Gaijarta é tornar a morte mais aceitável e tranquila.