Ana Souza
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O movimento dos caminhoneiros ganhou espaço em todo o noticiário pelo Brasil desde segunda-feira, 23. A categoria realizou protestos parando diversas rodovias em todo o Brasil. O movimento está causando reflexos em diversos setores de serviços.
Um dos afetados é o de alimento e, conforme a Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), nos próximos dias também poderá haver transtornos nos setores de carnes e hortigranjeiros. Um dos exemplos refere-se à cidade de São Paulo, na qual as barracas das feiras livres ou em outros tipos de comércio e municípios abastecidos pela Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp) – o maior do gênero no país –, estão enfrentando problemas. A redução chegou a cerca de 10% na entrada de frutas produzidas no Sul do país entre as quais estão a melancia, maçã, pera e ameixa. Diversas frutas poderão não chegar aos supermercados, entre elas banana, mamão, morango e atemoia.
Além das frutas, também estão incluídas verduras, carnes e leite. Inclusive em algumas cidades no Rio Grande do Sul uma grande quantidade de leite foi jogado fora por não ter como conservar por não ser pasteurizado. Animais como porcos estavam morrendo por falta de ração. Também há registro de falta de combustíveis, principalmente gasolina comum.
NÚMEROS
Em balanço divulgado ontem, 25, pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), havia 99 interdições em rodovias federais brasileiras. A principal queixa dos manifestantes são os recentes aumentos dos combustíveis, em especial do óleo diesel, mais usado para o transporte de cargas. O aumento de R$ 0,15 por litro do diesel e de R$ 0,22 por litro da gasolina, fixado no início do ano para garantir o aumento do superávit primário do governo, foi repassado ao consumidor em 1º de fevereiro.
Pela manhã, dados da PRF indicavam 99 interdições nas rodovias brasileiras. O estado com maior número de interdições é o Rio Grande do Sul, com 36 pontos. Santa Catarina, 22 pontos de interdição e o Paraná mais 19.
Foram contabilizadas quatro interdições no estado de Goiás e dez em Mato Grosso. O Mato Grosso do Sul registra uma interdição na BR-163. Os demais registros são uma interdição em Minas Gerais, quatro na Bahia e uma no Espírito Santo. No Ceará, apenas a BR-116 tem um ponto interditado. Com informações de Valter Campanato/Agência Brasil
Divulgação/Agência Brasil

Diversas rodovias estão sendo ocupadas pelo protesto dos caminhoneiros
Paralisações se mantem de forma itinerante
Jéssica Ferreira
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A paralisação dos caminhoneiros tem permanecido pelos estados. No Sul, até o momento estão sendo bloqueadas as vias em Terra de Areia no Rio Grande do Sul e na região Oeste de Santa Catarina.
O principal motivo da paralização são as reinvindicações econômicas, isto é, os sindicatos e associações dizem que o aumento no preço dos combustíveis reduz o frete e o valor pago aos caminhoneiros pelo transporte de carga. Atualmente, o caminhoneiro tem que tirar do frete a sua remuneração e o custo do combustível. Sendo assim, com o diesel mais caro a remuneração dos caminhoneiros diminui.
Mesmo com o governo recorrendo à Justiça para garantirem a circulação pelas vias e uma multa no valor de R$ 100 mil por hora de bloqueio, os caminhoneiros pretendem continuar os protestos, porém mudando as localidades de forma itinerante.
Os protestos foram organizados por caminhoneiros autônomos, e não há período de término, a não ser que haja algum acordo das partes envolvidas. Os protestos que ocorreram durante a semana no estado do Rio Grande do Sul reuniram poucos caminhoneiros, porém houve dificuldades de passagem e congestionamentos nos pontos de bloqueios.
Município não está sendo afetado
Luana Ciecelski
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A greve dos caminhoneiros chegou a deixar apreensivos os comerciantes de Santa Cruz do Sul, no entanto, até o momento, a cidade não foi muito afetada pelo movimento. Foi o que afirmou o Presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios dos Vales do Rio Pardo e Taquari (Sindigêneros), Celso Muller.
Segundo o representante, durante a segunda e terça-feira, dias 23 e 24 de fevereiro, o município ficou sem receber mercadorias, e houve quem previsse a falta de produtos se os transportadores não retomassem as atividades. “Felizmente, no entanto, não tivemos esse problema aqui em Santa Cruz”, afirmou ele.
Ainda de acordo com Muller, o setor de hortifrúti dos estabelecimentos comerciais foram os que mais correram o risco de faltar na cidade. “Leite e carne não foram os problemas, os estoques ainda durariam alguns dias, mas se podemos dizer que algo foi afetado, foram as frutas e verduras que tem validade curta”, explicou.
Caminhões já circulam na região
Durante a tarde de terça-feira, 24 de fevereiro, ainda segundo Muller, alguns caminhões começaram a voltar à atividade na região e no fim do dia e início da noite, as mercadorias começaram a chegar ao município. “Os mercados começaram a ser reabastecidos, e com o retorno dos caminhões, já houve uma melhora significativa”, comentou ele.
A expectativa dos comerciantes durante o dia de ontem, 25, já era de normalização. “Os estoques que baixaram um pouco já serão repostos ao longo do dia, conforme a chegada dos transportadores, e tudo voltará ao normal”, garantiu Celso.
Foto Luana Ciecelski

As frutas e verduras foram as mais afetadas no município, no entanto, mercados já estão reabastecidos














