Ana Souza
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Santa Cruz do Sul também é conhecida no cenário nacional por sua beleza retratada através de seus vários pontos turísticos. Se a beleza destes locais é destaque, imagina ver as soberanas da maior festa germânica do Rio Grande do Sul, a Oktoberfest, tendo em seus trajes oficiais traços que remetem ao município. Buscando fazer uma homenagem ao povo santa-cruzense a estilista Joana Tornquist desenhou os trajes das soberanas da 30ª Oktoberfest inspirando-se em nossa cidade e suas tradições. Os vestidos foram confeccionados pelo Atelier Center Tecidos e Puchullu.
A profissional foi convidada pela Comissão Organizadora da Festa da Alegria para desenhar os vestidos das candidatas que participaram do concurso que elegeu a nova corte. “A partir do momento em que a corte foi escolhida já comecei a idealizar os vestidos da rainha e princesas. Pesquisei mais sobre os pontos turísticos, história do município, valores da comunidade e personalidade das soberanas. As três vestimentas têm enfoques diferenciados. Busquei inspiração para criar um traje diferente de tudo feito até então. Um vestido que mostrasse a Oktoberfest e o povo santa-cruzense com suas tradições e um toque de elegância e sofisticação.”
Joana enfatiza que muitos perguntam o porque de ter um tema para produzir os vestidos. “Toda a coleção de moda tem sempre uma temática. As roupas não são criadas ao acaso, tem uma cultura e traduz o comportamento das pessoas. Não queria que os vestidos das soberanas tivesse só beleza, mas conteúdo e informação. A cidade foi motivo de inspiração.”
A estilista explica que as cores dos vestidos remetem aos tons internos da Catedral São João Batista. “As cores mais claras buscam valorizar a beleza das soberanas, com um tom sutil em dourado. As pérolas remetem ao Jubileu de Pérola da Festa e serviram de base para unir todos os vestidos. Os tons de lilás, azul, pérola e dourado, presentes no interior da Catedral se tornaram ideais. Também queria algo delicado para enaltecer a beleza delas.”
Segundo a profissional, a execução dos vestidos só foi possível com a ajuda da equipe no atelier. “Entre corte, costura bordado foram mais de 160 horas de trabalho entre 5 pessoas. O bordado como detalhe principal do vestido enobrece e dá vida a todas as referências da pesquisa.”
Motivo de orgulho, assim definiu a estilista Joana sobre a oportunidade em trazer Santa Cruz retratada em seu trabalho. “Após a divulgação dos trajes recebi um grande reconhecimento. Diversas pessoas me procuraram para desenhar vestidos. Está sendo um crescimento profissional muito importante, pois não tinha feito algo tão grandioso. Admiro muito Santa Cruz pela cultura de seu povo e pela recepção que tem com seus visitantes. Já tinha ligação com a Oktoberfest, pois meu pai participava da Feirasul. O ofício de estilista veio através do trabalho de minha mãe Ana Rosvista. Aprendi a costurar com ela. Além dos vestidos, a Center Tecidos também se faz presente nos arcos que decoram as ruas principais, anunciando a chegada da 30ª Oktoberfest.”
Fotos: Ana Souza

Estilista Joana Tornquist: “É um orgulho mostrar a tradição de Santa Cruz nos trajes das soberanas, pois não tinha feito algo tão grandioso”

Vestidos da Rainha Therry e das princesas Caroline e Andressa trazem os tons claros do interior da Catedral São João Batista

O croqui com o desenho dos vestidos
AS CARACTERÍSTICAS
Vestido: poesia da alma
A religiosidade foi um dos muitos valores trazidos pelos imigrantes alemães que aqui se fixaram. Na construção das igrejas revelaram sua arte e seus esforços. A Catedral São João Batista é o símbolo mais marcante da cidade de Santa Cruz do Sul. Representa a fé de seu povo que, unido, lutou bravamente para sua construção. Muitos sacrifícios foram necessários para materialização de tamanho empreendimento que teve início a partir de 1928, com projeto do arquiteto alemão Simon Gramlich.
Assim o vestido da Rainha Therry Hansen Jardim, une as cores dos vestidos de suas Princesas, simbolizando dois elementos fundamentais que viabilizaram a construção da Catedral: o desenvolvimento econômico e o esforço das família.
Azul, lilás, pérola e dourado dão vida ao bordado ricamente decorado com traços inspirados nos arabescos, pinturas e formas usadas nas igrejas. Vitrais, arcos ogivais, a rosáea, abóbadas e frisos emprestam formas aos cristais, vidrilhos e pérolas para ornamentar o rico corpete. A saia simboliza através da sua forma a cultura do tabaco e através de seus desenhos, a abóboda do teto com nervuras da Catedral.
Vestido: Ouro do Labor
A partir de 1849, a Colônia de Santa Cruz recebeu os primeiros imigrantes alemães vindos da região da Prússia e da Silésia. As terras foram ocupadas por imigrantes, que, na sua maioria, eram agricultores e artesãos. Já em 1878, quando ocorreu a emancipação política da então Freguesia de Santa Cruz, o município já era centro da produção de fumo, da qual 95% destinava-se à exportação.
Crescimento rápido e economia forte foram fruto de muito suor no campo, que enriqueceram produtores e tornaram a cidade um polo comercial e industrial. Atualmente, colhemos os frutos do trabalho dos nossos antepassados, aliamos tecnologia, gestão e diversificação da produção para crescermos ainda mais no campo e na cidade.
A riqueza da lavoura é representada no vestido da Princesa Andressa Lupattini. A fartura e a riqueza da plantação de várias culturas são representadas pelo bordado rico em verde e dourado. Caminhos que produzem a riqueza. Caminhos de trabalho e dedicação do homem do campo que produz a matéria-prima para as indústrias.
A folha do tabaco como símbolo maior da agricultura serve de base para a saia e sustenta o corpete rico em pedrarias. Folhas maduras, vergas de lavouras e flores de renda brincam com pérolas. A delicadeza da natureza e a força dos negócios lado a lado.
Vestido: O tom da vida
Os imigrantes sempre lutaram pela plenitude da vida familiar. Laços estreitos entre valores e sentimentos. Educação, trabalho e respeito equilibrado em um lar amoroso onde a cultura alemã mantem-se presente através da dança e da música.
Comunidades unem-se em corais para entoar hinos de louvor e gratidão. Todas as gerações se unem em ritmos típicos germânicos em Grupos de Danças. Bandinhas embalam casais em bailes de quermesses ou em rondas folclóricas. Santa Cruz do Sul foi concebida por famílias que vivem música e a dança. Prova disso é a diversidade de eventos artísticos que a cidade sedia com diversidade de estilos. De danças típicas alemãs, ao tradicionalismo das músicas gaúchas até a modernidade da dança de rua.
O vestido da Princesa Caroline Becker foi criado a partir da base da tradicional família alemã. As casas, do tipo enxaimel, ornamentam sua saia. Seu coração é coberto por um corpete enriquecido pelos símbolos da música, a leveza das flores cultivadas nos jardins, o movimento das águas dos chafarizes da cidade. Todos os símbolos culminam num incrível bordado de pérolas. Pérolas do Jubileu de 30 anos da Festa da Alegria.














