LUANA CIECELSKI
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Dados divulgados na última semana pela Pesquisa Ciclosoft 2016 realizada pelo grupo Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE) dão conta de que, desde aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos – que entrou em vigência no Brasil em agosto de 2010 – ocorreu um aumento de 138% no número de cidades que desenvolvem programas de coleta seletiva.

O dado é bom, já que mostra um engajamento crescente na questão da preservação ambiental, entretanto, a pesquisa aponta também que a velocidade de adesão ainda é menor que o desejável e que, apesar do aumento expressivo, o índice representa apenas 18% do total de cidades em todo Brasil.
Santa Cruz do Sul, felizmente, está incluída dentro dos 138%. Desde o fim de 2012 o município desenvolve o projeto Coleta Seletiva Solidária, que visa o recolhimento de materiais recicláveis nas residências, empresas, comércio e instituições e é desenvolvido através de parceria entre a Prefeitura e a Cooperativa de Catadores (Coomcat).
Mas apesar de ser um dos municípios pioneiros, engajados na Política Nacional, Santa Cruz, ainda tem um longo caminho a percorrer no sentido de engajamento da comunidade.Por isso, além da constante divulgação dos itinerários e diasde coleta, ininterruptamente projetos vão sendo desenvolvidos. Um deles, que começou há cerca de um mês evisa a aproximação entre os Catadores e os síndicos de condomínios.
A ideia surgiu dentro da Secretaria de Meio Ambiente, Saneamento e Sustentabilidade (SMMASS) e tem como principal objetivo, de acordo com a bióloga do município, mostrar a todos como funciona a gestão de resíduos no Município e, principalmente, os impactos ambientais, sociais e econômicos gerados pela falta do engajamento. “Nesses encontros temos um momento para esclarecemos dúvidas e recebermos críticas e elogios quanto ao programa”, conta Daniela.
A primeira reunião aconteceu junto à empresa administradora de condomínios Napper, que, apesar da pequena adesão dos síndicos, foi considerada uma experiência válida pela SMMASS. Um tempo depois, no dia 22 de junho, aconteceu outra reunião, com cerca de 50 síndicos de prédios administrados pela Imobel.
Para o Gerente de Condomínios da Imobel, IligioKist, essa aproximação é boa e a Imobel logo aderiu ao projeto porque vinha notando uma dificuldade para fazer a conscientização em relação ao programa. Iligioconsidera que é cedo para notar resultados, mas acredita que cada síndico que participou do encontro esteja tomando as providências e fazendo reuniões com os moradores de seus prédios na tentativa de incutir novos hábitos. “A gente quer fazer a nossa parte”, garantiu.
Ainda de acordo com a bióloga Daniela, durante o encontro todos os participantes receberam folderes, imãs e cartazes sobre a Coleta Seletiva Solidária e as expectativas são de uma grande melhora. “É comum que os condôminos separem seus resíduos e os destinem aos coletores do prédio. Até ai nenhum problema, porém ocorre que muitas vezes as equipe de limpeza dos condomínioslevam esses materiais para o lixo da rua no mesmo dia da coleta convencional, realizada pela Conesul com o caminhão compactador. Dessa forma todos os resíduos são recolhidos e misturados, quando o correto seria entregar para a Coleta Seletiva Solidária”, destaca.
Pra não esquecer
Todos os catadores da Coomcat trabalham identificados, com os carrinhos coletores emplacados e com caminhão identificado. Os materiais recicláveis recolhidos são encaminhados para separação no entreposto da Rua Venâncio Aires, n°1445, depois são destinados à reciclagem, gerando renda para diversas famílias e fazendo com que o ciclo produtivo aconteça, preservando assim a natureza.
Cada bairro da cidade tem um roteiro de coleta com dias e turnos específicos e solicita-se que as famílias coloquem seus resíduos em sacos amarrados, em lixeiras ou junto ao meio fio das calçadas, preferencialmente no dia e turno da coleta do lixo da localidade. O catador da Coomcat recolherá os recicláveis já separados. Mas, se o catador identificar que junto com os recicláveis tem rejeito ou orgânico, ele não poderá levar, pois o pavilhão da triagem não tem licença ambiental para receber orgânico e rejeito.
Coleta Seletiva Solidária: Bairros
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Dia da semana |
Bairro |
Turno |
Forma de coleta |
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Segunda |
Goiás |
Manhã |
Coleta com caminhão gaiola (da CSS) |
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Higienópolis |
Manhã |
Coleta com caminhão gaiola (da CSS) |
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Santo Inácio |
Manhã |
Coleta com caminhão gaiola (da CSS) |
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Avenida |
Tarde |
Coleta com caminhão gaiola (da CSS) |
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Universitário |
Tarde |
Coleta com caminhão gaiola (da CSS) |
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Centro |
Manhã |
Caminhão e carrinho |
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Terça |
Centro |
Manhã |
Caminhão e carrinho |
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Quarta |
Avenida |
Tarde |
Coleta com caminhão gaiola (da CSS) |
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Universitário |
Tarde
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Coleta com caminhão gaiola (da CSS)
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Independência |
Manhã |
Coleta com caminhão gaiola (da CSS) |
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Renascença |
Manhã |
Coleta com caminhão gaiola (da CSS) |
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Várzea |
Manhã |
Coleta com caminhão gaiola (da CSS) |
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Centro |
Manhã |
Caminhão e carrinho |
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Quinta |
Centro |
Manhã |
Caminhão e carrinho |
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Sexta |
Goiás |
Manhã |
Coleta com caminhão gaiola (da CSS) |
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Higienópolis |
Manhã |
Coleta com caminhão gaiola (da CSS) |
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Santo Inácio |
Manhã |
Coleta com caminhão gaiola (da CSS) |
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Independência |
Tarde |
Coleta com caminhão gaiola (da CSS) |
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Renascença |
Tarde |
Coleta com caminhão gaiola (da CSS) |
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Várzea |
Tarde |
Coleta com caminhão gaiola (da CSS) |
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Centro |
Manhã |
Caminhão e carrinho |
A pesquisa também revelou que 54% dos municípios ainda realiza a coleta seletiva por meio de pontos de entrega voluntária e Cooperativas, enquanto apenas 51% da coleta seletiva é feita pela própria Prefeitura das cidades pesquisadas. Com relação aos materiais recicláveis mais coletados, o Ciclosoft 2016 mostra que papel e papelão continuam sendo os tipos de materiais recicláveis mais coletados em peso, representando 34% da coleta, seguidos de plástico com 11% e vidro com 6%.














