Para reforçar a conscientização dos produtores de tabaco para o uso da vestimenta de colheita, o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) conta com um importante aliado: as equipes de campo das empresas associadas. Com o objetivo de ampliar conhecimentos sobre a Doença da Folha Verde do Tabaco, o sindicato está promovendo o Seminário GTS e Colheita Segura do Tabaco, uma série de treinamentos que serão realizados entre julho e setembro com 1,3 mil profissionais das equipes de campo das empresas associadas.
Os eventos serão realizados nas principais regiões produtoras de tabaco no Sul do Brasil. Os três primeiros encontros, dos 12 eventos programados, começaram na terça-feira, 15, e se estendem até hoje, 17 de julho, na sede da Associação Atlética Souza Cruz, em Santa Cruz do Sul. O presidente do SindiTabaco, Iro Schünke, abriu o seminário de terça-feira. “Sabemos que as empresas já têm feito a conscientização dos produtores para a colheita segura do tabaco. O objetivo do treinamento é ampliar o conhecimento a respeito da Doença da Folha Verde, trazendo aspectos clínicos e técnicos, e aprimorar os argumentos junto aos produtores para aumentar a conscientização sobre o tema”, afirmou Schünke.
Conhecida pela sigla GTS (Green Tobacco Sickness), a Doença da Folha Verde do Tabaco é uma intoxicação aguda moderada causada pela absorção de nicotina pela pele em contato com a folha úmida do tabaco. Segundo o médico do Trabalho e doutorando em Genética Toxicológica com pesquisa sobre o tema, Dr. Jodel Alves, a falta de um sistema de registro das enfermidades médico e de conhecimento induz ao erro de diagnóstico. “Os sintomas do GTS são semelhantes ao de intoxicação por agrotóxicos. É comum a confusão uma vez que não existe na classe médica e no serviço de saúde esclarecimento e treinamentos sobre esta enfermidade, o que seria de fundamental importância na região produtora de tabaco”, afirma.
“Entre os fatores de risco estão a colheita e o manuseio das folhas úmidas utilizando roupas ou luvas impróprias. Além disso, as lesões de pele aumentam a absorção, isso porque nossa pele é impermeável à agua, mas ferimentos abrem janelas para que as substâncias penetrem na pele, diminuindo sua integridade. O que a pesquisa demonstrou até o momento é que ainda existem produtores que colhem a planta úmida e sem a vestimenta correta, favorecendo a absorção da nicotina”, explica.
NICOTINA
A exposição à nicotina acontece no contato da pele com a resina da planta (goma) nas folhas de tabaco durante a colheita, no desponte, no recolhimento da lavoura e no carregamento das estufas e galpões de cura. Por isso, o não uso de luvas e da vestimenta apropriada, associado ao calor, aumentam as chances da intoxicação. Absorvida pela pele, a nicotina é transportada até os vasos sanguíneos. Sua absorção é maior com o aumento da área exposta e com a presença de lesões de pele.
SINTOMAS
Os sintomas são passageiros e variam em intensidade e persistência, de acordo com cada indivíduo e o grau de exposição. São eles: náuseas, vômitos, tonturas, dor de cabeça, diarreia, perde de apetite, dores abdominais, visão embaçadas, lacrimejamento, abatimento, dificuldade para respirar, alteração na frequência cardíaca e pressão sanguínea.
Divulgação/RJ
Iro Schünke abriu o seminário de terça-feira
Como se proteger?
A intoxicação causada pela nicotina das folhas do tabaco e sua ocorrência pode ser prevenida com a utilização da vestimenta para Colheita do Tabaco. A vestimenta de colheita que os produtores recebem ao preço de compra pelas empresas começou a ser desenvolvida em 2009, quando o SindiTabaco contratou um consultoria especializada para pesquisa, desenvolvimento e descrição das especificações técnicas da vestimenta. Entre 2010 e 2011, uma segunda empresa foi contratada, desta vez para avaliar a eficácia da vestimenta, sua segurança operacional e o grau de proteção à Doença da Folha Verde do Tabaco.
“Os resultados foram muito positivos. O estudo comprovou cientificamente que a vestimenta de colheita assegura uma diminuição da exposição dérmica de 98%, sendo considerada altamente eficiente no controle do problema. Mas ela só vai proteger se for realmente utilizada pelos produtores”, afirmou Darci da Silva, engenheiro agrônomo e assessor técnico do SindiTabaco que participou de todas as etapas do estudo. A vestimenta aprovada é confeccionada em nylon (100% poliamida) emborrachado e resinado, impermeável à água. A cor verde clara oferece conforto térmico e o desconforto com relação ao calor é diminuído com aberturas para ventilação nas costas da blusa. A luva nitrílica acompanha o kit e recomenda-se ainda o uso de chapéu e botas.














