Dor de cabeça, ardência nos olhos, dificuldade para distinguir as letras. Assim vinha sendo a rotina em sala de aula da estudante Vitória Bernardes da Silva, do 6º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Bom Jesus que, mesmo sentada na primeira fila, não conseguia ler direito o que os professores escreviam no quadro. Até que esta semana, ela vislumbrou a possibilidade de contar com uma ajudinha que, para muita gente parece algo bem simples: um par de óculos.
Por iniciativa do vereador Gérson Trevisan, que buscou uma parceria entre as Óticas Diniz e a Administração Municipal, através das secretarias de Saúde (Sesa) e de Educação (SEE), um projeto vai beneficiar de imediato, cerca de 20 crianças carentes da rede municipal de ensino. Outras 20 serão atendidas no final do ano.
Nesta primeira etapa serão 10 alunos da Emef Bom Jesus, do bairro homônimo, e mais 10 alunos da Emef Frederico Assmann, do bairro Belvedere. “Muitas pessoas, em situação de carência e dificuldade de emprego nos solicitam auxílio todos os dias. São famílias que muitas vezes dependem de programas como o Bolsa Família e de outros benefícios para se manter e que não teriam como pagar duzentos, trezentos reais por um óculos”, observou.
Esta semana, um auxiliar técnico de laboratório, da rede nacional de varejo óptico, compareceu nas escolas e realizou testes de acuidade visual com todas as crianças pré-selecionadas pelos professores nas diversas turmas. O procedimento, considerado simples, leva de cinco a dez minutos e não revela o grau que a criança precisa, apenas se há ou não necessidade de óculos para corrigir a visão. A partir dessa triagem, o próximo passo serão as consultas com o oftalmologista, que ficarão a cargo da Secretaria Municipal de Saúde.
A vantagem, como explicou a secretária da pasta, Renice Vaccari, é que elas não precisarão aguardar na fila e nem mesmo se deslocar para realizar a consulta em Faxinal do Soturno, município referência em oftalmologia. “Vamos agilizar através do Consórcio Intermunicipal para que, após esse primeiro exame, as crianças realizem as consultas com o especialista e as que precisarem, em seguida recebam os óculos por meio desta parceria”, disse.
Para Vitória os dias de visão embaçada, dor de cabeça e ardência nos olhos estão contados. “Ela tem um pequeno grau de miopia para longe, e quanto antes usar óculos mais chances de o problema regredir e ela recuperar totalmente a visão”, explicou o técnico Bruno Silveira. Para a mãe, a catadora Cristiane Rocha, 34 anos, a iniciativa é mais que bem-vinda. “Fico feliz porque finalmente vamos resolver o problema da minha filha. Faz muitos anos que ela reclamava que não conseguia ler direito. Cheguei a ir no posto de saúde um tempo atrás mas ia demorar muito a consulta com o especialista”, contou ela.
Nas escolas, as direções também comemoram a realização do projeto. Na Emef Bom Jesus, a diretora Adelaide Scheibler disse que a parceria chega em boa hora. “As famílias não tem condições de adquirir um óculos e dessa forma resolve-se um problema que interfere diretamente nos estudos”, destacou. Também para a diretora da Emef Frederico Assmann, Aline Andreolli, em razão das dificuldades financeiras dos alunos que frequentam a instituição, só restam motivos para comemorar. “A questão da visão é muito importante em termos de aprendizagem. Mesmo realizando a consulta por conta própria na rede pública de saúde, os pais não teriam condições de comprar os óculos depois. Estamos todos muito contentes”, disse.















