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Movimento levou milhares às ruas

Jéssica Ferreira
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Milhares de brasileiros vestidos de verde e amarelo participaram neste último domingo, 15, de manifestações em todas as regiões do país. Os protestos foram organizados por diferentes grupos. A maior parte pediu pelo fim da corrupção. Houve grupos que reivindicaram a saída da presidente Dilma Rousseff através do impeachment e gritaram contra o PT. 
Em Santa Cruz do Sul, muitas faixas foram erguidas criticando a corrupção e as medidas econômicas do governo. Foram inúmeros santa-cruzenses insatisfeitos com o atual governo protestando na Praça da Bandeira. Conforme Lucas Rubinger, um dos organizadores do manifesto, o movimento teve um resultado positivo. “Superei minhas expectativas, as pessoas realmente apoiaram e estiveram presentes no protesto. Embora o governo ainda não tenha entendido o motivo de milhares de brasileiros irem para a rua, dando sua resposta negativa ontem, vamos continuar reivindicando, e está previsto um novo movimento para o dia 12 de abril”, comenta. 
O movimento “Basta de Impunidade” na cidade, reuniu em torno de 5 mil pessoas segundo estimativa dos organizadores, porém para a Brigada Militar, o cálculo estimado de protestantes foi cerca de 3 mil. A manifestação seguiu pacífica, sem dar transtorno algum na cidade. O público começou a se concentrar na Praça da Bandeira por volta das 16 horas, e assim que se organizaram deram inicio à passeata na Rua Sete de Setembro, passando pela Rua Marechal Deodoro, fazendo retorno na Rua Ramiro Barcelos até seguir novamente pela Rua Marechal Floriano em direção à Praça da Bandeira.
Durante a passeata, os participantes demonstraram suas insatisfações com o governo petista. Para Jorge Alfredo Buuron, empresário, o sentimento da população de bem é um só, ou seja, mudanças. “Precisamos que nosso país seja governado por pessoas decentes, sejam elas, gestores capacitados em fazer aquilo que o povo realmente precisa, como saúde, educação e transporte público de qualidade, pois é o mínimo diante de tantos impostos pagos pelo governo”, avalia. Jorge, que também é integrante do Movimento João da Silva (Movimento Santa Cruz contra a corrupção), declarou sua satisfação em ver tantos santa-cruzenses se manifestarem com um único objetivo. “Nunca antes em Santa Cruz do Sul tivemos uma manifestação e principalmente uma adesão tão grande, ordeira e patriótica. Um ato cívico que reuniu pessoas de outras regiões apoiando e entendendo o significado e a razão do povo nas ruas. A mudança começa com a participação de todos, domingo foi o início de uma nova era política e da participação popular”, diz.

 

Carlos Nyland

Jorge Alfredo Buuron: “Precisamos que nosso país seja governado por pessoas decentes”

 

Além de Jorge, tantos outros registraram no protesto o quanto anseiam por mudanças no país. Mitiele Majewski Corrêa, professora e atleta de xadrez, além de aluna de Relações Públicas na Unisc, foi para a rua protestar. “Desde que nasci vejo o quanto o Brasil tem evoluído, não como Federação, mas individualmente. Antes era impossível tanta mobilização, tantos gritos de mudança, tantos jovens na rua pedindo, exigindo melhorias. Aliás, não só jovens. Não sou anti-PT ou PSDB. Eu sou Pró-Brasil e só quero o melhor para meu país. E cada pessoa que vai à rua é mais um elo em nossa corrente. O Brasil pode ser um país diferente com a sua e a minha participação”, comenta.
Jônatas Arend Treptow, programador, também se manifestou, pois apesar de ter apoiado a presidente nas últimas eleições, acabou se decepcionando com os poucos meses de mandato que Dilma Rousseff tem cumprido até o momento. “Estamos todos com um sentimento de descontentamento com o governo, corrupção e a má administração. Eu particularmente me sinto um palhaço por ter sido enganado por promessas de campanha, onde apostei meu voto na presidente Dilma. Mas hoje vou pra rua pedindo seu afastamento devido às mentiras de ‘não aumentar a conta de luz, que o Brasil estava livre da crise e que a inflação estava controlada’. É lindo ver o povo saindo às ruas e lutando para minimizar o poder de um Estado corrupto”, avalia.

 

César Henrique Arend

Mitiele Majewski Corrêa ao lado do parceiro Jônatas Arend Treptow: eles esperam por mudanças

 

Para a estudante de inglês Debora Sehnem Nunes, quem tem voz ativa nas manifestações é quem realmente tem força para ir contra e não aceita qualquer coisa que o governo oferece. “Fui para rua de cara pintada e com uma bandeira do Brasil na mão, em busca de um país mais justo e honesto. Foi arrepiante, abaixo de chuva, na garra e no grito! O mundo espera uma atitude de nós brasileiros, porque do jeito que está não dá mais. Triste é ver a nação perder a capacidade de se indignar com tanta corrupção e desigualdade, pois quem aceita o mal sem protestar, coopera com ele”, diz. Assim como Debora, o corretor de imóveis, Edimilson Karnopp, não aceita também o que chama de “impunidade”. “Fui para rua, para externar minha insatisfação pela qual nosso país está passando, pela descrença nos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, para que possamos, ali na frente, voltar a ter orgulho do nosso país”, relata. 
Após a passeata, para finalizar o movimento, os manifestantes de verde e amarelo em conjunto cantaram o Hino Nacional do Brasil; em seguida, o reformado do Exército Brasileiro, Gastão Gal, cantou o Hino do Rio Grande do Sul. No início da manifestação, ocorreu uma pancada de chuva, porém os protestantes não foram embora e, assim que a chuva passou, continuaram com fervor os protestos. No Brasil todo, foram cerca de 2,2 milhões de protestantes nos 22 estados que tiveram os protestos, segundo dados da Polícia Militar. O estado do Rio Grande do Sul foi considerado o segundo, após o estado de São Paulo, com 197 mil pessoas. Em Porto Alegre, houve dois pontos principais de concentração de manifestantes: o Parcão, no bairro Moinhos de Vento, e o Parque da Redenção. De acordo com a Brigada Militar do Rio Grande do Sul, até as 17h, cerca de 100 mil pessoas haviam participado dos protestos na capital gaúcha.

Jéssica Ferreira

Após ser cantado o Hino Nacional do Brasil, Gastão Gal cantou o Hino do Rio Grande do Sul