Tiago Mairo Garcia
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Bulgária. País localizado no sudoeste da Europa, que vinha obtendo um bom controle sobre o avanço do coronavírus até a última semana quando houve um aumento repentino de casos da doença. Conforme dados oficiais atualizados no último sábado, 11, o país que possui uma população com mais de sete milhões de habitantes, tinha 7.175 casos confirmados, sendo 3.597 pessoas em tratamento, 3.311 pessoas recuperadas e 267 óbitos. Na última sexta, 10, o país registrou 330 casos confirmados, sendo o maior número de casos registrados em um mesmo dia no país durante a pandemia. O aumento repentino levou as autoridades a proibirem o acesso ao público nas competições esportivas do país em comunicado divulgado na última quinta, 9, pelo ministro da saúde, Kiril Ananiev.
Quem está vivenciando de perto a realidade da Bulgária é o ex-goleiro do Grêmio Gustavo Busatto. Natural de Arroio do Tigre, na região Centro-Serra, o goleiro de 29 anos joga atualmente no CSKA Sófia, localizado em Sófia, capital do país, onde está situada a maioria dos casos confirmados no país.
De folga após a disputa da rodada válida pelo título da Parva Liga, realizada no último domingo, 12, onde o CSKA Sófia venceu o Beroe por 5×0, confirmando a vice-liderança da competição, o goleiro viajou com a família para um resort, local onde concedeu na manhã de ontem, 13, uma entrevista exclusiva para o Riovale Jornal. Busatto relatou a sua preocupação com o avanço do vírus no país, confirmou o caso de um jogador ter atuado infectado na primeira divisão búlgara e comentou sobre as medidas restritivas adotadas pelo governo búlgaro em fechar os estádios para controlar o crescimento da doença no país.
Riovale Jornal – Como foi o início da pandemia na Bulgária?
Gustavo Busatto – Foi difícil. Assim como em todos os países bate aquele pânico e a ansiedade. A gente não sabe o que está se passando, mas aos poucos, vai se normalizando.
RJ – Quais foram as medidas adotadas pelo país para evitar a proliferação do vírus?
Busatto – No começo foi bem drástico. Fecharam o comércio e então a gente foi orientado a ficar e casa e não sair. Ficamos o máximo possível junto com os nossos familiares para não correr o risco de se contaminar.
RJ – Conforme os números oficiais, até sexta, 10, a Bulgária havia registrado 7.175 casos confirmados com 267 mortes por coronavírus em um país com sete milhões de habitantes. Como você avalia o atual estágio da doença no país?
Busatto – É um número alto. Onde se fala de vidas, cada morte, a gente fica triste e preocupado com a situação. No mais a gente crê que tudo vai passar e voltar ao normal.
RJ – Desde a retomada do futebol, a Bulgária havia liberado a entrada de 30% do público nos jogos. Na última quinta, 9, o governo anunciou que todos os eventos esportivos ocorrerão sem público em razão do aumento de casos recentes da doença no país. Como você avalia as medidas anunciadas relacionadas com o futebol?
Busatto – No início foi tomada a decisão de ter liberado o estádio com 30% da capacidade, mas é difícil as pessoas ficarem separadas uma das outras, o que gerava aglomerações nas arquibancadas. Essa lei não foi respeitada e se aumentou os casos, levando o governo a tomar a decisão de fechar os estádios e realizar os jogos com portões fechados.
RJ – No dia 2 de julho um zagueiro que joga na primeira divisão atuou contaminado pelo vírus durante um jogo devido a um erro do laboratório responsável pela testagem dos jogadores. O fato resultou na contaminação de outros 16 jogadores pelo vírus. Após esta situação ocorrida, você acredita que há segurança no país para se disputar partidas de futebol enquanto houver a pandemia?
Busatto – Foi um erro de laboratório que trocou o teste e esse jogador foi liberado para jogar e só depois da partida que foi comunicado que ele estava infectado e outros jogadores também foram contaminados. Foi uma situação difícil, triste, onde esperamos que isso não volte acontecer novamente.
RJ – Como você está vendo o avanço da pandemia no Brasil?
Busatto – É uma situação difícil no Brasil porque as pessoas não podem ficar muito tempo em casa pois precisam do trabalho pelo pão de cada dia. Então, é difícil e a situação como está sendo tratada também não está da melhor forma possível. A gente torce para que tudo volte ao normal o mais rápido possível.
RJ – Você iniciou a sua carreira no Grêmio, atuou por outros clubes no Brasil e na Europa atuou na Polônia e agora está na Bulgária. Como está sendo para você viver essa experiência no futebol búlgaro?
Busatto – Tive uma passagem no Grêmio onde fiquei por 10 anos e depois tive uma rodagem por vários clubes. Passei por todas as séries do futebol brasileiro onde aprendi a amadurecer muito, tive uma passagem na Polônia e agora na Bulgária, onde me encontro muito bem, onde acho que estou na minha melhor forma e passando por um momento bom na minha carreira. Espero que esse momento possa continuar e que eu possa ajudar o clube e que Deus possa me abençoar para que as coisas continuem melhores.
RJ – Após essa pandemia passar, na sua opinião, que lições você acredita que ficará para a sociedade?
Busatto – Essa pandemia pegou todo mundo de surpresa e onde não tem muito o que se fazer. Temos que nos proteger e cuidar do próximo para que a gente não possa contaminar os outros e que a gente possa cuidá-los. É um momento de união onde temos que pensar no próximo, fazer o que os médicos mandam para que evite ser contaminado e possa contaminar o próximo.














