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Unisc: ObservaDR lança banco de dados sobre a Covid-19

Universidade vem acompanhando estatísticas regionais importantes para entender a doença

Grasiel Grasel
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Mapa expõe deserto de UTI’s na região. Somente Santa Cruz e Venâncio possuem leitos com terapia intensiva – ObservaDR/Reprodução

Há cerca de um mês o Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR) da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) vem trabalhando em um banco de dados que pode ser muito importante para o município e a região. O ObservaDR, uma rede de pesquisa do programa criada em 2012 que agrupa informações de vários indicadores e análises sobre o Vale do Rio Pardo, preparou uma série de mapas para explicar características relevantes da população e geografia local para melhor lidarmos com a pandemia da Covid-19.

Desde o início dos trabalhos, o grupo que integra o ObservaDR discute quais são as variáveis fundamentais para um acompanhamento da doença. A partir de dados levantados com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Data SUS e Prefeitura, montaram uma equipe de trabalho que envolve a universidade, a Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos de Santa Cruz do Sul (Seasc) e a Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, com o programa Mapa da Cidade.

O coordenador do ObservaDR, professor Rogério Leandro Lima da Silveira, explica que, como uma forte característica da doença é a sua proliferação mais intensa em zonas urbanas, optaram por não analisar dados da zona rural do município. Da mesma forma, o grupo decidiu ampliar o olhar para os recortes estadual e regional para entender como a Covid-19 se espalha através do transporte interurbano.

O VÍRUS QUE VIAJA

Segundo Silveira, ao analisar os dados foi possível concluir que existe um padrão na difusão de novos casos, que saem da capital e da região metropolitana em direção ao interior do Estado através das principais rodovias de transporte, como a BR-386, a BR-153 e a RSC-287, pois elas passam por cidades que são polos econômicos do Rio Grande do Sul e movimentam uma quantidade maior de pessoas.

Outra variável que é importante observar são as chamadas “cidades médias”, que possuem um potencial econômico maior e abrigam universidades e indústrias, as quais trabalham com muita mão de obra de moradores de outros municípios, o que pode colaborar significativamente com o espalhamento da doença e, portanto, é necessário pensar em estratégias regionais.

Mapa mostra bairros com maiores proporções de pessoas acima de 60 anos em Santa Cruz – ObservaDR/Reprodução

GRUPOS EM RISCO EM SANTA CRUZ

Alguns bairros acabam tendo uma grande concentração de pessoas devido à quantidade de prédios, como o Santo Inácio, que em 2019 foi estimado pelo IBGE com uma população de 17 mil pessoas, um número maior do que o total de alguns municípios da região, como Boqueirão do Leão (7.714 hab. em 2019). A situação, porém, é mais controlável devido a estrutura habitacional, pois o número de pessoas em um mesmo domicílio é relativamente baixo.

A preocupação, no entanto, é com bairros periféricos da cidade, que também concentram um grande número de pessoas, mas não possuem tanta verticalização, como o Bom Jesus ou até mesmo o Arroio Grande. Nestes locais, o número médio de moradores por domicílio é maior do que em outros pontos de Santa Cruz, chegando a ficar acima de quatro pessoas em alguns casos, o que gera um ambiente muito favorável para a proliferação do vírus.

Outro dado que chama a atenção é em relação a média de idade em alguns bairros. No Goiás, por exemplo, existe uma concentração maior de pessoas acima dos 60 anos, que são parte do grupo de risco. O Senai, que é outro bairro antigo que faz parte da periferia sul, também se destaca na estatística e merece atenção.

CONTRA O VÍRUS, CIÊNCIA

Professor Rogério reafirma uma máxima que vem sendo destacada mundialmente: Neste momento, nada contribui mais para o combate ao vírus do que a ciência e as ferramentas que ela oferece, em especial para a tomada de decisões e alocação correta de recursos. “Para poder planejar políticas públicas, é fundamental saber como se encontram nossas cidades, quais são seus indicadores, como a cidade se distribui e as características da população. Isso facilita muito mais as ações de planejamento”, afirma.

Enquanto ter dados concretos se mostra importante, a falta deles também vem expondo o quão problemático é não podermos entender como a pandemia está se dando no país, principalmente pelo número muito baixo de testes na população. “Existem riscos de cometer erros, de desperdiçar recursos, de não priorizar setores ou grupos sociais que mais precisam de atenção. Um diagnóstico mais limitado, de alguma maneira, cobra um preço alto para programas não só governamentais como até mesmo privados”, explica o professor.

Silva também informa que nas próximas semanas a equipe do ObservaDR vai alimentar seu site com novos dados e mapas de Santa Cruz do Sul que já foram levantados. Da mesma forma, serão ampliadas as informações sobre o Vale do Rio Pardo, para possibilitar que o combate à doença tome proporções mais regionais. O PPGDR também vem considerando realizar um trabalho mais detalhado, como foi feito para o nosso município, com Venâncio Aires, que vem sofrendo com a pandemia e já soma mais de 30 casos confirmados de Covid-19.

Para conferir todos os mapas e mais informações sobre o trabalho realizado no ObservaDR, basta acessar o site da rede de pesquisa através do link “bit.ly/ObservaDRcovid”.