Cristiano Silva
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Cagê Lisboa

Bazar do Vinil percorre cidades gaúchos em feiras itinerantes

Bazar do Vinil percorre cidades gaúchos em feiras itinerantes
Do disco de goma-laca ao mp3, vários formatos transformaram o jeito de se consumir música. Um deles sobreviveu ao tempo, consagrou bandas, músicos e artistas pelo mundo, e deixou uma saudade e um carinho eterno aos seus amantes quando saiu de circulação no início dos anos 90: o disco de vinil, popular LP. Quando surgiu no ano de 1948, tornou obsoletos os antigos discos de goma-laca, que até então eram utilizados. A partir do final da década de 1980 e início da década de 1990, a invenção dos compact discs (CD) prometeu maior capacidade, durabilidade e clareza sonora, sem chiados, fazendo os discos de vinil ficarem obsoletos e desaparecerem quase por completo. No entanto, no final da primeira década do século 21, os discos de vinil voltaram ao mercado. Entre fãs antigos e novos, os apreciadores dos LPs não questionam a qualidade do som do vinil, imensamente maior, segundo eles, em relação aos modelos digitais como o CD, por exemplo. É o caso do radialista Carlos Eugênio Lisboa, o Cagê, como é conhecido pelo público que o escuta em uma carreira pelas rádios do Rio Grande do Sul.
Fã assumido dos clássicos “bolachões”, sua adoração pelos vinis vem desde a época em que era garoto. “Minha paixão pelos vinis vem desde cedo. Quando comecei a escutar música, não existia CD e muito menos mp3. A única mídia era o vinil, e assim foi durante muito tempo até o surgimento do CD” conta o radialista que trabalha na Rádio Ipanema, de Porto Alegre. Cagê, também conhecido por ter feito parte do programa Pretinho Básico da Rádio Atlântida durante muito tempo, conta que essa paixão pela música acabou lhe aproximando do rádio. “A Ipanema sempre foi uma rádio que me atraiu pela programação muito parecida com o meu gosto musical. Desta maneira fui participando da rádio cada vez mais, até me tornar um integrante propriamente dito dela. A partir daí, já com um nome consolidado no rádio gaúcho, participei da formação da Rádio Poprock, do surgimento dos programas Cafezinho, Rock and Blues, e mais recentemente do Pretinho Básico, já trabalhando na Rádio Atlântida. Agora, estou de volta a rádio que me formou, a Ipanema FM”.
DIFERENCIADO
Divulgação/RJ

Paixão pelo vinil levou Cagê a se aproximar das rádios

Paixão pelo vinil levou Cagê a se aproximar das rádios
A grande diferença do vinil, segundo os audiófilos – apreciadores de som reproduzido em alta fidelidade –, é a qualidade do som. O principal argumento utilizado é o de que as gravações em meio digital (CDs e DVDs) cortam as frequências sonoras mais altas e baixas, eliminando harmônicos, ecos, batidas graves e a naturalidade do som. “A principal vantagem do vinil em relação a outras mídias é a qualidade do som. O vinil proporciona ao público o registro mais fiel da gravação original do artista. No caso do CD, como diz o nome, compact disc, o som já é compactado, o que acaba ocultando vários detalhes que foram concebidos na gravação original. Além de afetar principalmente os graves da música” destaca Cagê. Os defensores do som digital, porém, argumentam que a eliminação do ruído do vinil foi um grande avanço na fidelidade das gravações, nada que mude a magia de se escutar um bom vinil, segundo Cagê.
O RETORNO DO VINIL
A volta dos vinis é um fato. Em janeiro de 2013 foi divulgada uma pesquisa na revista “Billboard” que, no ano de 2012, somente no mercado norte-americano, foram vendidos 4,5 milhões de vinis. O número é o maior desde 1991. A venda total de discos de vinil foi 18% maior do que em 2011. “Uma das peculiaridades do vinil é o ritual que envolve a audição de um disco. As pessoas se esqueceram de como se ouve música, e o vinil está trazendo de volta este ritual. A procura pelo vinil é explicada por estes detalhes. As pessoas estão cada vez mais se dando conta de que a qualidade de som de um vinil é infinitamente superior a de um CD, e mais ainda do que um mp3” enfatizou o radialista.
BAZAR DO VINIL
Cagê Lisboa

Informações sobre o Bazar do Vinil também podem ser
encontradas no site www.bazardovinil.com

Informações sobre o Bazar do Vinil também podem ser
encontradas no site www.bazardovinil.com
Essa paixão, segundo Cagê, aliado ao ressurgimento da mídia musical e da procura constante de fãs de vinil, fez com que o radialista da Rádio Ipanema criasse o Bazar do Vinil, uma espécie de loja própria – e móvel – que Cagê comercializa os discos das mais diferentes vértices da música, seja em Porto Alegre ou nas cidades gaúchas que tenham interessados na comercialização dos “bolachões”. O Bazar do Vinil, que tem uma página no Facebook (facebook.com/bazardovinil), se apresenta através de feiras itinerantes e, segundo Cagê, só é preciso um local que tenha uma boa circulação de pessoas. “O Bazar do Vinil começou por uma necessidade minha, quando eu fiquei durante um tempo desempregado. Mas a resposta foi tão inesperada que eu resolvi manter o negócio, agora não pela necessidade, mas pelo prazer de mexer com isso. Pelo prazer de conhecer cada vez mais pessoas que têm este interesse em comum. Hoje, o Bazar do Vinil viaja para várias cidades do Rio Grande do Sul e em cada uma delas a resposta é extremamente positiva” comenta Cagê, que destaca a grande procura do público pelos vinis.
“A carência das pessoas em relação aos discos de vinil é impressionante. E este é um fenômeno que se repete nas principais cidades do mundo. Em Nova Iorque, por exemplo, as lojas de discos de vinil se reproduzem nos bairros mais descolados” revela o radialista, que finaliza: “Sei que em Santa Cruz tem uma galera muito a fim de consumir vinis, portanto, só precisamos agilizar esta ideia”.
Cagê, e os fãs que tanto consomem do Bazar do Vinil, são exemplos que mostram que o vinil não tem validade e não é apenas um formato de escutar música. É uma forma de relembrar o passado, recordar momentos e celebrar períodos da vida, seja através da música, ruídos ou falhas nos próprios discos. O vinil é eterno.














