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Eisstocksport: equipe gaúcha irá ao Mundial

LUANA CIECELSKI
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Semelhante ao jogo de bocha, porém utilizando como instrumento um objeto chamado stock, as regras básicas do Eisstocksport são bastante simples: você atira o stock pela pista na tentativa de atingir outro objeto e assim fazer mais pontos que a equipe adversária. Tudo muito simples. Parece até fácil. E para aqueles que têm como hábito a prática do esporte, mais do que uma atividade física essa é também uma atividade prazerosa.

Parte da equipe que representará o Brasil no Mundial

Mas as coisas complicam um pouco quando o objetivo é fazer mais pontos do que a seleção alemã de Eisstock, ou fazer mais pontos do que a seleção italiana, algumas das melhores do mundo. Esse, porém, é justamente o objetivo da equipe da Federação Gaúcha Desportiva de Eisstocksport. Em fevereiro eles vão para a Itália, disputar mais uma vez o Mundial do esporte.

A equipe, formada por 15 integrantes, vai disputar o Campeonato Mundial Júnior e o Campeonato Mundial Masculino e Feminino. O primeiro, voltado para menores de 16, 19 e 23 anos, terá início no dia 17 de fevereiro seguindo até o dia 21 de fevereiro e terá dois representantes santa-cruzenses. O segundo, voltado ‘für Damen und Herren’ (para mulheres e homens) está previsto para iniciar no dia 23 de fevereiro e seguir até o dia 28 do mesmo mês. Todas as competições serão realizadas na cidade de Collalbo, e enquanto a delegação brasileira não embarca, os treinamentos estão sendo intensos.

De acordo com o presidente da Federação Gaúcha, Sérgio Luiz Böhm, durante o ano os treinos acontecem normalmente nas terças e quintas-feiras, porém, há algumas semanas esse tempo foi ampliado e a equipe passou a se reunir também nas quartas-feiras e aos sábados. Além disso, cada um dos encontros tem durado cerca de três horas. Tudo isso acontece porque a equipe quer ter o melhor resultado possível.

As expectativas, felizmente, são boas: “Todas as vezes que a gente foi, o Brasil ficou em algum pódio”, relembra Böhm. Na última edição, inclusive, os brasileiros chegaram à segunda colocação. Eles esperam repetir esse fato.
Desafios, porém, é o que não falta ao time brasileiro.

Temperaturas diferentes

Enquanto no Brasil em fevereiro é verão, na Europa, é o tempo da neve e do frio. Isso por si só já seria uma grande diferença, principalmente por causa das vestes grossas que a equipe terá que usar, porém há ainda uma outra questão: lá, o Eisstocksport é jogado no gelo. As equipes europeias treinam no gelo. As competições serão em quadras de gelo. Aqui, os brasileiros só podem treinar em quadras de cimento. E isso exigirá uma adaptação.

Treino intensivo tem sido rotina nas últimas semanas

“Normalmente nós temos a possibilidade de treinar um ou dois dias antes nas quadras onde acontecerão as competições. Mas não á algo muito intenso porque são 30 países querendo utilizar e testar o espaço”, comenta Sérgio. Por sorte, a equipe conta com a amizade. “Nós temos um amigo que mora na Suíça e ele, que já nos acolheu anteriormente, vai receber os guris da nossa delegação uns dias antes, já no final de janeiro, para que eles possam treinar um pouco mais em quadras de gelo”, adianta. Isso garantirá mais segurança na hora da competição oficial.

Custos altos

A Federação Gaúcha de Eisstocksport também não conta com apoio financeiro. Isso dificulta a ida da equipe para a Europa a cada competição. Em 2016, por exemplo, não será possível levar uma equipe Junior completa, porque para isso é necessário ter quatro integrantes. “A federação não consegue arcar com os custos de todos e não havia mais quem pudesse pagar pela viagem”, lamenta o presidente. Dessa forma, os dois integrantes mais jovens disputarão apenas nas modalidades individuais.

De acordo com Böhm, a federação chegou a buscar o auxílio de empresas, sem grandes êxitos. “Com essa situação econômica do país, está difícil pra todos. Também não há nenhum apoio governamental, então a gente vai fazendo na base do ‘paitrocínio’”, brinca. “Mas a dificuldade para conseguir apoio é algo realmente sério. A gente está levando Santa Cruz para lá, como os únicos representantes desse país. Todas as 30 delegações que estiverem lá vão ouvir falar de Santa Cruz. Deveria ser mais apoiado”, analisou.

Essas adversidades, porém, não diminuem a vontade da equipe brasileira, que graças a seus feitos, já é considerada uma das cinco maiores forças do mundo, e exceto alguns integrantes da equipe masculina que embarcarão antes para treinar no gelo, a maior parte da delegação embarcará no dia 17 de fevereiro rumo a mais uma competição. E quem sabe, rumo ao topo do pódio do Mundial de Eisstocksport.

Representantes jovens são destaques

Dentre os 15 integrantes do grupo que se prepara para embarcar para a Itália, e treina na quadra de Eisstock, localizada na Avenida Independência, 333, junto ao Centro Cultura 25 de Julho, dois se destacam por seus rostos jovens. Laura Elisa Pretzel, de 16 anos e Luis Eduardo Kaufmann, de 17 anos são os mais jovens da delegação e estão cheios de responsabilidades.

Durante o torneio mundial, ambos serão os dois únicos representantes do Brasil nas modalidades individuais sub-16 e sub-19. Além disso, Luis Eduardo também participará de uma modalidade que nem é treinada no Brasil, o arremesso a distância. “Essa competição acontece em uma pista de gelo de cerca de 100 metros, bem lisa. O representante de cada país arremessa o stock o mais longe que conseguir e vence aquele que alcançar a maior distância”, explica Böhm.

Os integrantes da delegação:
Milton Bressler – Diretor Técnico da Federação
Noemia Gonçalves da Silva
Luis Eduardo Kaufmann
Eduardo Henrique Schuster
Rejane Inês Frey Böhm
Sérgio Luiz Böhm – Presidente da Federação Gaúcha
Ingo Inácio Reis
Márcia Cristina Wendland Reis
Josiléri Linke Cidade
Roque Alcides Reis
Nelsi Teresinha Reis
Claci Lied
Samuel Matias Böhm
Laura Elisa Pretzel
Jutta Cristine Drögemüller-Frey

Eisstock é divulgado pelo RS

Entre os dias 4 e 11 de janeiro, aconteceu em Gramado, na serra gaúcha, o Curso de Danças Folclóricas Alemãs 2016, um evento realizado pela Casa da Juventude. Na oportunidade a três dos integrantes da equipe brasileira de Eisstocksport participaram, e claro, aproveitaram a oportunidade para divulgar um pouco mais do esporte pelo Brasil.
De acordo com o presidente da Federação Gaúcha Desportiva de Eisstocksport, Sergio Luiz Böhm, Eles foram convidados a apresentar o esporte para os participantes do evento e, no total, mais de sessenta pessoas ligadasacompanharam a apresentação teórica que foi realizada na manhã da sexta-feira, 8 de janeiro. Porém o grande momento da apresentação foi a da apresentação prática. “Foi montada uma pista de asfalto improvisada, ao lado do Lago Negro, e todo puderam participar. Foi demais”, conta Böhn.
Para ele, esta foi mais uma oportunidade de divulgar o Eissstocksport no Brasil, de forma teórica e prática, o que é muito importante para o crescimento do esporte em outros estados. “No momento em que as equipes brasileiras, masculina e feminina, intensificam os treinos para a participação em mais um Mundial, em fevereiro na Itália, vemos de forma muito positiva o interesse e a admiração de pessoas de outros cidades que se unem na torcida para que nossas equipes mais uma vez tragam bons resultados da competição”, avaliou.