GUILHERME ATHAYDE
[email protected]

A Ministra da Agricultura, Kátia Abreu, postou em sua conta social no Twitter na tarde de segunda-feira, 7, uma crítica à produção de cigarros no país.
Segundo ela, o cigarro seria um “veneno”, e não haveriam motivos para que o produto fosse comercializado. Ainda no post divulgado na rede social, Kátia Abreu escreveu que irá protocolar um Projeto de Lei (PL) quando retornasse ao Senado.

Em outra postagem, a Ministra criticou os fumantes, considerando o consumo como “direito individual que dá despesa para o SUS”.

Para o Secretário da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Romeu Schneider, a postagem da Ministra foi infeliz, e uma possível proibição da produção do cigarro no país geraria a invasão do contrabando.
“Se parar de fabricar e comercializar o cigarro resolvesse os problemas, tudo bem, mas sabemos que onde há consumidor sempre haverá fornecedor, é essa questão que precisa ser avaliada. O Brasil precisa tomar medidas para mudar a situação atual que temos, principalmente na ilegalidade. O Brasil será tomado de norte a sul, de leste a oeste pelo contrabando e não haverá redução de consumo”.
O dirigente se disse espantado com a opinião da Ministra da Agricultura.
“Fico impressionado como uma pessoa que tem um posto com responsabilidade tão grande, de se preocupar com o desenvolvimento de uma nação e o bem-estar de sua população dentro das suas atividades econômicas de todas as regiões onde o tabaco está inserido, emitir uma opinião esdrúxula como essa. Afinal de contas, isso é jogar milhões de pessoas na miséria”.
Romeu Schneider afirma também que a ministra, sempre que manteve contato com as entidades que defendem a cadeia do tabaco, mostrou-se uma defensora da produção. “Não entendo como se deixou convencer em passar para o outro lado. Não estou entendendo como as pessoas usam a razão pra defender alguma coisa que só traz prejuizo e problemas para o país, como é hoje o caso do mercado ilegal de cigarros”.
Segundo a Afubra, em 2015, somente para os produtores, a plantação do fumo rendeu mais de R$ 5 bilhões. A receita total no país no ano passado com o tabaco foi de R$ 27 bilhões 809 milhões, dos quais, apenas em tributos foram recolhidos R$ 13 bilhões 209 milhões, o equivalente a mais de 10% do orçamento da saúde para todo o país.
“E o mais estranho de tudo é que ela é uma pessoa que sempre foi ligada a agriultura, portanto, ela deveria ter um cuidado maior antes de colocar uma opinião desta nas redes sociais”, diz Schneider.
Para a região, o secretário da Afubra afirma que uma suposta suspensão na fabricação seria “terrível”. Ele dá o exemplo de Santa Cruz do Sul, uma das maiores economias do Estado, e que tem arrecadação pautada em cima do tabaco em mais de 70%.














