Ricardo Gais
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No sábado, 6, o Governo do Estado realizou a quinta atualização do modelo de Distanciamento Controlado, que define protocolos com restrições conforme o risco epidemiológico da Covid-19 em cada uma das 20 regiões em que o Estado foi dividido. A região de Santa Cruz do Sul (R28) que engloba 13 municípios, após duas semanas seguidas na bandeira amarela (risco baixo), teve piora em dois indicadores e retornou para a faixa de predominação da bandeira laranja (risco médio). A nova atualização entrou em vigor na segunda-feira, 8, e vale até o próximo domingo, 14.
Os indicadores apontam para o aparecimento de uma bandeira preta na variação do número de novas hospitalizações (subiu de três para oito entre as duas últimas semanas) e de uma bandeira vermelha na variação do número de leitos de UTI disponíveis na macrorregião.
O Gabinete de Emergências, que realizou ontem sua primeira reunião com o novo secretário de Saúde, Giovani Alles, busca entender quais os dados utilizados pelo governo estadual. “Está se buscando entender a base de dados que compõe os indicadores que impactam nas decisões para retrocedermos para a bandeira laranja”, disse Rosemari Hofmeister, integrante do gabinete e presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Pessoas ligadas à área técnica do gabinete, da Secretaria de Saúde e da coordenadoria, buscam saber o que levou a região para essa situação. Lembrando que, não são apenas os dados de Santa Cruz que são contabilizados, mas também de outros 12 municípios que englobam a Região R28: Candelária, Gramado Xavier, Herveiras, Mato Leitão, Pantano Grande, Passo do Sobrado, Rio Pardo, Sinimbu, Vale do Sol, Vale Verde, Venâncio Aires e Vera Cruz. “Os prefeitos querem entender a situação para verificar quais as medidas que devem ser tomadas ou, as demandas a serem atendidas, para que não se volte a situação da bandeira laranja, e que não se migre para bandeira vermelha”, explica Hofmeister.
Segundo ela, os dados do município de Venâncio Aires não contribuíram sozinhos para que a região voltasse a faixa laranja, já que o município está com mais de 200 casos confirmados.
O Gabinete de Emergências irá aguardar os dados do governo estadual, para que assim, sejam tomadas atitudes cabíveis para a região sair dessa atual situação. “A gente precisa entender os dados para que isso não se repita. Não fomos pegos de surpresa, pois em nenhum momento se flexibilizou algum setor ou área acreditando que seria uma situação permanente neste contexto de pandemia”, disse Hofmeister.
O decreto municipal de calamidade pública não precisa de adequações, já que ele foi feito de acordo com o decreto estadual. “Não há necessidade de uma nova adequação nesse primeiro momento, diferente se migrarmos para uma bandeira vermelha”.
Os setores da indústria como, construção, metalurgia e tabaco por estarem remetidos ao decreto estadual, devem observar o teto de operação. Na bandeira laranja, o número de funcionários fica permitido até 75%. O que na bandeira amarela é permitido 100%. “Com o afastamento de pessoas do grupo de risco e muitos trabalhando de casa, as indústrias já não estão mais com 100% do pessoal”. No comércio, o número de funcionários e clientes ocupando o mesmo espaço fica em 50%. O que na bandeira amarela é permitido 75% da capacidade, podendo sofrer variações em alguns casos.
Rosemari salientou a importância de que os cidadãos continuem a cumprir as determinações, como manter o distanciamento social, fazer o uso da máscara e que, principalmente, o comércio cumpra o decreto. “A fiscalização tem ido nos locais, após denúncias de clientes, mas ao chegar lá, aparentemente está tudo normal”, comenta.
Após o ingresso da região na bandeira amarela, como pôde ser percebido por quem entra em alguns estabelecimentos, medidas de prevenção foram afrouxadas de forma irregular. Uma das medidas do decreto é realizar o preenchimento de uma tabela com dados de clientes que ingressam no estabelecimento, e muitas vezes, apenas alguns nomes são anotados e outros não. Alguns locais também fazem o uso de forma irregular dos provadores. Conforme a integrante do gabinete, tal situação irá prejudicar para identificar possíveis focos de contaminação por Covid-19. “Isso pode colocar mais adiante todo o projeto em risco e resultar em uma bandeira vermelha, onde o comércio fecha as portas” explica.














