A Prefeitura de Santa Cruz do Sul, através da Secretaria Municipal de Segurança, Cidadania, Relações Comunitárias e Esporte, realizou na manhã desta quinta-feira, 1º, mais uma operação para recolher usuários de álcool e drogas nas ruas da cidade. A ação envolveu os órgãos que integram o Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM) no combate à drogadição: Polícia Civil, Brigada Militar, Guarda Municipal e profissionais da enfermagem e assistência social vinculados à Secretaria da Saúde e à Ronda Social, da Secretaria de Inclusão, Desenvolvimento Social e Habitação.
Os locais das vistorias foram designados conforme orientação da Ronda Social. No total, oito pessoas – sete homens e uma mulher – foram recolhidas no Bairro Bom Jesus e nas proximidades de duas pontes: uma na BR-471 e outra no Bairro Arroio Grande. Uma informação recebida da comunidade dando conta da presença de usuários de drogas em uma casa abandonada na Rua Marechal Deodoro também foi averiguada, no entanto, não foram encontradas pessoas no local. Conforme a assistente social e coordenadora municipal de saúde mental, Anelise Aprato, as abordagens tiveram boa recepção e são fundamentais para estabelecer vínculos com os pacientes, o que aumenta a chance de motivá-los a aceitar o acolhimento. “Com esse contato na base no diálogo, queremos mostrar que a dependência química deve ser entendida como um problema social e de saúde”, avalia.
DECOM/PMSCS/DIVULGAÇÃO
Abordagens tiveram boa recepção e são fundamentais para estabelecer vínculos com os pacientes
Os usuários foram encaminhados para o Albergue Municipal, onde tomaram banho e fizeram refeições. Conforme o coordenador do Albergue e monitor social, Flávio Rodrigues da Costa, três pessoas desistiram do tratamento. Os demais foram levados ao Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) na parte da tarde, para o encaminhamento de documentos e opção ou não pela internação. Antonio*, 30 anos, conta que o acolhimento de maneira humanizada alimentou suas expectativas de livrar-se do vício. Envolvido com drogas há cerca de 12 anos, ele afirma já ter sido internado outras vezes, mas retornava para as ruas, onde voltava a consumir crack. “Não adianta só internar, a pessoa precisa realmente querer a cura. E é isso que eu quero para mim daqui para a frente”, disse.
O secretário municipal de Segurança, Cidadania, Relações Comunitárias e Esporte, Henrique Hermany, avalia a operação de forma positiva com base no número de pessoas encaminhadas para o tratamento. Na primeira ação, realizada no dia 9 de julho, sete pessoas foram abordadas. No entanto, o trabalho esbarra na falta de leitos para desintoxicação de dependentes químicos. “A maioria das pessoas recolhidas possuem casa e família em Santa Cruz. Por isso o convívio familiar é muito importante no tratamento dos usuários de drogas e é preciso que estas pessoas sejam tratadas aqui”, acredita.
Hoje, os pacientes são encaminhados para internação em hospitais da região, como em Candelária e Rio Pardo. Conforme Hermany, na próxima quarta-feira, 7, representantes dos hospitais Ana Nery, Santa Cruz e Monte Alverne participarão de uma reunião do GGIM, onde apresentarão suas manifestações em relação à viabilidade ou não de abrir vagas para a internação de pacientes. Na oportunidade, também será apresentado um relatório das duas operações de combate à drogadição, do trabalho realizado pela Ronda Social até o momento, bem como um relatório conclusivo da comissão que avaliou a possibilidade de transformar a clínica terapêutica Recomeçar em uma clínica de reabilitação. A comissão é formada pela OAB, Ministério Público, 13ª CRS, Secretaria de Saúde e Cisvale. *Nome fictício














