Diego Dettenborn – [email protected]
É Natal, tempo de comemorar, tempo de alegria. Deixamos de lado aquilo que passou e aproveitamos o momento. A grande maioria de nós espera, com muita expectativa, a chegada do Papai Noel, e todos nós, com certeza, já esperamos em outros tempos. A bem da verdade, o espírito de Natal e a magia dão conta de que existe um Noel em cada um de nós. Em Santa Cruz do Sul, ele tem 46 anos, emprego fixo e nome de jogador de futebol: Jorge Henrique Dorfey.
Foi por acaso que o bom velhinho entrou para a turma dos Noéis. O santa-cruzense, eletricista de automóveis, não traçou como plano de vida representar o Papai Noel neste período do ano. Tudo aconteceu após uma grande brincadeira em 2007 e de lá para cá o Papai Noel não passou um ano se quer sem cumprir seu papel fundamental na noite que antecede o 25 de dezembro: Levar presentes e alegria aos lares santa-cruzenses.
“Fomos fazer uma caridade em um asilo, no hospital e na Copame. Minha esposa arrumou a roupa para mim, ajeitou tudo e eu fui fazer. O pessoal começou a perguntar quanto que eu cobraria para fazer uma visitinha para os filhos e os amigos começaram, a incentivar. Chega a época de Natal o pessoal começa a ligar atrás de Papai Noel”.
O começo foi por acaso e em um primeiro momento o trabalho era voltado para casas geriátricas, hospitais e também crianças carentes, apenas. Atualmente Jorge se divide entre casas particulares e aquele trabalho que já realiza desde quando começou. Seis anos atuando como o “Bom Velhinho” o Papai Noel ressalta que tem muita história para contar, uma delas, segundo ele, se tornou inesquecível por se tratar de um presidiário.
Divulgação/RJ

Na noite natal compromisso estendido é coroado com desempenho em casa
“O cara estava preso e eu fui levar bolachas. Ele estava na ala São Francisco do Hospital Santa Cruz. Quando ele me viu ele começou a chorar, ele me abraçou e chorou muito. Ele acreditava no Papai Noel, deu vontade de chorar junto com o cara”, relembra.
Casado e pai de uma filha, Jorge Henrique ressalta que além do dinheiro arrecadado nesta época do ano, o que faz sentido de verdade, passa bem longe de ser algo material. “Quando tu chega e vê um brilho nos olhos não só das crianças, mas dos idosos também, sente o abraço é emocionante. É uma coisa mais pura, mais verdadeira. Queira ou não, é possível tirar um bom dinheiro, mas o que vale mesmo é a felicidade das pessoas de ver o Papai Noel.”
Noite de Natal
Na véspera do Natal o bom velhinho, percorre uma verdadeira maratona. Neste ano cerca de 10 casas receberão em poucas horas a visita do Noel e para nada dar errado a agenda fica por conta da esposa. “É minha mulher que cuida disso para mim, até mesmo para não ter que ficar correndo de um lado para o outro da cidade. Antes mesmo de sair, eu coloco a roupa e mudo, entro num personagem, voz, postura”.
Jorge Henrique costuma passar cerca de trinta minutos em cada casa. O trajeto já é definido antes da partida e o horário previsto de saída é às 18h. Ao final da noite o Noel ainda tem energia para contemplar com sua visita também os sobrinhos. “O encerramento da noite é em casa, daí é hora de ser o Papai Noel para a família.”














