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Fanzines na onda "old school"

Cristiano Silva
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Bruna Rocha Araújo

Curso de Psicologia da Unisc participou de uma oficina de fanzines
 
Oriunda da contração das palavras inglesas “Fanatic” e “Magazine” (o que seria uma “Revista de Fã”), os fanzines, ou zines, ganharam notoriedade nos anos 70, quando o movimento punk estava no auge na Inglaterra e, partido da sua máxima “Do It Yourself” (“Faça Você Mesmo”), a cultura punk lançou para o mundo uma enxurrada de edições artesanais feitas nas mais diferentes criativas formas de reprodução e impressão, desde serigrafia, mimeógrafo e até mesmo à mão ou técnicas como xilogravura. 
O importante era se comunicar, dizer ao mundo o que estavam pensando através de um meio de comunicação feito com suas próprias mãos, não se preocupando com tiragem, mercado, linha editorial, somente com a sua imagem, sua palavra e a sua estética.
Os anos 80 foram testemunhas de um segundo e mais estrondoso “boom” em todo o mundo dos fanzines. O advento das fotocopiadoras e a relativa acessibilidade do preço da impressão e, o mais importante, a possibilidade de imprimir minúsculas tiragem e quantas vezes quisessem, transformou a “Geração Xerox”, como se tornaram conhecidos os fanzineiros dessa década, na mais prolífica era dos zines, quando os mesmos deixaram de ser privilégio da cultura punk e se tornaram também uma alternativa para a publicação de poesia, histórias em quadrinhos e qualquer outro tipo de arte impressa, criando uma rede independente, longe das garras do mercado, que ligava praticamente o mundo todo através da via postal.
 
OFICINA À MODA ANTIGA
 
Herdeiro da “Geração Xerox”, o artista plástico Joe Nunes começou a fazer seus fanzines desde o final dos anos 80 e até hoje ainda se arrisca na edição de alguns números experimentais com desenhos e textos. Hoje à tarde, 7 de junho, às 14h, no Centro de Cultura Jornalista Francisco José Frantz (Ernesto Alves, 817), o artista ministra um Oficina de Fanzines.
Além de falar um pouco sobre essa linguagem, o artista irá ensinar aos participantes como produzirem os seus próprios fanzines “à moda antiga”, como explica ele. “Vamos voltar no tempo e ver como as coisas eram feitas antes da informática. Será uma experiência muito interessante e instigante” comenta o artista. Apesar de achar que agora o interesse pelos fanzines não vem mais de uma necessidade clara de comunicação, como eram em tempos que não existiam redes sociais para dar voz à todos, e que hoje a galera procura os zines mais por questões de escolha estética, muito na onda “old School”, Nunes ainda acredita que todo o processo que envolve é de grande valia para o aprimoramento de valores coletivos e até mesmo estéticos.  As inscrições para a Oficina de Fanzines, – que tem o apoio do Departamento de Cultura da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Smec) de Santa Cruz do Sul, ainda podem ser feitas, através do e-mail [email protected].